Desde a descentralização da internet até o uso da tecnologia no campo, confira assuntos para ficar atento ao longo do ano!
Todos os anos, muitas tendências se destacam e geram perspectivas para o futuro. Algumas delas se consolidam e constroem novos cenários para a inovação e os negócios. Outras acabam precisando de mais tempo de amadurecimento. Por fim, há, ainda, aquelas que não se estabelecem e são deixadas para trás.
Identificar tendências não é uma ciência exata, mas é, sim, uma habilidade muito importante na hora de inovar. Quem consegue visualizar o avanço das tendências e entender como aproveitá-las agrega competitividade aos negócios.
Neste artigo, nós mostramos algumas tendências que viraram realidade em 2022. Agora é hora de listarmos os assuntos para ficar de olho no novo ano. Essas são as tendências para 2023 que merecem a atenção da sua cooperativa. Boa leitura!
1. Consolidação da Web3
A internet está no caminho da descentralização. A tecnologia de blockchain, que funciona como um banco de dados sem controlador central em que as informações podem ser conferidas por qualquer pessoa, possibilitou o desenvolvimento das criptomoedas e DAOs, por exemplo.
As DAOs são Organizações Autônomas Descentralizadas regidas por meio de contratos inteligentes registrados na blockchain. Suas tarefas são descritas em código e não demandam intervenção humana para funcionar. Assim, elas são financiadas através da compra de tokens – uma espécie de moeda interna própria -, que dão direitos a votos nas tomadas de decisões.
Esse fenômeno tira o poder das grandes corporações de tecnologia e coloca os usuários como protagonistas do ambiente digital. Na Web2, atual estágio da internet, as big techs concentram muita força.
Nova era
Tal mudança na lógica da internet caminha para ganhar escala e proporcionar uma nova fase para as redes: a Web3, ou Web 3.0. Centrada nos internautas, a internet que se projeta para o futuro será mais democrática.
O amadurecimento da Web3 deve acontecer a partir da utilização de suas ferramentas para o desenvolvimento de novos produtos e serviços. NFTs, os tokens não-fungíveis, podem ser usados como ingressos para eventos, por exemplo.
Contudo, a nova era da internet precisa agregar valor para mais pessoas para que possa se consolidar para o público amplo.
Web3 em foco
O mundo da inovação já está de olho no desenvolvimento da Web3. Conforme noticiamos aqui no InovaCoop, a nova era da internet foi destaque no South by Southwest (SXSW), um dos principais eventos de inovação e tecnologia do mundo.
No SXSW, a futurista Amy Webb disse que o Metaverso, um mundo digital de convivência, onde pessoas interagem entre si e com outros objetos por meio de avatares, será a maior expressão da Web3. Esse contexto vai empoderar os usuários no controle de seus dados pessoais, em um cenário otimista, ela argumentou.
As discussões sobre o potencial da Web3 também fizeram parte do Web Summit, como também relatamos neste artigo. O evento proporcionou discussões sobre a maneira que o blockchain pode ajudar a tornar a sociedade mais inclusiva e como a descentralização tem o potencial de impactar o mundo do entretenimento.
2. Sistema financeiro descentralizado e digital
Não é só na internet que a descentralização ganha força. No universo dos serviços financeiros, essa também é uma tendência que pode se consolidar em 2022 - inclusive por meio de intersecções com a Web3.
As criptomoedas, que já têm uma estrutura estabelecida, ainda não apresentam aplicações práticas para transações do dia a dia. Os custos e tempo de efetivação para as transações são impeditivos para uma adesão maior. Pode ser que 2023 seja o ano em que os avanços tecnológicos enfim possibilitem a maior difusão dos serviços financeiros descentralizados.
Segundo a futurista Amy Webb, as finanças descentralizadas têm o potencial de promover a inclusão financeira e o acesso ao crédito, tudo isso de forma mais simples para mais pessoas.
Outro sintoma que indica o amadurecimento da criptoeconomia é como a regulação sobre elas está crescendo. Isso deve proporcionar uma sensação maior de segurança para pessoas que ainda estão céticas com a tecnologia. O sucesso das fintechs e a criação do real digital, entretanto, apontam que o futuro do sistema financeiro é digital.
3. Progressos nas tecnologias verdes e agenda ESG
A consolidação da agenda ESG deve impulsionar o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e organizações que carregam a preocupação ambiental no DNA terão cada vez mais vantagens competitivas.
Esse cenário deve impulsionar o protagonismo das tecnologias verdes em 2023. Afinal, as pessoas estão questionando mais o impacto ambiental dos bens que consomem. Explicamos essa mudança no comportamento de consumo, sobretudo por parte das gerações mais jovens, neste post.
As cadeias produtivas de produtos tecnológicos terão de se adaptar às novas demandas verdes. Com isso, as fabricantes terão de encontrar saídas para otimizar a extração de materiais utilizados para a produção de gadgets, por exemplo. A questão energética também é central e engloba por todo o ecossistema de tecnologias em nuvem.
Reforma energética
O conflito na Ucrânia abalou o fornecimento de energia para diversos países da Europa e sublinhou a necessidade de desenvolver novas fontes de energia verde.
Uma reforma da matriz energética não é algo que acontece da noite para o dia, mas 2023 deve proporcionar o ponto de partida para as iniciativas em prol dessa transição energética. Ao mesmo tempo, a indústria também deve impulsionar a adoção de produtos energeticamente mais sustentáveis, como é o caso dos veículos elétricos.
4. Evolução da indústria 5.0
Após o estabelecimento da Indústria 4.0, que agrega uma série de tecnologias como internet das coisas, inteligência artificial e robôs autônomos para potencializar a produção industrial, uma nova fase se aproxima. É a indústria 5.0, apontada como um momento de humanização dos meios de produção.
O conceito da indústria 5.0 almeja resgatar as características humanas da produção em comunhão às tecnologias adotadas pela indústria 4.0. Ela nasce da percepção de que a tecnologia, sozinha, não é a solução para todos os problemas.
A ideia da indústria 5.0 é de que, mesmo com o avanço da automação, a colaboração das máquinas com os humanos é imprescindível. Isto é: apesar da inegável importância da robótica para os processos industriais, a inteligência humana será a protagonista.
5. Hiperpersonalização, comportamento e experiência do cliente
A gestão orientada por dados já é realidade e, em 2023, os dados serão cada vez mais utilizados para entender o comportamento dos consumidores e ofertar serviços e produtos personalizados para cada pessoa.
