Veja as diferentes modalidades de comércio eletrônico e conheça exemplos práticos do cooperativismo
O comércio eletrônico caiu no gosto dos brasileiros. Dados da consultoria NielsenIQ Ebit indicam que, no país, o faturamento do e-commerce atingiu 262,7 bilhões de reais em 2022. Ou seja: as pessoas estão se sentindo seguras em comprar pela internet - e isso representa muitas oportunidades de negócios para para plataformas de e-commerce e marketplaces.
O isolamento social proporcionado pela pandemia de Covid-19 contribuiu para a explosão do comércio eletrônico. Muita gente que não tinha o hábito de comprar pela internet precisou se adaptar às novas realidades do varejo. Mas agora, mesmo após o fim das restrições, o e-commerce não parou de crescer.
Em 2022, a quantidade de compras feitas online teve um acréscimo de 8% na comparação com 2021. Ao todo, 109 milhões de brasileiros usaram serviços de e-commerce em 2022, 24% a mais do que no ano anterior. Isto é: o comércio eletrônico veio para ficar e o cooperativismo precisa estar atento às novas possibilidades.
Comércio eletrônico e marketplace: o que são?
Em suma, o termo “e-commerce” é uma abreviação de electronic commerce, ou seja, comércio que é realizado de forma on-line. As plataformas de e-commerce são, portanto, todas aquelas que realizam vendas pela internet.
Há, assim, uma grande variedade de possibilidades para o comércio eletrônico. É possível vender online por meio de uma plataforma própria, dedicada somente aos produtos da sua cooperativa, como um site ou aplicativo. Nesse caso, a cooperativa fica responsável por administrar a plataforma como um todo.
Dentro do e-commerce existem, também, os marketplaces. São plataformas que abrem dão suporte para que outras instituições vendam nela. É como se fosse um shopping center digital que conecta vendedores e compradores. O marketplace fornece a estrutura online para os varejistas que, em troca, pagam uma comissão sobre as vendas.
Além disso, as redes sociais também se tornaram plataformas importantes para o comércio eletrônico. O WhatsApp desenvolveu até mesmo a sua própria solução de pagamentos digitais, o WhatsApp Pay. Instagram e Facebook também contam com plataformas próprias de vendas e anúncios para seus usuários.
Tipos de e-commerce
A depender do tipo de negócio de cada cooperativa, há diferentes tipos de e-commerce, em relação à natureza da transação. Esses são os principais, confira:
- B2B (Business to Business): ocorre quando a cooperativa vende para outros negócios - ou seja, outras pessoas jurídicas, como cooperativas, empresas mercantis, varejistas e afins. Geralmente, esse modelo possui transações maiores, o que exige um sistema mais robusto para processar os pagamentos.
- B2C (Business to Consumer): modelo adotado pelas cooperativas que vendem para o consumidor final. Representa a grande maioria dos e-commerces e marketplaces.
- C2B (Consumer to Business): é uma inversão do modelo de negócio tradicional, onde o consumidor coloca seu serviço à disposição de empresas. Plataformas de trabalho freelancer são baseadas nesse tipo de relação comercial.
- C2C (Consumer to Consumer): serviços que permitem a venda direta entre os consumidores. Brechós online e revenda de produtos usados se enquadram nessa categoria.
- S-commerce (comércio social): são as redes sociais que já possuem seu próprio espaço para loja virtual ou ferramentas para transações comerciais.
Neste artigo, iremos conhecer as estratégias e plataformas de diversas cooperativas para vender pela internet e entender as vantagens e desvantagens das modalidades de e-commerce e marketplace. Boa leitura!
Cooperativas no comércio eletrônico
O e-commerce se tornou parte importante para o faturamento de muitos negócios. Assim, diversas cooperativas passaram a explorar uma gama de oportunidades dentro desse mercado. Vamos ver alguns exemplos!
Torrefação Cooxupé desenvolve um e-commerce B2B
A unidade de torrefação da Cooxupé (Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé), de Minas Gerais, inovou com a implementação de uma plataforma digital para fazer negócios com varejistas, atacados e cafeterias de todo o Brasil. Portanto, a Cooxupé é pioneira entre as indústrias de café na disponibilização de uma plataforma de e-commerce B2B.
A iniciativa faz parte de um processo de transformação digital nos negócios da cooperativa. Assim, Mário Panhotta da Silva, superintendente de Torrefação e Novos Negócios da Cooxupé, apontou que a implantação impõe desafios:
“Tendo em vista que o grande objetivo é oferecer uma plataforma comercial que os clientes enxerguem valor. E, assim, contribuir para a fidelização e para o crescimento da Torrefação. O modelo de negócio presencial é muito forte no nosso segmento. E a migração para o digital anda a passos largos”, explica.
Plataforma B2B da Cooperante contornar dificuldades comerciais
A Cooperante é outra cooperativa do Ramo Agropecuário que desenvolveu uma plataforma de e-commerce B2B para contornar problemas com seu principal representante comercial. Quando ampliou sua oferta de produtos e se viu sem representação adequada, a cooperativa perdeu clientes e faturamento. Essa situação impôs a necessidade de buscar soluções.
Foi nesse contexto que nasceu uma plataforma para controle dos pedidos recebidos e entregas passadas pelos representantes. Logo, o projeto evoluiu para uma plataforma de vendas B2B. Com o seu time interno, a cooperativa desenvolveu um e-commerce que oferece aos usuários a opção de pedidos de compras e acompanhamento.
Ailos Aproxima: um marketplace do empreendedorismo local
O Sistema Ailos, que reúne diversas cooperativas de crédito nos estados do Sul, realizava encontros presenciais de apoio ao empreendedorismo local que foram interrompidos devido à pandemia. A partir dessa restrição, o Sistema Ailos desenvolveu um ambiente digital com o intuito de aproximar as comunidades e fortalecer o comércio local.
Dessa forma, o Ailos Aproxima começou como uma vitrine de produtos e serviços. Com o passar do tempo, a plataforma cresceu, passou a aceitar pagamentos e intermediar as opções de entrega, operando de fato como um marketplace. Assim, o Ailos Aproxima já soma mais de 700 mil acessos e mais de 15 mil negócios fechados.
Supercampo: um marketplace nascido da intercooperação no agro
Em 2018, a Frísia Cooperativa Agroindustrial desenvolveu o e-commerce Supercampo, a fim de oferecer um local para facilitar as compras de insumos de seus cooperados. Com os bons resultados no início da operação, a cooperativa decidiu, então, evoluir o projeto para um formato de marketplace.
