Topbar OCB
Como aplicar a ambidestria organizacional para inovar sem perder eficiência
- Artigos em destaque na home: Artigo Principal
- Parceiro: Coonecta
Como aplicar a ambidestria organizacional para inovar sem perder eficiência
Inovar é o equilíbrio entre pensar no futuro e executar o presente. Afinal, não adianta explorar novas possibilidades e mercados se antes não tiver consolidado as operações e sistemas que mantêm uma organização em pé. Para ganhar competitividade, fortalecer a reputação e as relações com associados, clientes e parceiros, é preciso investir no novo e no que já existe.
Para isso, existe a ambidestria organizacional. Esse modelo de negócios mostra a importância de planejar a inovação incremental e a inovação disruptiva, a fim de desenvolver uma cooperativa competitiva e resiliente. Saiba mais sobre essa prática e entenda como aplicá-la!
O que é ambidestria organizacional?
Que a inovação é essencial para a prosperidade de um negócio, muitos já sabem. Mas o investimento nas mudanças não pode tirar o foco das operações e sistemas que já existem e merecem tamanha atenção.
É preciso que as cooperativas saibam alinhar as operações do presente com os planos do futuro, sem abrir mão da eficiência e produtividade. Esse equilíbrio é o que chamamos de ambidestria organizacional, um termo que surgiu em 2004 em um artigo publicado no MIT Sloan Management Review pelo professor de gestão estratégica da London Business School, Julian Birkinshaw, e pela professora de organização e estratégia da Universidade da Califórnia, Cristina Gibson.
Apesar de antigo, o termo segue mais atual do que nunca. Com as diversas inovações e tecnologias que estão transformando o mercado rapidamente, é preciso acompanhar o ritmo acelerado sem comprometer a sustentabilidade e qualidade do trabalho. Pensar no futuro sem estar consolidado no presente é um risco que pode trazer diversos prejuízos.
Modelos de ambidestria
Apesar de essencial, trabalhar com ambidestria não é tão simples. É preciso ter atenção no presente e no futuro ao mesmo tempo, o que pode ser desafiador. Para aplicar esse método da melhor maneira possível, é importante conhecer os tipos de ambidestria e entender qual melhor se aplica para a cooperativa.
A ambidestria é dividida em três formatos: sequencial, estrutural e contextual. Confira as particularidades de cada um!
Ambidestria sequencial
A ambidestria sequencial se baseia em criar uma sequência de inovações seguidas de aprimoramento das operações existentes.
Aqui o equilíbrio é essencial e o trabalho é dividido em fases. Períodos de grandes transformações devem ser seguidos por trabalhos focados em melhorar os processos e extrair o máximo das mudanças.
O desafio desse formato é conseguir manter um bom fluxo de trabalho, mesmo mudando de foco constantemente.
Ambidestria estrutural
Em 1996, os renomados professores e escritores da área de administração e estratégia organizacional, Tushman e Charles O’Reilly, se aprofundaram no conceito de ambidestria, defendendo que as organizações, ao adotarem esse modelo, devem trabalhar em duas frentes distintas.
Eles acreditam que o processo de ambidestria se dá por duas formas: extrair o hoje e explorar o amanhã. Dessa maneira, a estrutura organizacional precisa se dividir em duas para, simultaneamente, trabalhar extraindo o melhor do trabalho atual enquanto explora novas possibilidades e investe em inovação.
A dificuldade desse modelo é integrar as duas estruturas para trabalharem juntas, garantindo sinergia e evitando o isolamento. Apenas assim o trabalho atual pode impulsionar e ser impulsionado pelas inovações.
Ambidestria contextual
Julian Birkinshaw e Cristina Gibson defendem outra maneira de olhar para a ambidestria. Para os especialistas, não seria preciso dividir as duas áreas em estruturas diferentes. Eles acreditam que os colaboradores podem explorar e extrair ao mesmo tempo, sem a necessidade de separar o trabalho.
Em um contexto de trabalho adequado e eficiente, os colaboradores teriam a capacidade de dividir o seu tempo entre tarefas de explorar o futuro e extrair o presente. Uma organização que já adotou esse modelo é o Google, onde os engenheiros têm 20% do tempo livre para pensar em projetos exploratórios, investindo em inovação. Inclusive, foi assim que surgiu o Gmail, um dos projetos de maior sucesso da big tech.