Com isso, a tendência é que os dados coletados sobre o comportamento dos consumidores sejam utilizados para otimizar a experiência e a jornada de compra. Ferramentas como o open finance já funcionam dentro dessa lógica, que deve ir se consolidando com o tempo.
Toda essa jornada envolvendo informações tem o objetivo de melhorar a experiência do cliente, o que gera fidelização e construção de marca. A MJV Innovation ilustra a importância de proporcionar uma experiência positiva com os seguintes dados:
- 32% dos clientes deixam de fazer negócios com uma marca após uma experiência negativa.
- 72% dos clientes compartilham com seis ou mais pessoas suas experiências de compra positivas.
- 13% dos clientes insatisfeitos, por outro lado, compartilham a experiência negativa com 15 ou mais pessoas.
Usabilidade e interface
O ano de 2023 irá privilegiar os negócios que priorizam seus clientes uma vez que, quando eles aprovam a experiência, ficam mais propensos a retornar e divulgar. Seguindo essa linha, no ambiente digital, dois conceitos devem ganhar protagonismo:
- Experiência do usuário (UX): processo em que as marcas desenvolvem experiências valiosas e significativas para o cliente de um produto ou serviço específico. Isso envolve o design de todo o processo e busca entregar boas experiências ao usuário, incentivando hábitos e comportamentos.
- Interface do usuário (UI): voltada para o layout gráfico e as interfaces para produtos ou serviços. Trata-se da disciplina que estuda a maneira com que os usuários interagem com um determinado aplicativo, monitor, dispositivo ou software.
6. Data driven
Seguindo a seara dos dados, eles devem se consolidar como um recurso essencial para a gestão e a tomada de decisão. A consultoria Deloitte, por exemplo, acredita que a tomada de decisões baseada em dados será parte do “novo normal”.
Que os dados ajudam a obter bons resultados nos negócios, já sabemos. Um estudo da Cognopia mostra que companhias que tomam decisões com base em dados têm uma probabilidade 19 vezes maior de serem lucrativas do que as administradas instintivamente.
Diante desse cenário, 2023 será o ano da estruturação de dados. Afinal, não adianta tê-los disponíveis sem a capacidade de tratá-los e transformá-los em informação. Com dados de qualidade e implementação adequada, as organizações podem tomar decisões por meio de análises preditivas.
Dados coletados incorretamente ou armazenados de forma ineficaz podem perder o seu valor. Além disso, será importante entender que quantidade de dados não é sinônimo de qualidade. Ou seja: mais do que coletar muitos dados, o valor está em obter os insights relevantes que vão proporcionar inteligência de mercado.
7. Protagonismo das soft skills
Em meio a um ambiente profissional com alta demanda por profissionais de tecnologia e com conhecimentos técnicos das novas ferramentas, o grande diferencial do mercado de trabalho estará nas soft skills, que são habilidades interpessoais e emocionais.
O profissional moderno não deverá limitar suas habilidades ao conhecimento técnico ligado diretamente à sua área de atuação. Afinal, independentemente da função ou expertise de trabalho, os profissionais precisam prosperar em uma rede de relações com colegas, clientes, chefes e subordinados. Assim, as relações humanas são fundamentais.
Algumas soft skills para aprimorar em 2023 são:
- Inovação: como a psicóloga Fernanda Furia explicou aqui no InovaCoop, a inovação é um processo mental que pode ser estimulado e demanda o desenvolvimento das capacidades psicológicas e a criatividade.
- Adaptabilidade: pessoas que conseguem encarar mudanças como oportunidades de aprendizado são importantes em um mundo dinâmico cheio de novidades.
- Colaboração: o trabalho em equipe está em alta. Quem consegue ajudar quando pode e pede ajuda quando precisa reforçar a unidade das organizações.
- Comunicação: passar mensagens com clareza e assertividade contribui para a resolução de problemas com fluidez e afasta ruídos que resultam em mal-entendidos.
- Negociação: é uma habilidade útil para todos os tipos de relações, envolvendo a capacidade argumentativa e a empatia.
- Inteligência emocional: a capacidade de entender e gerenciar as emoções é essencial para o trabalho em equipe e demanda um alto nível de autoconhecimento.
8. Diversidade, equidade e inclusão
Durante a Semana de Competitividade organizada pelo Sistema OCB, Gabi Augustini e Silvana Bahia, respectivamente fundadora e a diretora-executiva da Olabi, falaram sobre o papel da diversidade como fator impulsionador dos negócios.
Silvana explicou que os espaços não são ocupados de forma a refletir a sociedade. “Fato é que 85% dos juízes são brancos, mesmo com 56% da população negra”, exemplificou. Todavia, a diversidade e a inclusão são bons para os negócios!
“Percebemos mundo afora que as organizações de variados portes e tipos se tornam mais fortes quando o clima organizacional conta com a diversidade em seus quadros”, explicou Silvana.
Inclusão dá resultado
A pesquisa “Diversidade de Gênero no Conselho e Inovação Corporativa: Evidências Internacionais”, publicado no Journal of Financial and Quantitative Analysis, da Universidade de Cambridge, concluiu que empresas com conselhos diversificados têm mais patentes inovadoras e maior eficiência em suas inovações.
Além disso, de acordo com mapeamento feito pela 100 Open Startups, 40% dos programas de inovação aberta no Brasil são liderados por mulheres. Ou seja, a diversidade torna as organizações mais inovadoras e competitivas.
Em meio ao aumento da demanda pela agenda ESG, que inclui a responsabilidade social, e os impactos positivos nos negócios, iniciativas inclusivas devem ser cada vez mais frequentes em 2023. Augustini afirma que o ponto de partida para a inclusão é o diagnóstico interno da organização para entender o que é possível fazer para criar um conjunto de pactos e metas:
“O diagnóstico auxilia na criação de metas, mas outros indicadores podem ser formulados ao longo do processo. As ações de conscientização de gênero, racial e de outros públicos minorizados na história podem surpreender e criar oportunidades de mercado”.
9. Crescimento das agritechs
O setor agropecuário absorve inovações e tecnologias a fim de aumentar a produtividade, melhorar a qualidade da produção e reduzir os impactos ambientais. Mesclando o campo com as características da economia digital e cultura de startups, surgiram, então, as agritechs.
Dessa forma, as agritechs estão surgindo para apresentar soluções tecnológicas ao campo, englobando uso de drones e plataformas de previsões meteorológicas, por exemplo.
No Radar da Inovação contamos a história da parceria entre a Cooperativa Vinícola Aurora e a startup agro Jahde Tecnologia para o desenvolvimento de um sistema de sensores que monitoram a propensão para desenvolvimento de doenças e otimizam o uso de fungicidas.