No ano seguinte, um grupo de 11 cooperativas se juntou à Frísia para expandir o Supercampo e torná-lo um marketplace completo acessado pelos cooperados de todas as organizações participantes.
Assim, a Supercampo, hoje, é uma intercooperação de 12 cooperativas Agropecuárias com mais de 100 mil produtos cadastrados. A iniciativa visa construir o maior ecossistema digital do agronegócio brasileiro até 2025.
Nater Coop lidera vendas em gigante do varejo online
Até aqui, vimos exemplos de cooperativas que construíram suas próprias plataformas de marketplace. Mas também é possível crescer por meio de plataformas de terceiros. É o caso da NaterCoop, que emplacou seus cafés especiais na lista de mais vendidos da Amazon, gigante do varejo digital.
A linha Pronova Coffee Stories, de café arábica, é um dos segmentos mais importantes da cooperativa capixaba. A marca começou a ser vendida na plataforma da Amazon em 2019 e logo cresceu. Como a Amazon oferece frete grátis para seus assinantes, ficou mais barato comprar na big tech do que no site da própria cooperativa.
Até o primeiro trimestre de 2022, mais de 10 mil pacotes dos produtos produzidos pela Nater Coop foram vendidos por meio da Amazon. Em abril de 2022, a cooperativa registrou que os cafés especiais da marca eram os mais vendidos na Amazon há pelo menos um mês. Os estoques chegaram até mesmo a esgotar.
Marketplace ou loja própria: qual a melhor opção?
Não existe uma resposta certa para essa pergunta. A melhor alternativa é a que se enquadrar melhor para o objetivo de cada cooperativa, suas necessidades e o seu público-alvo. Cada modalidade tem suas vantagens e desvantagens que precisam ser avaliadas para tomar a decisão.
Veja, por exemplo, os casos que contamos acima. A Cooxupé e a Cooperante têm o objetivo de vender grandes quantidades para pessoas jurídicas, no modelo B2B. Com isso, os volumes e valores são elevados, o que justifica o investimento para o desenvolvimento de plataformas próprias, onde todo o processo está sob o controle das cooperativas.
Por outro lado, a NaterCoop busca distribuir os seus cafés especiais no varejo. Para isso, faz mais sentido que eles sejam distribuídos em uma plataforma já estabelecida e com o acesso de um público enorme. Mesmo tendo um e-commerce próprio, as vendas pela Amazon se mostraram importantes.
Dito isso, veja algumas diferenças entre desenvolver uma loja própria para o e-commerce ou vender por meio de um marketplace:
- Investimento inicial: para as cooperativas que estão começando a utilizar o e-commerce ou não trabalham com grandes volumes, o marketplace é uma boa opção, pois requer um investimento inicial menor. Plataformas próprias de e-commerce são mais caras para desenvolver e manter.
- Visibilidade: marketplaces consolidados têm um alto tráfego de usuários. Isso pode apresentar os produtos da sua cooperativa para novas pessoas. Contudo, a concorrência também é maior e outras marcas competem pelo mesmo espaço. No e-commerce próprio, a sua marca é protagonista, mas menos pessoas acessam.
- Personalização: em um comércio eletrônico próprio, a cooperativa tem controle sobre tudo: layout, identidade de marca, produtos em destaque, métodos de pagamento e tudo mais. Já em um marketplace, a coop precisa se submeter às características gerais da plataforma.
- Receitas: marketplaces podem cobrar taxas altas de comissão a cada venda. Isso pode demandar que a cooperativa ofereça preços mais altos. Em uma plataforma própria, os valores podem ser mais competitivos, uma vez que não há intermediários.
- Controle: uma desvantagem do marketplace em relação ao e-commerce próprio é a dependência que as cooperativas podem ter da plataforma. Mudanças na operação do marketplace, como novas regras, aumento das comissões ou o encerramento da plataforma, podem gerar grandes prejuízos para o negócio.
Conclusão
O comércio eletrônico é uma realidade consolidada que veio para ficar mesmo com o fim das restrições da pandemia - tanto que a consolidação do e-commerce está em nossa lista de tendências que viraram realidade em 2022. Por isso, não dá para ignorar o potencial do comércio eletrônico para impulsionar os negócios das cooperativas.
O Sistema OCB está por dentro dessa tendência, tanto que, diante das restrições da pandemia, desenvolveu a desenvolveu o NegóciosCoop, um marketplace para promover os negócios de cooperativas por meio da intercooperação.
Agora, diante dos novos contextos, o NegóciosCoop está passando por um processo de ressignificação para proporcionar melhores condições de negócios para as cooperativas. Fique de olho nas novidades!
E se quiser conhecer na prática como vender os produtos da sua cooperativa online, leia nosso guia prático Como vender pela internet! Você vai aprender, passo a passo, o caminho para vender na internet, confira!
Entenda os impactos do lixo eletrônico e conheça a cooperativa paulistana que já atua no setor de logística reversa de eletrônicos
Em 2022, estima-se que cerca de 2,13 bilhões de computadores, tablets e celulares foram comercializados. Isto é: cada vez mais esses equipamentos são produzidos, comprados e descartados em grandes quantidades, gerando resíduos eletrônicos. O resultado disso é sentido no meio ambiente e na saúde das pessoas. Vamos conhecer mais?
Os resíduos eletrônicos, ou lixo eletrônico, produzem toneladas de materiais tóxicos. O descarte, em grande parte, é feito em ambientes desprovidos de mecanismos de reciclagem e de proteção à saúde dos trabalhadores. Além disso, o descarte sem os devidos cuidados gera danos ao meio ambiente, como a emissão de gases do efeito estufa.
O descarte incorreto também afeta a economia. A Organização das Nações Unidas (ONU) indicou que, em 2019, somente 3% do lixo eletrônico da América Latina foi descartado corretamente. Assim, o desperdício equivale a US$ 1,7 bilhão por ano de materiais valiosos que poderiam ser recuperados, como ouro e metais.
Por aqui, a pesquisa “The Global E-waste Monitor 2020” mostrou que o Brasil é o quinto maior produtor mundial de lixo eletrônico. Com 2 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos produzidos em 2020, menos de 3% foi reciclado - o equivalente a apenas 60 mil toneladas.