Inovação de sustentação x inovação disruptiva
Ter um modelo de negócios saudável, que equilibre o presente enquanto investe no futuro, é essencial para construir uma organização com forte senso de inovação. Além disso, é importante que o processo de inovação seja guiado por metas, o que só é possível ao compreender qual o tipo de mudança que sua cooperativa está buscando.
Existem dois tipos de inovação que podem ser aplicados, dependendo do contexto e necessidades de uma organização. São elas: a inovação de sustentação e a inovação disruptiva.
- A inovação de sustentação, também conhecida como inovação incremental, é um modelo que foca em desenvolver os produtos e serviços de uma cooperativa de forma gradual e contínua. Ou seja, é a aplicação de melhorias incrementais que devem aperfeiçoar o trabalho com inovações constantes. Ela ajuda na valorização de uma marca, pois trabalha para potencializar o produto ou serviço oferecido, buscando fidelizar o cliente e fortalecer a competitividade no mercado.
- A inovação disruptiva, por outro lado, acontece quando a cooperativa inova em um produto, tecnologia ou serviço que abre as portas para criar um novo segmento no mercado. O objetivo é criar uma solução inovadora para uma demanda ainda não atendida do público.
Unidas, as duas inovações podem fortalecer uma cooperativa e sua reputação. Além de melhorar seus produtos com a inovação de sustentação, é possível usar a disruptiva para abrir novas oportunidades, seguindo as tendências e as mudanças no perfil do consumidor.
Por que ser uma cooperativa ambidestra?
Construir uma cooperativa que trabalha com ambidestria organizacional vai muito além de investir em inovação. A ambidestria organizacional, ao focar em desenvolver as operações presentes ao mesmo tempo que planeja o futuro, garante o crescimento exponencial da cooperativa.
A ambidestria é um modelo que ajuda a aprimorar a eficiência do trabalho e a adotar mudanças constantes, equilibrando a busca por tendências e oportunidades ao mesmo tempo que explora e fortalece as vantagens competitivas já existentes em uma marca.
O potencial dessa prática no mercado de trabalho é enorme. A inovação permite que as cooperativas ganhem competitividade e se destaquem no mercado, ao mesmo tempo que fortalecem suas relações com os colaboradores, cooperados, clientes e parceiros. A marca explora novas oportunidades e segue consolidando seu nome.
Como colocar a ambidestria organizacional em prática
Para tirar a ambidestria do papel e colocar esse modelo de negócios em ação, algumas práticas podem ajudar. Confira um guia prático de como aplicar a ambidestria segundo Julian Birkinshaw e Cristina Gibson.
Diagnostique o seu contexto organizacional
Antes de pensar em inovar por meio da ambidestria organizacional, é preciso entender em que contexto a cooperativa está inserida no momento. Por meio de análises profundas do trabalho, das operações, dos sistemas e dos serviços, a cooperativa pode entender como anda a sua gestão e seu desempenho.
Essas análises, que podem ser feitas por meio de auditorias ou coleta de dados, podem ajudar a encontrar gargalos e oportunidades para a inovação, guiando, assim, as discussões sobre melhorias.
Foque em algumas alavancas e aplique-as
Não existe uma fórmula mágica para construir uma marca com ambidestria organizacional, mas as cooperativas podem entender, dentro dos seus negócios, quais são as melhores alavancas que, quando implantadas, impulsionam a inovação e a melhoria constante ao mesmo tempo.
Ter conhecimento sobre as alavancas que mais incentivam o time e a organização, como investir no desenvolvimento profissional ou criar um planejamento estratégico participativo, pode aumentar o desempenho e a capacidade de ambidestria organizacional dentro da cooperativa. Além disso, trabalhar com consistência é essencial para que o crescimento seja exponencial.
Garanta que todos os níveis da cooperativa estejam coordenados
Para que a ambidestria organizacional funcione, é preciso que todos estejam engajados no processo. A pesquisa de Julian e Cristina mostrou que, dentro da hierarquia corporativa, quanto mais baixo for o cargo do colaborador, menos valor é dado às características ambidestras da organização.
Esse fenômeno, chamado de efeito de erosão, impede que a ambidestria seja aplicada com sucesso. O contexto organizacional é de extrema importância para que a ambidestria seja eficaz, pois esse propósito deve ser passado de forma clara e consistente para toda a organização.