Diante dos desafios que o setor de produção agropecuária enfrenta para aumentar a produtividade de forma sustentável, a tecnologia desponta como uma grande aliada. Com isso, as agritechs devem ser cada vez mais importantes na contribuição para o desenvolvimento tecnológico do campo.
Conclusão
Como vimos, identificar as tendências resulta em ganho na competitividade e solidez nos negócios da cooperativa. Que tal, então, aprender como descobri-las e acompanhá-las?
Para isso, o InovaCoop produziu, em parceria com a Descola, o curso de “Pesquisador de tendências”, ensinando a mapear tendências; diferenciar o que é tendência do que não é; usar essas informações a favor do seu negócio.
Outra forma de identificar tendências comerciais importantes é por meio da neurociência do consumo. Portanto, também fique de olho no material que produzimos para te apoiar nessa atividade. A partir das conclusões alcançadas, é hora de planejar novas experiências com o design de serviços.
Mas, além de identificar as tendências, os cursos do InovaCoop também podem te ajudar a colocá-las em prática. Já que falamos sobre soft skills, por que não aprender uma das mais importantes delas: a resolução de problemas complexos? Assim você estará preparado para encarar as mudanças que seguirão ocorrendo no futuro.
O ano de 2022 consolidou uma série de tendências e inovações. Confira seis delas e veja exemplos no cooperativismo!
Novas tendências emergem com frequência, prometendo disrupções, evoluções e mudanças nas dinâmicas de inovação, tecnologia, mercado e hábitos. Algumas se concretizam, outras continuam se desenvolvendo e enquanto diversas mais não encontram o caminho do sucesso.
O ano de 2022 serviu para que inovações pudessem se consolidar como elementos importantes para os negócios das cooperativas. Ficar de olho no que acontece no mercado corresponde a uma parte fundamental para o planejamento e a gestão da inovação.
Por isso, neste artigo, iremos compilar seis tendências que, em 2022, ganharam corpo, viraram realidade e impactaram na inovação e nos negócios. Aproveite a leitura!
1. Implementação do 5G no Brasil
A internet de quinta geração, conhecida como conexão 5G, com sua alta velocidade, baixa latência e forte estabilidade, promete revolucionar as telecomunicações e acelerar a transformação digital. A disponibilidade do 5G, entretanto, ainda é globalmente muito desigual.
O Brasil é uma boa notícia em relação à implementação da tecnologia. Após o leilão para a exploração e oferta das frequências do 5G no país, realizado no final de 2021, este ano foi o de começar a disponibilizar a conexão de quinta geração.
Apesar de alguns atrasos, o ano terminou com o 5G disponível em todas as capitais brasileiras, além de outras grandes cidades. Segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, a rede contou com 4,550 milhões de acessos em outubro de 2022.
Próximos passos da caminhada 5G
As próximas fases da instalação do 5G no país prevê a disponibilização da tecnologia em cidades menores. O objetivo da Anatel é que, até o final de 2029, todos os municípios brasileiros sejam contemplados pela internet de quinta geração.
Para 2023, a principal meta é ampliar a quantidade de antenas nas capitais e no Distrito Federal para, no mínimo, uma antena a cada 50 mil habitantes.
Do ponto de vista da inovação, o desafio é descobrir como melhor tirar proveito do potencial liberado pela disponibilidade da tecnologia. Algumas das áreas ligadas ao cooperativismo em que ela pode potencializar mudanças são:
- Agro: A conectividade ainda representa um desafio para o agro brasileiro, já que a internet ainda não está presente em mais de 70% das propriedades rurais. O acesso ao 5G promete culminar em um agronegócio mais automatizado e autônomo, com maior uso de máquinas e robôs, além de facilitar o monitoramento de lavouras e uso remoto de maquinários.
- Saúde: a telemedicina cresceu com a pandemia e pode ficar ainda mais sofisticada com o 5G. Aliando o 5G e dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes, a captura de informações fisiológicas se torna mais eficiente. Esses dados ajudam os médicos a encontrar diagnósticos e a fazer acompanhamentos em processos de recuperação.
- Finanças: a absorção do 5G nas finanças ajuda a digitalizar o relacionamento com os cooperados, melhora os sistemas de detecção de transações fraudulentas e mecanismos de segurança do internet banking. Coopavel se planeja para o 5G
O cooperativismo brasileiro já está ciente do potencial proporcionado pela tecnologia 5G. A paranaense Coopavel (Cooperativa Agroindustrial de Cascavel) possui uma parceria com as empresas de tecnologia Huawei e PTI a fim de explorar a conexão de quinta geração no agronegócio.
A atuação conjunta almeja avaliar o monitoramento e a transmissão em tempo real de imagens em alta definição sobre o solo e plantações para acompanhamento à distância e orientações técnicas.
Além disso, o impacto do 5G no funcionamento autônomo de máquinas e equipamentos (tratores, colheitadeiras, semeadeiras e plantadeiras, por exemplo) também é alvo de atenção da coop.
2. Data Design
A importância dos dados para os negócios não para de crescer e, com isso, torna-se cada vez mais importante compreendê-los. A partir de uma demanda pela visualização efetiva dos dados, o data design (design de dados) deixou de ser uma das tendências de 2022 e se tornou realidade.
O conceito de data design almeja comunicar os dados por meio de uma representação visual com base em imagens e gráficos. Assim, seu objetivo é facilitar a comparação de dados e a compreensão de conceitos complexos. Tanto que essa mesma ideia pode ser chamada de “data storytelling” - ou o ato de contar histórias por meio dos dados.
A visualização adequada de dados tem três pilares essenciais, que são:
- Precisão
- Utilidade
- Replicação
Dessa maneira, o data design possibilita que pessoas sem conhecimentos profundos sobre dados possam acessar e compreender informações cruciais de uma organização. Consequentemente, essas pessoas ficam mais capacitadas para tomar decisões subsidiadas pelos dados apresentados.
Dados que contam histórias
Os dados se tornaram elementos cruciais para tocar os negócios. Quando eles são usados de forma inteligente e efetiva, são capazes de agregar valor aos produtos e serviços das cooperativas.
Para que esse patamar seja alcançado, entretanto, os dados precisam ser refinados e bem comunicados. Afinal, não é todo mundo que consegue ler uma planilha com clareza e assimilar as informações dispostas em uma tabela. Por isso, a ideia é de que, por um lado, os dados contam as histórias; por outro, o design tem o papel de ilustrá-las.