Os efeitos do aumento nos resíduos eletrônicos
A maioria dos resíduos eletrônicos parte dos países desenvolvidos para os países subdesenvolvidos. Nesses destinos, há falta de estrutura para o descarte correto e de proteção ao trabalhador, tornando-os ideais para a proliferação de efeitos negativos ao meio ambiente e para a saúde pessoal.
Lixo eletrônico: um problema ambiental
O tratamento correto dos resíduos eletrônicos é essencial para o desenvolvimento sustentável do planeta. O descarte adequado pode reduzir as emissões dos gases do efeito estufa, por exemplo, ao evitar que sejam destinados aos aterros.
Segundo o presidente da Coopermiti, Alex Pereira, os aterros sanitários são “um dos piores destinos para esses equipamentos, uma vez que quando expostos ao sol e à chuva podem liberar substâncias tóxicas e até cancerígenas”.
O Global E-waste Statistics Partnership (GESP) indicou que, em 2019, 17,4% do lixo eletrônico mundial foi devidamente coletado e reciclado, reduzindo as emissões de cerca de 15 milhões de toneladas de dióxido de carbono.
A ONU, nas últimas décadas, tem reforçado a importância de iniciativas voltadas para a redução das emissões de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, principal causador do aquecimento global.
Impactos para a saúde
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 12,9 milhões de mulheres estão expostas diariamente ao material tóxico dos resíduos eletrônicos. Elas são trabalhadoras informais dos campos de descarte. Essa situação, portanto, traz risco não só à saúde delas, mas à saúde de seus filhos também.
Para o Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, “o mundo enfrenta o que um recente fórum internacional descreveu como um crescente ‘tsunami de lixo eletrônico’, colocando vidas e a saúde em risco”.
O material tóxico pode afetar, por exemplo, a saúde e o desenvolvimento de um feto, gerando sequelas por toda a vida. Mesmo em crianças um pouco maiores, o lixo eletrônico pode provocar danos respiratórios, ao DNA, à função da tireóide, além de doenças crônicas, como o câncer.
Além disso, o Sistema Nacional de Informações Sobre a Gestão de Resíduos Sólidos (SINIR) alerta que alguns destes resíduos, se manipulados de forma inadequada, podem até causar incêndios, machucando pessoas.
Combatendo o desperdício dos resíduos eletrônicos
O aumento desenfreado dos resíduos eletrônicos ameaça o desenvolvimento sustentável. Ainda de acordo com dados do Global E-waste Statistics Partnership, 82,6% do lixo eletrônico mundial foi despejado ilegalmente, sem qualquer tratamento, em 2019. O combate ao desperdício, por outro lado, pode gerar oportunidades de negócios.
Economia circular e agenda ESG
Para combater o desperdício, é preciso pensar em práticas que visem tornar os produtos mais duráveis e recicláveis. Uma economia que funcione através da reutilização de insumos, por exemplo, possibilita um desenvolvimento econômico e ambientalmente sustentável.
Esse cenário também traz à discussão as mudanças na maneira de consumir. A tendência é que cada vez mais as pessoas levem as questões ambientais em conta na hora de fazer alguma compra, como a preferência por itens produzidos com baixa emissão de carbono.
Nesse sentido, operar através de uma agenda pautada pelo ESG torna-se um caminho imprescindível, portanto. Atualmente, para os negócios, é indispensável considerar a responsabilidade ambiental e social de suas atividades.
Logística reversa
Ao final de sua vida útil, os produtos eletrônicos se transformam em resíduos que devem ser gerenciados de forma ambientalmente adequada. Assim, a legislação brasileira prevê que o consumidor possa devolver esses itens de forma que eles sejam reciclados ou descartados da forma adequada.
Portanto, o sistema de logística reversa funciona por meio das seguintes etapas, descreve o SINIR:
- Descarte pelo consumidor dos produtos eletroeletrônicos, em pontos de recebimento;
- Recebimento e armazenamento adequado;
- Transporte dos produtos eletroeletrônicos dos pontos de recebimento até pontos de consolidação ou destinação final ambientalmente adequada (reutilização, reciclagem, recuperação ou disposição final ambientalmente adequada);
- Tratamento dos resíduos;
- Disposição final dos rejeitos em aterros.
Cooperativismo é protagonista no mercado de resíduos eletrônicos
Sendo assim, o cooperativismo é um setor ideal para alinhar essas questões ambientais e sociais com o potencial econômico dos resíduos eletrônicos. Para isso, os pilares do ESG podem guiar as cooperativas nesse sentido. Vamos conhecer alguns exemplos reais?
Coopermiti: uma cooperativa de reciclagem de lixo eletrônico
Voltada para a produção, recuperação, reutilização, reciclagem e comercialização de Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos (REEE), a Coopermiti é uma cooperativa pioneira no Brasil que já opera há 13 anos na cidade de São Paulo.
Com apoio da Prefeitura de São Paulo, a Coopermiti realiza a logística reversa dos equipamentos eletrônicos. Dessa forma, o trabalho da cooperativa volta-se para a coleta e destinação final desse tipo de resíduo.
Todos os procedimentos seguem as normas do setor, com as certificações e autorizações necessárias para operar. São basicamente três etapas:
- Coleta dos resíduos - as empresas fazem corriqueiramente a substituição de equipamentos eletrônicos. A coleta evita que esse material seja enviado aos aterros sanitários. A entrega é feita diretamente na sede da Coopermiti, através de retiradas agendadas ou em pontos espalhados pela cidade.
- Manufatura reversa - uma vez coletados, os equipamentos são desmontados para desmembrar as peças. Isso é feito para facilitar a identificação das matérias-primas e componentes, propiciando a destinação adequada.
- Destinação - os componentes que ainda se apresentam funcionais podem ser utilizados como peças de reposição. Se o destino for a destruição, ocorre a eliminação de dados e a descaracterização completa das partes. Depois, os resíduos são enviados para os processos de reciclagem.
Em 2022, a Coopermiti reciclou 5,5 mil toneladas de lixo eletrônico. Além disso, a cooperativa realiza trabalhos de inclusão social, inclusão digital, capacitação, educação ambiental e de cultura. Ou seja: alinhando os pilares do ESG – Ambiental, Social e Governança - na prática.
Projeto “e-Waste”
Também na capital paulista, a associação de cooperativas Rede Sul e a empresa de logística reversa GM&C lançaram o e-Waste, projeto que se propõe difundir a importância da reciclagem dos resíduos eletrônicos na cidade de São Paulo. A associação é composta por cooperativas como Coopercaps, Coopermiti e Cooperativa de Reciclagem Crescer.