Veja os modelos de ambidestria como complementares
Os modelos para trabalhar a ambidestria não precisam ser necessariamente excludentes. Em alguns momentos, a ambidestria contextual pode servir melhor, mantendo um bom fluxo de inovação e melhorias contínuas. Em outros momentos, porém, a ambidestria estrutural pode facilitar o processo. Ao dividir os trabalhos, as equipes podem dedicar uma atenção maior ao explorar e ao extrair.
A chave do sucesso é saber trabalhar os modelos de ambidestria com equilíbrio, de modo que sirvam como complementares e não excludentes. Isso garante a sustentabilidade da ambidestria em uma cooperativa, entendendo o melhor momento para cada tipo de inovação dependendo do contexto.
A liderança no processo de ambidestria
As iniciativas de ambidestria começam na liderança, mas é preciso que elas não sejam concentradas exclusivamente nos altos cargos da cooperativa.
Os autores apontam que o objetivo é garantir essa mentalidade em todos os setores. Para isso, é preciso incentivar um senso de liderança e ambidestria em cada colaborador da cooperativa.
Tensões da ambidestria organizacional
Algumas tensões podem dificultar a aplicação da ambidestria organizacional no dia a dia, como a dificuldade de equilibrar inovação com tradição.
Organizações mais antigas e consolidadas podem ser tradicionais e ter dificuldades de se reinventar. O mercado está constantemente mudando e com as novas tecnologias é preciso trabalhar em um ritmo rápido de transformação digital, além de investir em mudanças constantes para acompanhar as tendências do comportamento dos consumidores.
Para contornar esse desafio, as equipes devem estar em constante troca, por meio de uma governança eficaz que garanta o equilíbrio entre as inovações e o presente.
A governança, inclusive, representa outra dificuldade quando o assunto é ambidestria organizacional. Pode ser um desafio para as cooperativas encontrar o equilíbrio entre uma governança participativa e a agilidade.
No dia a dia de uma cooperativa, ter agilidade é importante. Mas a governança de uma cooperativa, mesmo exigindo foco e rapidez em tarefas diárias, precisa funcionar de maneira participativa e oferecer espaço para que os colaboradores possam trabalhar com criatividade. Afinal, é dela que nascem as soluções inovadoras que podem transformar os negócios.
Na prática: Sicredi Ceará aposta na gestão ambidestra
Uma cooperativa que se destacou por aplicar a gestão ambidestra nas suas operações foi a Sicredi Ceará. Em 2022, Recife recebeu a 14ª edição do Concred, um dos maiores eventos do cooperativismo de crédito da América Latina. Lucila Simão, CEO do Instituto Fenasbac, palestrou sobre gestão ambidestra, o que chamou atenção da Sicredi Ceará e iniciou uma parceria de sucesso.
O programa "Gestão Ambidestra: resultado e propósito" nasceu para potencializar o que a cooperativa tinha de melhor, alinhado ao crescimento sustentável. A Sicredi Ceará começou a trabalhar com o Instituto Fenasbac, uma consultoria vinculada à Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac).
O projeto foi iniciado em abril de 2023, marcando a Sicredi Ceará como a primeira cooperativa de crédito do Nordeste a avançar no programa. O objetivo é que a cooperativa tenha uma estratégia centrada na ambidestria organizacional, equilibrando dois setores:
- Alinhamento: explorar a operação diariamente
- Adaptação: habilidade de inovar respondendo às demandas do ambiente
Para a cooperativa, a gestão ambidestra é uma oportunidade de se manter atualizada sobre os novos hábitos e tendências dos consumidores, em especial do público jovem. Com isso, o projeto está despertando curiosidade e fomentando novas ideias nos colaboradores.
Conclusão: o que fazer para começar a jornada ambidestra
A ambidestria organizacional é, portanto, essencial para a construção de cooperativas longevas e bem-sucedidas, uma vez que garante que as organizações estejam em constante evolução e aprimoramento.
Para colocar a jornada ambidestra em ação, tirando as ideias do papel e trazendo para a prática, é preciso começar conectando inovação à estratégia operacional da cooperativa, ajustando e estudando as métricas, além de desenvolver líderes e colaboradores ambidestros.
Para saber mais sobre ambidestria organizacional e começar a torná-la realidade dentro da sua cooperativa, confira o e-book Gestão ambidestra: como manter um olho no presente e projetar o outro para o futuro, que mostra a importância de inovar sem interromper o desenvolvimento contínuo do trabalho!