No cooperativismo, onde as decisões são coletivas e tomadas pelo corpo de cooperados por meio das assembleias, o data design é um ferramenta poderosa. Com a visualização adequada dos dados relevantes para as cooperativas, os associados têm uma melhor compreensão das informações dispostas e podem votar com mais segurança e consciência.
Confira o relatório do conselho da Coop - Cooperativa de Consumo, por exemplo. As informações são dispostas visualmente, através de gráficos e ilustrações. Dessa maneira, a assimilação dos dados fica mais fácil para a compreensão dos cooperados.
O cooperativismo é uma cultura orientada a dados
O Anuário do Cooperativismo Brasileiro, produzido pelo Sistema OCB, é uma ferramenta que emprega o conceito de data design para comunicar a magnitude e o desenvolvimento do cooperativismo brasileiro.
Os dados são disponibilizados por meio de representações visuais dinâmicas e interativas. Com isso, o Anuário facilita a absorção das informações, o que gera inteligência de mercado e estimula a busca pelo conhecimento sobre o cooperativismo.
Dessa maneira, o Anuário do Cooperativismo Brasileiro insere os dados na cultura cooperativista, fomentando a utilização dessas informações para potencializar a gestão das cooperativas.
3. Agenda ESG
A “onda ESG” deixou de ser uma onda e vem se tornando um fator preponderante para negócios de todos os setores. Os pilares da sustentabilidade ambiental, desenvolvimento social e governança são demandas crescentes na sociedade como um todo, na busca por um mundo mais igualitário, verde e ético.
Criado em 2004, o conceito de ESG nunca foi tão prevalente quanto em 2022, como o gráfico do Google Trends deixa evidente. No InovaCoop, o ESG também teve destaque neste ano. Neste post, contamos o que é ESG e qual sua relação com o cooperativismo. Já neste outro artigo, explicamos por que ele, além de tudo, é positivo para os negócios.
A agenda ESG está sendo imposta, majoritariamente, pelos consumidores. As novas gerações, sobretudo, estão focadas em manter um estilo de vida mais sustentável e socialmente consciente. Como consequência disso, as marcas que atendem essas aflições obtêm vantagem competitiva - algo que faz toda a diferença em uma economia acirrada e dinâmica.
Esse fenômeno é exemplificado por uma pesquisa da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Em São Paulo, 60% das empresas avaliam critérios ESG para contratar fornecedores. No mais, o ESG ainda se consolida como uma maneira de aumentar a atratividade dos produtos e construir uma marca positiva.
Cooperativismo avançando no ESG
O cooperativismo cumpre um papel importante nos avanços da agenda ESG, uma vez que a maioria de seus princípios convergem com as tendências sustentáveis. No Radar da Inovação contamos, neste ano, a história de como a Certel, maior cooperativa de eletrificação do país, instalou um eletroposto para abastecer carros elétricos gratuitamente.
As energias renováveis são protagonistas no enfrentamento às mudanças climáticas, e o Brasil se destaca nesse aspecto. A matriz energética do país apresenta um índice renovável de 84% perante aos 27% da média mundial. O cooperativismo brasileiro também marcou presença na COP27, a Conferência do Clima das Nações Unidas.
Para sacramentar ainda mais o ano de consolidação da agenda ESG no cooperativismo, o Sistema OCB anunciou o ESGCoop durante a Semana da Competitividade. O programa reúne estratégias de governança, social e ambiental dentro do modelo de negócios cooperativista.
Para apoiar as coops em suas jornadas sustentáveis, o programa ESGCoop terá como foco a competitividade e a sustentabilidade do modelo de negócio cooperativista. A iniciativa mapeará as ações ESG das cooperativas, escolherá caminhos para a evolução coletiva e formará líderes ESG no cooperativismo. Veja o guia prático que produzimos sobre o ESG.
4. Consolidação do e-commerce
O e-commerce já vinha, há alguns anos, como uma modalidade em crescimento no varejo, conforme o acesso à internet foi sendo difundido. Com a pandemia de covid-19, contudo, o e-commerce explodiu. A dúvida que ficou era: com o fim das restrições e do isolamento social, ele se manteria firme e forte em 2022?
A resposta é que o e-commerce não só se manteve robusto, mas continuou sua trajetória de crescimento. Um levantamento indica que o faturamento do comércio eletrônico nos cinco primeiros meses de 2022 apresentaram um aumento no faturamento de 785% na comparação com o período pré-pandemia.
Ou seja: o e-commerce veio para ficar. Muitos consumidores que não tinham hábito ou confiança para comprar online cederam à modalidade durante a pandemia e tomaram gosto pelas facilidades do comércio eletrônico.
Esse fenômeno proporcionou, ainda, o surgimento do recommerce, mais um derivado da potencialização do consumo online. Este novo tipo de comércio corresponde à revenda de produtos de segunda mão pela internet. Dessa maneira, eles voltam ao ciclo de consumo custando menos e com impacto ambiental reduzido, importantes tendências de 2022.
E-coop
Diante das restrições que se impuseram em decorrência da pandemia, o Sistema OCB desenvolveu a plataforma NegóciosCoop para promover os negócios de cooperativas por meio da intercooperação.
O NegóciosCoop, um marketplace cooperativo, opera como uma vitrine em que as coops podem se conhecer e comprar produtos uma das outras. Com isso, o objetivo é desenvolver um ambiente de incentivo e apoio mútuo entre as cooperativas.
Para 2023, a plataforma digital de negócios entre coops brasileiras caminha para se consolidar como um grande marketplace cooperativista, ocupando um espaço importante no mercado. Fiquem atentos às novidades!
Há, no mais, uma série de cooperativas com iniciativas de e-commerce. É o caso, por exemplo, do Ailos Aproxima, um marketplace para empreendedores idealizado pelo Sistema Ailos, que reúne 13 cooperativas de crédito no Sul do Brasil e da Cocamar Cooperativa Agroindustrial.
O InovaCoop produziu o e-book “Como vender pela internet”, explicando o tipos de e-commerce e ensinando como montar uma loja virtual. Confira o material clicando aqui!
5. Emergência dos superapps
Um dos caminhos que os serviços digitais estão tomando é a concentração de diversas modalidades em um mesmo aplicativo. Afinal, quanto mais recursos uma mesma plataforma fornecer, maior é a comodidade para o usuário e a fidelidade com a marca. A partir dessa lógica, os superapps se consolidaram como uma das tendências de 2022.
Na prática, os superapps são aplicativos que centralizam uma gama de atividades online em um único lugar. Esse conceito é um sucesso no mercado asiático graças a apps como os chineses WeChat, da Tencent, e o Alipay, do Alibaba, duas big techs. A Gartner descreve que os superapps são como canivetes suíços.