Para o coordenador de relações institucionais da GM&C, Henrique Mendes, “os catadores e cooperados são os atores que, desde sempre, carregaram o setor da reciclagem no Brasil. Eles possuem o conhecimento e a capilaridade necessários para que possamos multiplicar os resultados e avançar daqui em diante”.
Antes restrito à região Sul, o projeto realiza o cadastro de cooperativas de reciclagem no site da Rede Sul. A intenção é "capacitar as cooperativas para que possam atuar de forma estruturada na logística reversa de eletroeletrônicos, encaminhando os eletrônicos para uma destinação final segura, adequada e 100% rastreável”.
Conclusão
Projetos voltados para a coleta, tratamento e reciclagem de resíduos eletrônicos são uma pauta urgente imposta pelos padrões de consumo atuais. As questões ambientais, sociais e econômicas ao redor desse tema os tornam ainda mais imprescindíveis.
Iniciativas como a da Coopermiti e do e-Waste são exemplos de como o cooperativismo é capaz de atuar com eficiência no setor, sobretudo quando pautado pelos pilares do ESG.
Para isso, o guia prático ESG: O que é e como começar explica as vantagens do ESG, apresenta bons exemplos de cooperativas que já executaram práticas sustentáveis, além de mostrar como funciona o Projeto ESGCoop. Acesse!
O avanço tecnológico foi adotado rapidamente na gestão das finanças, proporcionando novos negócios - com participação do cooperativismo
A transformação digital chegou com tudo no universo dos serviços financeiros. Hoje, é difícil imaginar o dia a dia sem as facilidades do internet banking e a praticidade de gerenciar as contas pelo celular. Mas, acima de tudo, o grande protagonista desse processo é o pagamento digital.
A comodidade de fazer compras e pagar contas no ambiente digital engajou muita gente. Sem a necessidade de andar com papel moeda, frequentar caixas eletrônicos e se preocupar com o troco, o pagamento digital se tornou preferencial para uma grande parcela das pessoas.
Além dos avanços tecnológicos e de segurança, a pandemia de Covid-19 também ajudou a impulsionar a difusão do pagamento digital. O comércio digital ganhou força e, consequentemente, as opções de pagamento digital se solidificaram nos novos hábitos de consumo.
Pagamento digital ou pagamento phygital?
O pagamento digital, contudo, não se limitou a crescer no comércio online. Alternativas como o Pix e as carteiras digitais também são usadas presencialmente com uma frequência cada vez maior.
A tecnologia NFC (near field connection), utilizada nos pagamentos por aproximação, acelerou ainda mais esse processo. Agora é só encostar o cartão ou o celular na maquininha e pronto, está pago!
Com o avanço tecnológico e a mudança de hábitos, o pagamento digital proporciona oportunidades de negócios. Além de fornecer novas alternativas a quem vende, quem atua no ambiente financeiro, como as cooperativas de crédito, também devem ficar de olho nesse movimento.
Neste artigo, iremos apresentar um panorama sobre o pagamento digital, indicar algumas oportunidades - e desafios - que as cooperativas devem acompanhar e conhecer soluções de dentro do cooperativismo. Aproveite a leitura!
Panorama: as novas realidades do pagamento digital
Pagamento digital consiste em todo pagamento que é feito pela internet, por meio de uma transação bancária ou por cartões de crédito. Na prática, isso quer dizer que pagamento digital é quando não existe a transferência física do dinheiro, seja por cédulas, moedas ou cheques.
Dados do Banco Mundial apontam que, nos últimos cinco anos, a bancarização dos países em desenvolvimento cresceu 8%. Com maior acesso aos serviços bancários, a adesão ao pagamento digital cresce junto. Consequentemente, o uso de cartões, carteiras digitais e pagamentos por meio dos aplicativos bancários ganham espaço na vida das pessoas.
Os brasileiros abraçaram o pagamento digital de vez. Um levantamento da Mastercard publicado em 2022 revela que 86% dos brasileiros tinham utilizado algum meio de pagamento digital ao menos uma vez nos doze meses anteriores. Nesse sentido, não podemos deixar de registrar que as cooperativas de crédito são muito importantes para a inclusão financeira no Brasil.
Pix: pagamento digital fácil e instantâneo conquista brasileiros
Disponibilizado em 2020, o Pix, ferramenta que permite transferências de dinheiro e realização de pagamentos de forma imediata, ganhou popularidade rapidamente. Sem custos para pessoas físicas, o Pix não levou muito tempo para superar os cartões de crédito e débito como principal forma de pagamento no Brasil levando em conta o volume de transações, aponta o Banco Central do Brasil.
Assim que completou dois anos de operação, o Pix registrou um total de 28,5 bilhões de transações. Os dados mensais apresentados pelo Banco Central continuam apresentando uma trajetória de crescimento no uso do Pix. Somente em dezembro de 2022, mês de festividades e alta no consumo, foram quase 3 bilhões de transações usando a ferramenta.
O Pix já foi utilizado por 90% de quem participou da pesquisa Meios de Pagamentos 2022, elaborada pela Opinion Box. Além disso, mais de um terço das pessoas acreditam que o Pix mudou para melhor a forma como fazem pagamentos no dia a dia. O principal atrativo é a ausência de taxas para fazer os pagamentos.
O cooperativismo aderiu ao Pix. O Banco Central registra 802 instituições financeiras que participam do ecossistema. Dentre elas, 599 são cooperativas de crédito e outras duas são bancos cooperativos. Esses dados mostram que as cooperativas de crédito estão atentas às novas tendências e inovações do mercado de pagamentos e lideram a transformação digital no meio financeiro.
Novidade libera pagamento por cartão no WhatsApp
A integração do pagamento digital às plataformas que usamos no cotidiano também contribui para o processo de modernização da vida financeira. Por exemplo, desde 2021, já é possível fazer transferências por WhatsApp, o aplicativo de mensagens mais usado no Brasil, apontando esse caminho.
Agora, as possibilidades aumentaram: em março de 2023, o Banco Central autorizou pagamentos com cartão de crédito e débito pelo WhatsApp, por meio do serviço WhatsApp Pay. Esse movimento busca agregar as soluções financeiras de forma mais natural no cotidiano.
O recurso simplifica compras e transações combinadas por meio do aplicativo. Imagine uma cooperativa que fecha vendas de seus produtos ou serviços pelo WhatsApp. Com a novidade, o pagamento pode ser feito diretamente pelo chat, sem necessidade de emitir boletos ou QR Codes, tornando a experiência mais fluida, sem precisar ficar alternando de aplicativo.