O WeChat, por exemplo, começou como um aplicativo focado em trocas de mensagens. Devido ao sucesso e ao crescimento da base de usuários, ele adicionou serviços de pagamentos e passou a hospedar um marketplace, dentre outros serviços.
SuperApps chegam ao Ocidente - e ao Brasil
Aos poucos, esses ecossistemas integrados começaram a chegar no ocidente, e a Garntner estima que, até 2027, mais da metade da população mundial usará superapps.
A consultoria cita o aplicativo britânico Revolut como um exemplo de sucesso. Trata-se de uma fintech que, além de oferecer serviços financeiros tradicionais, expandiu sua atuação. Agora, freelancer, pequenos e médios negócios podem ofertar seus produtos e serviços dentro do ecossistema.
No Brasil, o maior exemplo de superapp é o Magalu, da rede varejista Magazine Luiza que, além de servir como plataforma de compras, proporciona uma gama de serviços. Um deles, por exemplo, é uma conta digital. O app disponibiliza, ainda, marketplaces e cursos educativos. WhatsApp, PicPay e Mercado Pago são outros superapps que atuam no Brasil.
No cooperativismo, há o Super App, da Unimed Goiânia, que centraliza diversos serviços voltados à saúde. A iniciativa visa melhorar a experiência dos pacientes e dos cooperados em um ecossistema digital.
6. Ambidestria organizacional
A ambidestria organizacional é um conceito que descreve a concomitante busca pela eficiência operacional e a capacidade de inovação de forma equilibrada. Isto é: olhar para as possibilidades de inovação que se apresentam para o futuro, explorando tendências e oportunidades, enquanto também mantém o foco na sustentação do negócio.
Diante dos desafios encarados pelas organizações em 2022 - como a instabilidade econômica de muitos países, os efeitos da guerra na Ucrânia, a retomada lenta do crescimento, problemas nas cadeias de produção e dificuldades enfrentadas por gigantes da tecnologia - a inovação disruptiva no longo prazo precisou andar de mãos dadas com a operação eficaz do dia a dia.
Pilares da ambidestria
Um estudo publicado pela Harvard Business Review comparou 35 iniciativas de inovação e descobriu que 90% das organizações que usam estrutura ambidestra alcançaram seus objetivos estratégicos. Por outro lado, somente 25% das organizações que usam outro tipo de estrutura alcançaram seus objetivos.
A ambidestria possui dois pilares que devem avançar lado a lado. São eles:
- Inovação de sustentação: são as novas ideias que incrementam os produtos e serviços que já são oferecidos pela organização, a fim de torná-los mais atrativos, eficientes e rentáveis. Ou seja, é a inovação incremental, que melhora elementos que já existem. Seus efeitos são sentidos mais rapidamente.
- Inovação de crescimento: trata-se da busca por ideias inovadoras disruptivas, mais profundas e revolucionárias, e que trabalham com prazos mais longos e desafios incertos. Pode representar a mudança de modelo de negócios ou a apresentação de um novo produto criado do zero ao mercado, por exemplo.
A inovação de crescimento tem riscos inerentes. Afinal, um grande investimento pode não dar os resultados esperados e fracassar. Por isso é tão importante manter uma base sólida que possa dar suporte - o que se alcança por meio da inovação de sustentação.
É senso comum que uma organização deve garantir o presente ao mesmo tempo em que garante o futuro. As técnicas, processos e percepções de uma estratégia ambidestra permitem que inovações disruptivas e inovações tradicionais do atual modelo de negócios da empresa coexistam e se complementem.
Conclusão
Tendências nem sempre são fáceis de prever. Muitas vezes, alguma inovação em potencial pode seguir como tendência por anos, até que enfim se consolide como uma realidade de impacto nos negócios e na sociedade. Em outros casos, o tempo pode deixá-las para trás como um potencial que não se realizou por limitações tecnológicas ou aspectos culturais.
O pódio foi complementado pelas cooperativas Sicredi Alto Uruguai e Castrolanda. Ao InovaCoop, as três finalistas falaram sobre suas iniciativas e contaram como é inovar no cooperativismo.
A Cooperacre, Cooperativa Central de Comercialização Extrativista do Acre, venceu o Prêmio SomosCoop Melhores do Ano na categoria Inovação. Os resultados da premiação foram divulgados na última quarta-feira, dia 7 de dezembro, em cerimônia realizada pelo Sistema OCB em Brasília.
A iniciativa premiada foi o projeto "Fortalecendo o Extrativismo e Viabilizando o Desenvolvimento Sustentável Através da Tecnologia”. Com ele, a cooperativa modernizou seu processo de seleção e classificação da castanha-do-Brasil ao investir em maquinário e tecnologia de ponta, melhorando a produtividade e qualidade dos produtos.
Além da Cooperacre, outras duas cooperativas foram reconhecidas com a presença no pódio da premiação. O segundo lugar da categoria Inovação ficou com o Sicredi Alto Uruguai, graças ao case “Portal da Aceleração Em Prol do Desenvolvimento”. A Castrolanda ficou em terceiro com o projeto “60 Dias Para Inovar - Programa Ágil Castrolanda”.
Os projetos vencedores foram escolhidos por duas comissões: uma técnica e outra julgadora. Além dos troféus, os primeiros colocados de cada categoria receberam bolsas para intercâmbios internacionais. Vamos, então, conhecer mais sobre as inovações finalistas e entender a importância de inovar no cooperativismo com esses exemplos inspiradores?
1° lugar - Cooperacre: inovação, desenvolvimento e sustentabilidade
O projeto premiado da Cooperacre, "Fortalecendo o Extrativismo e Viabilizando o Desenvolvimento Sustentável Através da Tecnologia”, contribuiu para que a cooperativa, além de melhorar seus produtos, conseguisse reduzir os riscos de contaminação. Essas práticas resultaram, ainda, na obtenção de certificações.
Com isso, a produção anual subiu de 45 para 900 toneladas, ao mesmo tempo em que os processos automatizados reduziram o impacto ambiental da operação. A iniciativa também rendeu bons frutos para os negócios, explica Manoel Monteiro de Oliveira, superintendente da Cooperacre:
“Um dos elementos que ajuda no desenvolvimento da sustentabilidade do setor extrativista é, sem dúvida, o mercado. A Cooperacre desenvolveu um papel muito importante de buscar mercados mais promissores para os produtos extrativistas da Amazônia e seus associados”.
A inovação foi fundamental nessa jornada, continua Oliveira. “Para alcançar tal mercado, o processo tecnológico é indispensável, tanto para reduzir custos, como para eliminar os agentes microbiológicos, aumentar a vida útil do produto com embalagens a vácuo, ajudar nos pontos críticos de controle, garantindo um alimento mais saudável e mais seguros”.
Inovação que agrega valor
A inovação tem a capacidade de aumentar a competitividade das cooperativas. Foi assim com a Cooperacre, acrescenta o superintendente:
“Em meu modo de ver, começamos a crescer quando começamos a agregar valor a nossos produtos e alcançar mercados melhores, vender para grandes empresas e a exportar. E isso só foi possível através do processo de industrialização”.
Ademais, qual a principal lição que a Cooperacre absorveu com a iniciativa? Oliveira responde: “A lição de que é necessário ter muita dedicação”.
2° lugar - Sicredi Alto Uruguai: big data em prol da comunidade
O Portal da Aceleração Regional, iniciativa da cooperativa de crédito Sicredi Alto Uruguai, premiada com o segundo lugar, nasceu com o objetivo de usar dados para o processo de formação cidadão e tomada de decisão em nível estratégico. A ideia foi inspirada nas aspirações estratégicas de longo prazo da cooperativa em prol do empreendedorismo e do desenvolvimento regional.
“O portal é fruto de uma parceria da cooperativa com a Universidade Federal de Santa Maria - Campus de Palmeira das Missões/RS e funciona como uma ferramenta de apoio à gestão pública, privada e sociedade civil organizada”, conta Márcio Girardi, diretor-executivo do Sicredi Alto Uruguai.
Com conteúdo sempre atualizado, o portal disponibiliza indicadores e dados. Essas informações servem de base para a formulação de políticas e estratégias de geração de renda, de educação, de saúde e meio ambiente.
“Como resultados desta iniciativa, temos diversos municípios, empreendedores e entidades públicas e privadas como consumidores do seu conteúdo estratégico. Tudo isso além da própria cooperativa, que utiliza o Portal para elaboração do seu planejamento estratégico e de expansão em novos mercados”, conta Girardi.
Iniciativa de impacto
Segundo o diretor-executivo, a cooperativa “vem aprendendo muito com o Programa Aceleração Regional e seu Portal, com destaque a clareza que os dados proporcionam quando tabulados e aplicados à promoção do desenvolvimento local e regional”.
“Esse desenvolvimento não é só econômico, mas principalmente social, ambiental e humano, dado que os indicadores e informações proporcionam clareza, consciência e transparência da realidade. Com isso, mitiga os efeitos das crenças que, por vezes, enraizadas na cultura da sociedade, limitam a prosperidade e o seu progresso com equilíbrio e cooperação”, completa.
3° lugar - Castrolanda: agilidade para os cooperados
Por fim, a cooperativa agropecuária Castrolanda fechou o pódio com o programa “60 dias para inovar”, originado com o intuito de suprir as necessidades dos cooperados. Quem conta a história é o gerente executivo de CSC (Centro de Serviços Compartilhados) Odivany Pimentel Sales:
“Eles precisavam ter a mesma experiência de acesso aos nossos serviços de forma remota e sem precisar interromper seus trabalhos e se deslocar para uma de nossas unidades. Ao perceber isso, criamos um programa onde a cada 60 dias um novo grupo de serviços fosse lançado”.
Posteriormente, foi criado o portal Ágil Castrolanda, possibilitando o acesso de celulares e tablets a serviços da cooperativa. “A velocidade de lançamento e o pré-requisito de que os serviços a serem lançados pudessem transformar o relacionamento do nosso cooperado com a cooperativa foram os pontos chaves para o sucesso do programa”, reflete Sales.
Resultados e lições
O Ágil transformou o relacionamento dos cooperados com a cooperativa, conta Sales, que enumera uma série de resultados derivados da iniciativa. Alguns deles são:
- Mais de 25.000 pedidos de ração executados dentro do Ágil em menos de 9 meses superando 219 mil toneladas de rações;
- Melhoramento genético nas matrizes leiteiras com mais de R$ 250.000,00 negociados em sêmen via aplicativo;
- Opções de venda de commodities pelos cooperados passaram a ser realizadas pelo Ágil Castrolanda;
- Em menos de 3 meses, mais de 44.000 suínos foram entregues para a indústria em mais de 200 movimentações que utilizaram o app;
“A inovação acontece a partir de três pilares: pessoas, processos e tecnologia. Este programa conseguiu desenvolver em seus participantes um mindset voltado à novidade, ao repensar processos a partir de novas possibilidades tecnológicas. Deixamos de pensar que somente soluções complexas podem gerar grandes mudanças”, completa Sales.
A importância da premiação
O reconhecimento proporcionado pelo Prêmio SomosCoop Melhores do Ano é um incentivo para continuar a jornada da inovação. Manoel Monteiro de Oliveira, da Cooperacre, explica: “Sabemos que temos que melhorar muito ainda e que mais difícil do que melhorar é se manter bom, mas que o prêmio nos indica que estamos no caminho certo”.
Márcio Girardi, do Sicredi Alto Uruguai, diz que o prêmio é um estímulo para que a cooperativa siga inovando e gerando valor para os associados e a comunidade.
“Afinal, é a maior honraria do cooperativismo brasileiro. Suas categorias nos desafiam a buscar continuamente a evolução das práticas, a melhoria dos resultados e a conexão com o cooperativismo nacional, através da nossa entidade maior, que é a OCB”, diz.
Na Castrolanda, o reconhecimento é motivo de apreço pelas dezenas de pessoas envolvidas no projeto. “Recebemos com muita alegria esta indicação para um prêmio de reconhecimento nacional e vemos isso como uma oportunidade para contribuir com outras cooperativas de todas as regiões do país”.
Inovação no cooperativismo
Para a Cooperacre, a inovação ajuda a criar melhores condições aos cooperados, o que se traduz em competitividade.
Manoel Monteiro de Oliveira, contudo, diz que as cooperativas devem se atentar a certos aspectos em seus processos de inovação: “é preciso ter transparência e muito planejamento sobre a destinação das sobras”.
Por outro lado, Odivany Pimentel Sales, da Castrolanda, conta que, por mais que a inovação seja fundamental em todos os segmentos, as cooperativas proporcionam melhorias para toda a comunidade:
“Estou no ambiente cooperativista há 5 anos e antes disso participei de outras iniciativas inovadoras. Percebo que o cooperativismo tem uma abordagem diferente em relação à importância das iniciativas que propiciam melhorias para o dia a dia da sociedade e dos cooperados. Elas têm um peso maior. Isso é nossa essência e nosso diferencial”.