O pagamento digital por WhatsApp, contudo, ainda precisa enfrentar a desconfiança dos usuários. Os dados da Opinion Box registram que as pessoas ainda têm receio de usar os recursos financeiros do aplicativo. O principal temor, que assola quase metade dos entrevistados, é o de cair em fraudes.
O cooperativismo já marca presença também nesse novo serviço. Na lista de parceiros iniciais do serviço, estão a cooperativa de crédito Sicredi e seu banco digital, o Woop.
A difusão das carteiras digitais
Outra modalidade consolidada de pagamento digital impulsionada pelas novas tecnologias são as carteiras digitais. Geralmente associadas a dispositivos móveis, como celulares e relógios inteligentes, elas facilitam pagamentos tanto no ambiente digital quanto em transações presenciais. Há dois tipos de carteiras digitais:
? Baseadas em cartão: o usuário cadastra seu cartão em aplicativos de carteira digital para realizar pagamentos por aproximação, graças à tecnologia NFC.
? Baseadas em valor armazenado: o usuário transfere ou deposita dinheiro para a carteira digital, sem a necessidade de um cartão, e pode fazer pagamentos diversos através da plataforma.
No mundo, as carteiras digitais são o meio de pagamento digital mais utilizado. O Global Payments Report 2023 aponta que, em 2022, essa modalidade representou 49% dos pagamentos digitais. E não vai parar por aí - a estimativa é de que essa proporção chegue a 54% em 2026.
Na América Latina, contudo, as carteiras digitais são bem menos difundidas. Elas ficam atrás dos cartões de crédito no ranking de pagamentos digitais mais utilizados, como 21% de participação.
Mas também é possível enxergar esse dado como uma oportunidade. O setor de carteiras digitais na América Latina também tem perspectivas de crescimento. A expectativa é de que, em 2026, essa modalidade chegue a 28% dos pagamentos digitais no continente.
As criptomoedas e o real digital
As cripromoedas, como o Bitcoin e a Ethereum, criaram um novo ecossistema na economia digital. Contudo, essas moedas digitais nunca ganharam espaço como meios de pagamento digital, já que são complexas de usar e as transações podem ser demoradas.
O conceito de moeda digital, entretanto, se mostrou resiliente e interessante. Com isso, surgiu um movimento de bancos centrais que buscam desenvolver suas próprias alternativas. O Brasil é um dos interessados nesse movimento de tokenização.
Em sua agenda de modernização, o Banco Central do Brasil está desenvolvendo o Real Digital. A criptomoeda é vista com o potencial de melhorar a eficiência do mercado de pagamentos de varejo e de promover a competição e a inclusão financeira.
Por meio do LIFT (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas), o BC, a Fenasbac e uma série de parceiros do mercado financeiro estão desenvolvendo um Mínimo Produto Viável do Real Digital.
Roberto Campos Neto, atual presidente do BC, explica que as transações do Real Digital serão feitas por contratos inteligentes - isto é, por meio de regras escritas em código de programação e que são realizadas automaticamente. “No fim, o que se vai ter é um instrumento no celular onde será possível navegar no sistema financeiro com portabilidade, digitabilidade, comparabilidade etc.”, argumenta.
Coffee Coin: a criptomoeda cooperativista
O cooperativismo brasileiro já está explorando as possibilidades das moedas digitais. A cooperativa agropecuária Minasul, especializada na produção de café, lançou a sua própria criptomoeda, o Coffee Coin.
O Coffee Coin é uma stablecoin (moeda estável) – isto é, um criptomoeda que possui lastro em um bem tangível. Como sua variação de preço é correlacionada ao preço da saca de café, a moeda é mais estável e segura.
Durante o Cooptech 2022, Luis Henrique Albinatti, diretor de Novos Negócios, explicou que o desejo da cooperativa é popularizar o Coffee Coin como um meio de pagamento. A criptomoeda cooperativista, inclusive, é negociada em exchanges, inclusive na Foxbit, principal do Brasil no setor. Confira a história completa da Coffee Coin que contamos no Radar da Inovação.
Os superapps e os pagamentos digitais
Em nosso artigo sobre as tendências que viraram realidade em 2023, mostramos como os superapps estão ganhando força ao concentrar diversos serviços em um mesmo aplicativo. Afinal, quanto mais recursos uma mesma plataforma fornecer, maior é a comodidade para o usuário e a fidelidade com a marca.
Na prática, os superapps são aplicativos que centralizam uma gama de atividades online em um único lugar. Muito forte na Ásia, esse conceito chegou com tudo no Ocidente. Um dos recursos mais importantes para o sucesso de um superapp tem a ver, justamente, com a disponibilização do pagamento digital.
É o caso do WhatsApp, que mencionamos acima. Recursos que possibilitam transações financeiras e pagamentos digitais sem sair da plataforma potencializam o seu uso em detrimentos de alternativas com menos possibilidades.
O superapp de maior destaque no Brasil é o Magalu, da rede varejista Magazine Luiza que, além de servir como plataforma de compras, proporciona uma gama de serviços - inclusive financeiros. Além de uma conta digital, o aplicativo tem seu próprio serviço de pagamento digital, o MagaluPay.
Oportunidades e riscos do pagamento digital
As tendências indicam um futuro financeiro cada vez mais tecnológico. O dinheiro físico está perdendo espaço para as novas formas de pagamento digital. A pesquisa da Opinion Box revela que 71% dos entrevistados acreditam que os meios digitais vão acabar com o dinheiro de papel no futuro.
Essa percepção demonstra o otimismo dos brasileiros com o futuro do pagamento digital. Com isso, o ecossistema de pagamentos digitais apresenta espaço para que novos atores possam crescer, inovar e democratizar ainda mais o acesso a esses serviços.
No Brasil, dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) indicam que os meios de pagamento eletrônicos cresceram 21% apenas em 2022. Com isso, a estimativa é de que o ano tenha alcançado R$3,2 trilhões em transações digitais.
Além disso, uma vez que os pagamentos digitais caíram nas graças dos consumidores, é importante adotá-los como forma de melhorar a experiência do cliente. Uma jornada de compra satisfatória passa pela fluidez do pagamento - e as soluções digitais reduzem bastante os atritos nesse processo.