A importância da cultura inovadora
Para Márcio Girardi, do Sicredi Alto Uruguai, a inovação é fundamental para a evolução e do modelo de negócios do cooperativismo, que precisa atuar em um sistema desigual e competitivo:
“Dentro deste contexto, a inovação é o caminho para fortalecer a essência próxima das pessoas e comprometida com o desenvolvimento sustentável”. A inovação, pondera, deve ser feita sem comprometer a essência do cooperativismo, e muitas vezes o maior desafio é transformar a cultura interna.
“As cooperativas precisam tirar um coelho da cartola todos os dias para sobreviver. Isso se faz com a inovação tecnológica, dos processos, modelo mental e soluções disponibilizadas ao mercado”.
Conclusão
A cerimônia do Prêmio SomosCoop Melhores do ano contou com a presença de mais de 200 cooperativistas. Além de inovação, outras seis categorias foram premiadas: Comunicação e Difusão do Coop; Coop Cidadã; Desenvolvimento Ambiental; Fidelização; Intercooperação; e Influenciador Coop. Veja aqui os resultados.
Márcio Lopes Freitas, presidente do Sistema OCB Nacional, parabenizou as cooperativas vencedoras, sublinhado que elas geram emprego, renda e prosperidade.
“Temos desafios? Muitos! Mas criamos modelos cada vez mais sustentáveis e capazes de gerar melhorias efetivas para a sociedade como um todo”, discursou.
Conheça os insights gerados pela missão
Você sabia que Israel é considerada o terceiro maior ecossistema de startups do mundo (atrás apenas dos Estados Unidos e do Reino Unido)? Por isso ela é chamada de “Nação Startup”! Além disso, o governo israelense tem uma atuação focada na implementação de soluções inteligentes e colocar o país como referência no segmento de transportes.
Atento a isso, o Sistema OCB organizou uma missão de benchmarking, que contou com a participação de dirigentes de coops do ramo transporte e colaboradores da Instituição. O grupo teve como foco principal conhecer em profundidade soluções de mobilidade inteligente, utilização de novas ferramentas tecnológicas e a organização da cadeia logística para o transporte de passageiros e cargas.
Compartilhamos aqui algumas tendências para ficar de olho, destacadas pelo analista do ramo, Tiago Barros:
- Israel está se preparando para viabilizar o tráfego de carros autônomos nos próximos anos;
- NAAMA (Israel Urban Air Mobility Initiative): iniciativa que visa estabelecer uma rede de rotas nacionais para drones, que será capaz de transportar qualquer carga, desde que seja pequena e leve o suficiente, para qualquer lugar em Israel e a qualquer momento;
- Sistemas para veículos autônomos que já são realidade em Israel e em outros países.
A missão gerou não só grandes reflexões para o ramo, mas também propiciou aos participantes uma visão sobre o futuro do ramo transporte, evidenciando o grande papel do cooperativismo brasileiro no fomento à inovação no setor.
No site institucional do Sistema OCB você tem acesso, de forma mais detalhada, à programação e aos insights gerados.
Aprenda aqui como ser um Pesquisador de Tendências? E aqui como ler os cenários para não perder o timing das mudanças e inovações.
Evento será sediado na Bélgica e conta com nove pilares ligados à inovação no cooperativismo; Sistema OCB marcou presença na última edição
A Conferência Europeia de Pesquisa ICA CCR, realizada pela Aliança Cooperativa Internacional, terá a inovação como um de seus pilares na edição de 2023. O evento irá acontecer na cidade de Leuven, na Bélgica, entre os dias 10 e 13 de julho. Leuven fica a apenas 25 km de distância de Bruxelas, a capital da União Europeia.
Na próxima edição da conferência, o tema central será “Inovando na governança cooperativista. Governando a Inovação no cooperativismo”. A partir desse mote, a ideia é reunir pesquisadores, acadêmicos, formuladores de políticas públicas e atores ativos das cooperativas do mundo todo para que possam discutir o desenvolvimento do cooperativismo.
O evento é organizado pelo Centre of Expertise for Cooperative Entrepreneurship (Centro de Especialização em Empreendedorismo Cooperativo). A entidade consiste em um centro de pesquisa e ensino que reúne vários públicos interessados no empreendedorismo cooperativista.
Com isso, a entidade tem o objetivo de promover conhecimento, proficiência e legitimidade sobre o empreendedorismo dentro do cooperativismo.
Programação traz a inovação no centro
A inovação é assunto central da conferência, que almeja incentivar a adoção e elaboração de práticas inovadoras ligadas à governança cooperativa. Afinal, a gestão democrática é uma característica integral para a evolução e a identidade do modelo de negócios cooperativista.
Entretanto, mesmo que esse tópico seja comum a todo o cenário do cooperativismo, a democracia nos processos de gestão pode ser realizada por diversos meios. A participação dos membros, a escolha dos representantes e a metodologia para tomada de decisões apresentam grandes variações na forma com que são executadas pelas cooperativas.
Por esse motivo, as coops emergem como grandes laboratórios para a inovação social, proporcionando novas maneiras de executar processos democráticos. Assim, o evento irá discutir esses temas, buscando respostas para perguntas como, dentre outras:
- Quais são as inovações sociais da governança cooperativa?
- Como as inovações de governança cooperativa contribuem para os negócios e o impacto social?
- Essas inovações melhoram a qualidade dos processos de tomadas de decisões?
- De que maneira elas influenciam o escopo e as formas de participação dos cooperados?
- Como as inovações atuam para aprimorar a inclusão de minorias e enfrentamento às desigualdades de gênero na cultura de governança?
- Como tais inovações podem ser mantidas e fomentadas no decorrer do tempo e através dos desafios que se impõem?
Novas tecnologias e a governança cooperativa
Um outro tema da conferência que se destaca é o emprego das novas tecnologias para o aprimoramento da governança cooperativa. Elas podem representar, ao mesmo tempo, tanto desafios quanto oportunidades.
As restrições e o isolamento social causados pela pandemia de Covid-19 imprimiram a necessidade de adoção de recursos digitais para a realização dos processos de gestão democrática. Ferramentas alternativas tiveram que ser desenvolvidas para a realização remota ou híbrida das assembleias, por exemplo.
Por outro lado, o uso dessas tecnologias reduz a capacidade efetiva de participação dos cooperados? Este questionamento também estará no centro das discussões da conferência.