As Fintechs de meios de pagamento digital
O Brasil apresenta um ambiente de negócios positivo e fértil para as fintechs (negócios que aliam soluções tecnológicas aos serviços financeiros) de meio de pagamento digital. Isso ajuda a criar um ecossistema financeiro moderno e democratizado.
Dados da SlingHub compilados em um relatório da Snaq registram que, em 2021, o segmento de meios de pagamento apresentou um crescimento de quase 13 vezes em comparação ao ano anterior.
Ademais, ao todo, 76% das fintechs de meios de pagamento da América Latina são brasileiras. Esse setor chegou até mesmo a produzir alguns dos unicórnios brasileiros - startups que alcançam um valor de mercado avaliado em mais de 1 bilhão de dólares.
Unimed Pay: uma fintech própria do ecossistema cooperativista
Com presença em 86% do território nacional, o Sistema Unimed conta com 341 cooperativas, 118 mil médicos cooperados, 19 milhões de clientes, mais de 29 mil hospitais, clínicas e serviços credenciados e 150 hospitais próprios.
Esse ecossistema complexo movimenta bastante dinheiro. E uma solução de pagamentos foi desenvolvida para manter as receitas circulando no próprio sistema: o Unimed Pay, lançado no fim de 2022 em parceria com a Q2 Bank.
Em sua primeira fase, a Unimed Pay atenderá médicos cooperados, Unimeds e prestadores de serviço. Em um ano, a meta é atingir 5 mil carteiras digitais ativas e 2,5 mil maquininhas. O modelo inclui uma série de recursos como:
? Carteira digital com antecipação de recebíveis de consultas e procedimentos médicos
? Ressarcimento de atendimentos
? Transferências P2P
? Cashback
? Maquininhas com biometria facial
? Funções de cartão de identificação
Dentro de cinco anos, a estimativa é alcançar 80 mil contas digitais dentro do Sistema Unimed e 40 mil maquininhas. Além disso, a previsão de lucro líquido da Unimed Pay nos próximos cinco anos é superior a R$20 milhões. Saiba mais sobre essa fintech cooperativa no Radar da Inovação.
As preocupações com a segurança
O principal gargalo em relação à adoção do pagamento digital é a questão da segurança. Ainda há bastante gente com ceticismo em relação à proteção das soluções de pagamento digital.
O temor decorre pode ser compreendido por meios dos dados da Opinion Box. Quase metade dos entrevistados já foram vítimas de golpes, fraudes ou tentativas de fraudes relacionadas a meios de pagamento.
Logo, por mais que as novas tecnologias de pagamento digital sejam seguras, elas precisam transmitir a sensação de segurança para os usuários. Esse pode ser um diferencial importante na competitividade desse setor.
Além disso, a segurança dos dados deve ser um dos principais focos de quem atua no mercado de pagamentos digitais. Assim, os negócios que competem nesse ecossistema precisam estar por dentro da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).
Conclusão
A adesão às soluções de pagamento digital é grande e a tendência é de que cresça ainda mais. A transformação digital dos serviços financeiros é veloz - tanto no desenvolvimento de novas alternativas quanto na adesão ao pagamento digital. É, portanto, o momento ideal para encontrar novas oportunidades nesse ecossistema.
O pagamento digital chegou para ficar e crescer. Impulsionado pela pandemia de Covid-19, o pagamento digital cruzou a fronteira do digital e está sendo adotado também no mundo físico.
A forma com que lidamos com o dinheiro está mudando rapidamente, e o cooperativismo deve estar atento a essas movimentações. O cooperativismo de crédito é um agente fundamental para a inclusão bancária no Brasil. Dessa forma, as cooperativas de crédito podem ser, também, protagonistas na democratização do pagamento digital.
A jornada para estabelecer uma cultura de inovação é imprescindível em tempos de mudanças velozes
A cultura de inovação não surge de uma hora para outra. Estabelecê-la demanda esforços e a definição de caminhos para estabelecer uma estrutura corporativa de incentivo a iniciativas inovadoras.
Além disso, a inovação é um processo amplo, que precisa estar integrado pela cooperativa como um todo. Assim, não basta ter um setor dedicado à inovação se a cultura inovadora não é praticada pelos demais setores. Quando existe uma cultura de inovação, ela é perceptível em todas as áreas, de maneira descentralizada.
Essa não é uma jornada simples, contudo. Há uma série de desafios no processo de consolidação de uma cultura de inovação interna que permita que o esforço inovativo seja de fato descentralizado.
Com isso, neste artigo iremos apontar três caminhos para disseminar a inovação por sua cooperativa como um todo. Confira!
Os caminhos para construir a cultura da inovação
Agora, vamos conhecer três sugestões para aplicar e fortalecer a cultura de inovação na sua cooperativa. Mas sempre tenha em mente: não existe uma fórmula pronta para inovar. Cada um desses três passos deve ser colocado em prática levando em conta as particularidades de cada negócio.
1. Cultura de inovação se constrói na prática
O relatório Innovation Survey 2023, realizado pela ACE Cortex, aponta que o maior obstáculo à inovação é, justamente, a cultura organizacional. Mais da metade das lideranças que participaram da pesquisa indicaram que esse entrave está se tornando mais relevante com o passar do tempo.
Para estabelecer uma cultura de inovação, não basta difundir uma ideia: ela só amadurece quando é colocada em prática. Ou seja: não basta falar sobre, tem que fazer! Só assim a cultura de inovação irá amadurecer nas práticas da cooperativa.
Treinamentos, apresentações e discussões sobre inovação são ótimas maneiras de apresentar novas ideias e métodos de gestão para as equipes. Entretanto, não adianta aprender a teoria sem colocar em prática.
Por isso, o intraempreendedorismo é tão importante: programas de ideias ajudam a deixar os times sempre atentos às oportunidades de inovar.
Os dados da Ace Cortex apontam que essas são as iniciativas práticas mais utilizadas pelas organizações em suas jornadas de inovação:
- Se relacionar com startups (28,1%)
- Programas de ideias (25%)
- Inovação em produtos e embalagens (15,6%)
- Workshops e treinamentos (14,8%)
- Área dedicada a P&D (14,8%)
- Implementação de metodologias (9,4%)
Assim, há uma série de possibilidades para impulsionar o amadurecimento da cultura de inovação na sua cooperativa. Defina as que melhor se encaixarem nos negócios da sua coop. O importante, afinal, é arregaçar as mangas e ter iniciativa.
2. A inovação é uma atividade coletiva
O trabalho em equipe é fundamental para o sucesso de uma transformação cultural. Portanto, o envolvimento de todos os níveis da organização no esforço inovativo é fator-chave nessa jornada. Neste ponto a descentralização é fundamental para que a cultura da inovação seja absorvida e praticada pela cooperativa como um todo.
Isso não significa que um departamento de inovação não tem importância, mas sim que suas ações devem estar integradas com as demais áreas da cooperativa. Até mesmo porque a inovação não pode ser tratada como uma ilha, uma atividade separada das outras. A cooperativa inteira deve ter oportunidades de apresentar novas ideias.
O papel dos líderes é imprescindível para a solidificação da cultura da inovação. A liderança estimula o surgimento de novas ideias e também proporciona segurança para a experimentação e o erro. Quando há essa confiança, colaboradores e cooperados se sentem confortáveis e incentivados a apresentar seus pontos de vista.
Uma outra prova de que a cultura da inovação é uma construção coletiva está na diversidade. O instituto Humanizadas, ligado à Universidade de São Paulo (USP), apurou que as organizações mais diversas têm mais capacidade de inovação. Equipes plurais, com pessoas de diferentes realidades, contextos e visões de mundo são mais propensas a apresentar novas ideias. Assim, essas pessoas colaboram, aumentando as perspectivas e impulsionando ainda mais as ideias inovadoras.
Por causa desse caráter coletivo da cultura de inovação, ela tem tudo a ver com gestão de pessoas. “Iniciativas de inovação muito afastadas do RH tendem a fracassar, pois os valores e as vivências de inovação são sistêmicos e precisam permear toda a organização para que sejam bem-sucedidas”, disse Luís Gustavo Lima, sócio e CEO da ACE Cortex.
3. Reconhecimento estimula a inovação
Outra forma de estimular a solidificação de uma cultura inovadora é o reconhecimento dos inovadores internos. Idealmente, isso é feito em um modelo que valoriza, de forma forma híbrida, o esforço e o resultado. Esse equilíbrio é fundamental para não fomentar o medo de errar, afinal ideias interessantes podem apresentar resultados não tão bons na prática.
Quando há o reconhecimento das boas ideias inovadoras, as equipes valorizam ainda mais a jornada de inovação. O reconhecimento pode ser atribuído, por exemplo, através dos programas de ideias que premiam as melhores inovações propostas pelos colaboradores e cooperados.
O reconhecimento, além de ser uma forma de engajar as equipes em prol da jornada de inovação, ajuda a construir um ambiente de trabalho positivo e impulsiona, também, o senso de pertencimento à cooperativa.
É preciso ter em mente, por outro lado, que os resultados levam tempo para aparecer. Paciência é uma característica central para o estabelecimento de uma cultura de inovação. Esse fator deve ser levado em conta em relação ao reconhecimento dos colaboradores e no estímulo à inovação.
Por que estabelecer uma cultura da inovação é importante
A cultura da inovação não é um fim em si mesma. Ela existe para fomentar o progresso da cooperativa nos negócios, fortalecendo a participação econômica dos cooperados e difundindo o modelo de negócios cooperativista.
Em nosso guia prático 9 medidas para promover a cultura de inovação na sua cooperativa explicamos que a cultura da inovação proporciona:
- Vantagem competitiva: em um ambiente econômico de disputas acirradas pelo mercado, inovar significa sair na frente da concorrência com produtos e serviços aprimorados ou disruptivos.
- Capacidade de antecipar tendências: ao inovar seguindo de perto as tendências de tecnologia, comportamento e consumo, a cooperativa pode encontrar oportunidades de antecipá-las e largar na frente da competição.
- Inovação contínua: quando há uma cultura de inovação, as novas ideias seguem surgindo. Para que sua cooperativa seja inovadora, não basta que a inovação seja esporádica. A frequência da inovação vem junto com a cultura.
Confira o material completo e conheça as nove formas de transformar a cultura da sua cooperativa rumo à inovação!
Unimed BH: sucesso criação da cultura de inovação
No Radar da Inovação contamos como a Unimed BH desenvolveu sua cultura de inovação. Tudo começou em 2014, quando a cooperativa criou um Centro de Inovação, que funcionava fora de suas instalações. Três anos depois, a liderança da Unimed BH levou o centro para dentro da operação no intuito de disseminar internamente a cultura de inovação.
Essa transição originou o Movimento Juntos Inovamos, com o intuito de catalisar as iniciativas internas e fomentar a cultura de inovação. Com isso, a iniciativa tem o objetivo de alcançar resultados positivos por meio do desenvolvimento de soluções inovadoras aplicadas aos negócios.
Dessa forma, o Movimentos Juntos Inovamos consolidou a cultura de inovação interna da cooperativa, que registrou um relevante impacto na cultura organizacional, com mudança de mentalidade das equipes. Além disso, a iniciativa inspirou outras cooperativas do grupo Unimed.
Conclusão
Não há um caminho único para encontrar soluções inovadoras. Mas existe, sim, um passo imprescindível: estabelecer uma cultura de inovação, para que o surgimento de novas ideias seja constantemente incentivado.
A construção de uma cultura de inovação na sua cooperativa leva tempo. Por isso, é importante ter paciência e engajamento. A construção dos hábitos e valores que promovem a criatividade faz diferença para a competitividade dos negócios em tempos de mudanças rápidas no mercado e nas demandas da sociedade.
Quer se aprofundar ainda mais nesse assunto? Então confira também nosso e-book Cultura da Inovação no Cooperativismo! E curso online Inovação - Primeiros Passos, disponível gratuitamente no CapacitaCoop!
Conheça os caminhos para ficar antenado e encontrar oportunidades de inovar
Aqui, no InovaCoop, sempre ressaltamos o quão importante é ficar de olho nas tendências de inovação. Afinal, dessa forma é possível encontrar oportunidades de negócios para sua cooperativa, melhorando a competitividade e preparando o planejamento para as mudanças em um mercado cada vez mais dinâmico.
A todo momento, surgem novas tecnologias, técnicas de gestão e metodologias de projetos. Identificar essas tendências de inovação é uma tarefa muito importante para antecipar suas aplicações na sua cooperativa. Além disso, o futuro está repleto de desafios - e quanto antes sua cooperativa notá-los, mais tempo há para se preparar e enfrentá-los.