Isso acontece porque, mesmo que estejam se tornando mais sofisticadas, essas ferramentas digitais prejudicam a interação entre os cooperados e os incentivos à participação ativa. Aqui, no InovaCoop, apontamos o metaverso como possível plataforma para a realização de assembleias.
Mais temas - e mais inovação
Ao todo, a conferência se alinha - mas não se limita - em nove temas gerais que funcionam como espinha dorsal dos trabalhos que serão apresentados e discutidos. A inovação aparece com destaque dentre os temas.
Além dos dois tópicos centrais que detalhamos acima, eis os outros sete pilares do evento:
- Novas formas do cooperativismo: embora o cooperativismo seja um modelo com anos de existência, ele segue se reinventando, conforme as novas demandas e contextos sociais. Um exemplo que se destaca são as cooperativas de plataforma, desenvolvido para enfrentar as problemáticas da gig economy.
- Cooperativas que inovam em prol da sustentabilidade ecológica: o sétimo princípio do cooperativismo, de interesse pela comunidade, tem se tornado cada vez mais importante. A ascensão da agenda ESG emerge como uma forma de combater as mudanças climáticas e proteger a biodiversidade. As coops são pioneiras nessas iniciativas.
- Cooperativas, inovação social e criação de riqueza cívica: ao mesmo tempo em que as cooperativas se focam, tradicionalmente, na criação de riqueza para seus associados, novas coops têm surgido visando o bem comum e a geração de valor para a sociedade.
- Resiliência, crise e inovações: graças a seu modelo participativo de gestão, as cooperativas se mostram mais fortes no enfrentamento a contextos de dificuldades. Com isso, as coops ajudam a enfrentar as crises, proporcionando alternativas inovadoras aos mecanismos econômicos que não estão funcionando bem.
- Cooperativas em novos setores e no desenvolvimento de setores tradicionais: em mercados tradicionais, como agricultura, serviços financeiros e varejo, as cooperativas impulsionam inovações e o desenvolvimento sustentável. Além disso, as coops estão ficando mais diversas e ingressando em novos setores.
- Inovações na legislação cooperativista: as leis que regulamentam o cooperativismo devem se adaptar ao desenvolvimento do modelo de negócios e dos conceitos cooperativistas. O crescimento da ideia de economia solidária deve entrar nesse debate. A União Europeia tem liderado a modernização das legislações que impactam as cooperativas.
- Educação e treinamento cooperativista: há, em curso, um movimento de retomada de cursos dedicados ao cooperativismo. O ensino cooperativista é um passo para a reinvenção da educação econômica em prol da inclusão social.
Como se nota, a inovação permeia uma gama de processos e assuntos em relação ao desenvolvimento do cooperativismo. Pesquisadores que produziram estudos que se encaixam nestes temas podem inscrever seus trabalhos por meio deste link a partir de 1° de dezembro. Os temas estão detalhados neste documento.
O Sistema OCB esteve na conferência de 2022
A edição de 2022 da conferência contou com a participação do Sistema OCB. As analistas técnicas Ana Tereza Libânio, Feulga Reis e Kátia Buzar foram as representantes brasileiras do evento, que ocorreu em Atenas, capital da Grécia, entre os dias 15 e 17 de julho.
O grupo apresentou artigos produzidos em inglês dentro da temática “Repensando as cooperativas: do local ao global e do passado ao futuro”. Confira os artigos que foram apresentados:
O impacto do SouCoop
Ana Tereza Libânio ficou a cargo de apresentar o artigo “O Sistema SouCoop como fomentador de uma cultura de dados para o cooperativismo”. No texto, a analista apresenta o SouCoop, base de dados do cooperativismo brasileiro que reúne informações cadastrais, financeiras e comerciais das cooperativas brasileiras.
A ferramenta tem a finalidade de apoiar decisões, mensurar resultados, orientar e evidenciar o desempenho das organizações de forma clara, objetiva e transparente. Além disso, o SouCoop contribui com a elaboração do Anuário do Cooperativismo Brasileiro, sistematizando os dados para que as coops possam aderir à gestão data driven.
Coop sustentável
O outro trabalho brasileiro apresentado foi o artigo “Cooperativas e a agenda ESG”, fruto da colaboração entre Kátia Buzar e Raquel Rodrigues, que também é analista do Sistema OCB. A pesquisa trata dos impactos que as mudanças recentes do mundo têm trazido para a realização de negócios.
Outro ponto levantado pelas autoras é a importância da criação de valor de longo prazo e da promoção do desenvolvimento econômico, social e ambiental. Tudo isso sem deixar de levar em conta a vantagem competitiva e a mitigação de riscos, além de explorar as oportunidades e convergências entre o cooperativismo e a Agenda ESG.
Unindo educação e cooperativismo
Já Feulga Reis apresentou o artigo “Educação cooperativa e diversidade na política de sucessão como ferramenta para o crescimento cooperativo”. No artigo, a analista sublinha o papel que as cooperativas de crédito brasileiras assumem como agentes da inclusão financeira no país.
Para Feulga, há dois principais desafios que as coops de crédito encaram: a educação cooperativa e uma política mais diversificada de sucessão de seus gerentes, pois ainda existe uma desigualdade notável dentre as lideranças dessas instituições.
Mais artigos brasileiros
Além das analistas do Sistema OCB, o Sescoop/RS esteve presente com o artigo “O potencial bancário das cooperativas de crédito brasileiras durante a pandemia de Covid-19”, de Leonardo Machado.
Ele argumenta que o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo apoiou a expansão financeira e o desenvolvimento social por meio da democratização do acesso ao crédito e aos serviços bancários.
As cooperativas de crédito também foram objeto de análise de Letícia Valério Porfírio, estatística do Fundo Garantidor de Crédito Cooperativo (FGCoop).
Letícia estudou a “Avaliação da suficiência de um fundo garantidor de depósitos com base na análise de risco: abordagem às cooperativas de crédito”.
Conclusão
A Conferência Europeia de Pesquisa ICA CCR é uma enorme oportunidade para apresentar o ecossistema de inovação do cooperativismo brasileiro, além de ficar por dentro do cenário mundial do cooperativismo.
A premissa dos artigos pode ser submetida para análise entre os dias 1° de dezembro de 2022 e 31 de janeiro de 2023. O resultado da fase de aprovação das propostas sai no dia 28 de fevereiro e o artigo final deve ser entregue pronto até 15 de junho.
As informações, modelos e temas estão disponíveis no site do evento. Fique de olho nos prazos e contribua para agregar conhecimento ao cooperativismo brasileiro e divulgar as inovações protagonizadas pelas cooperativas no país!