Diante desse cenário, devemos estar sempre com as antenas ligadas em busca do que está surgindo e que pode impactar os negócios da sua cooperativa. Mas, em meio à enxurrada de informações disponibilizadas todos os dias, é importante saber como ficar por dentro das tendências de inovação.
Por isso, neste artigo, iremos dar algumas dicas para te ajudar a ficar atualizado nas principais tendências de inovação para impulsionar a competitividade e fomentar novas ideias dentro da sua cooperativa. Aproveite a leitura!
5 dicas para acompanhar tendências de inovação
Há diversas maneiras de ficar por dentro das novidades - e cada uma vai contribuir de uma forma para te deixar por dentro das tendências de inovação. Não se limite a somente uma delas e fique atento ao que está acontecendo ao redor da sua cooperativa.
Confira, então, as cinco maneiras de acompanhar as tendências de inovação!
1. Newsletters
As newsletters - basicamente e-mails informativos disparados periodicamente - são muito boas para receber doses de informação direto na caixa de entrada. Assim, é possível ficar atualizado com as novidades sobre diversos temas enquanto toma um café ou se prepara para uma reunião.
Há uma ampla variedade de newsletters disponibilizadas, desde grandes veículos de imprensa, mídia segmentada, eventos, empresas e cooperativas. Dessa forma, é muito provável que você encontre alguma newsletter que cubra o assunto que interessa aos negócios da sua cooperativa.
O Sistema OCB produz três newsletters trazendo o que há de mais importante e inovador no mundo cooperativista. Elas são:
- PanoramaCoop: Newsletter semanal que reúne em um mesmo espaço nossas análises sobre os cenários político, econômico e tributário, além das notícias do cooperativismo que foram destaque na semana. Uma oportunidade para acompanhar tudo isso de perto e usar os conteúdos em decisões estratégicas. Para se inscrever, clique aqui.
- Impulso do Coop: Para levar conteúdos atualizados direto para a sua caixa de entrada, criamos a Impulso Coop News. Newsletter quinzenal que uniu o conteúdo das plataformas InovaCoop e ConexãoCoop com a finalidade de apresentar os caminhos da inovação e da competitividade para as cooperativas. Para se inscrever, clique aqui.
- SaberCooperar: Newsletter quinzenal feita especialmente para compartilhar histórias inspiradoras do cooperativismo e te manter atualizado sobre o que as coops têm feito de melhor Brasil afora. Histórias que fazem parte do blog SomosCoop e da revista Saber Cooperar. Para se inscrever, clique aqui.
2. Eventos
Os eventos são ótimas oportunidades de encontrar pessoas, fazer networking, e compartilhar experiências e conhecimento com os pares. Além de ajudar a encontrar potenciais parceiros comerciais, os eventos são palco para a troca de ideias - e percepções de tendências.
Participando de eventos, os dirigentes e profissionais das cooperativas se conectam ao ecossistema e têm contatos com novas perspectivas sobre as movimentações no mercado e no setor.
Além disso, existem eventos dedicados às tendências de tecnologia e inovação. Aqui, no InovaCoop, registramos, por exemplo, os destaques do South By Southwest, do Web Summit e do SXSW, três dos eventos relacionados a inovação mais importantes do mundo. Nestes casos, mesmo quando não der para participar, vale a pena ficar atento ao que está acontecendo.
O InovaCoop também marcou presença na Semana da Competitividade, realizada pelo Sistema OCB, promovendo uma trilha de apresentações dedicadas às tendências de inovação. O evento tratou de temas como psicologia da inovação, diversidade e cultura de dados.
3. Podcasts
Que tal ficar por dentro das notícias mais importantes enquanto está no caminho para o trabalho, voltando para casa ou fazendo exercícios? Se essa possibilidade te agrada, experimente os podcasts, programas de áudio para baixar e ouvir quando quiser.
Assim como as newsletters, existem podcasts sobre os mais diversos assuntos. Há podcasts que buscam apontar os temas mais importantes do dia, como o Café da Manhã, da Folha de São Paulo, e o Durma Com Essa, do Nexo Jornal.
Além desses programas com temas mais gerais, há diversos podcasts que tratam sobre temas específicos e segmentados. Dentro do cooperativismo, por exemplo, há o podcast Mundo Coop. Em relação à inovação, confira também essa lista da StartSe com 6 podcasts dedicados ao tema.
4. Cursos online
A internet é uma ótima ferramenta para o compartilhamento do conhecimento. Há diversas plataformas que disponibilizam conhecimento por meio de cursos. Há desde instituições tradicionais, como universidades, e plataformas específicas para o ensino digital.
O Sistema OCB, por exemplo, desenvolveu a CapacitaCoop, uma plataforma de ensino a distância cheia de ferramentas gratuitas para você aprender não só sobre inovação, mas sobre o cooperativismo, as cooperativas e os diferenciais no modelo de negócios cooperativista.
No InovaCoop, mantemos uma aba reunindo os principais cursos do CapacitaCoop voltados para a inovação. Confira quais são clicando aqui. O Sebrae também possui uma plataforma com diversos cursos gratuitos sobre vários temas - inclusive inovação.
5. InovaCoop e portais do Sistema OCB
O Sistema OCB está sempre com o radar ligado para as inovações no cooperativismo. Por isso, acompanhar os portais mantidos pelo Sistema OCB é uma ótima forma de se manter por dentro das tendências.
Aqui, no InovaCoop, estamos sempre trazendo novidades e conteúdos sobre as tendências de inovação. Neste artigo, por exemplo, listamos 9 tendências para ficar de olho em 2023. Também ficamos atentos às novas tecnologias disruptivas e contamos histórias de iniciativas inovadoras no Radar da Inovação.
O ConexãoCoop, portal de negócios do Sistema OCB, também fica atento às tendências. Veja, aqui, o que esperar dos negócios em 2023 e o que há de mais inovador em relação às vendas.
Acompanhe também os materiais da revista Saber Cooperar e do site institucional.
Conclusão
Ficar por dentro das tendências de inovação é uma tarefa que precisa ser feita constantemente. O acompanhamento contínuo sobre o que está acontecendo no mercado, no segmento da sua cooperativa e no mundo da tecnologia vai dar sinais das oportunidades e dos desafios que estão surgindo no horizonte.
Informação é poder. Por isso, nunca deixe de adquirir conhecimento e acompanhar as tendências de inovação. Dessa forma você ajuda a colocar sua cooperativa na trilha da inovação e da competitividade. Afinal, estar bem informado é imprescindível para ficar por dentro das tendências de inovação.