
Como a geopolítica está afetando a tecnologia e a inovação
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Entre tensões e conflitos geopolíticos, a inovação surge. Entenda o que é a corrida tecnológica e como a geopolítica fomenta o mercado
Geopolítica é um conceito amplo, que consiste nas relações de poder entre os Estados e explica muitos fenômenos que afetam diversos aspectos de nossas vidas. Tudo que modifica e interfere nas relações entre as nações está incluso no que chamamos de geopolítica: história, geografia, relações internacionais, dinâmicas de poder, guerras.
Sendo assim, ela também é capaz de modificar e ditar como ocorre (ou não) as trocas sociais, políticas, culturais e econômicas entre todos os países. Consequentemente, a geopolítica, por meio das relações das nações, gera grande impacto no comércio mundial.
Essa intersecção da geopolítica no mercado é, de certa forma, um combustível para o surgimento de tecnologias. Muitas vezes, é dentro dos conflitos geopolíticos e das tensões globais que inovações surgem e o mundo se transforma.
Vemos essa dinâmica acontecendo no setor de inteligência artificial, com diversos países e blocos econômicos buscando protagonismo, seja pelo desenvolvimento de novos modelos, pela infraestrutura ou pelas regulamentações. Vamos, então, conhecer mais sobre a conexão entre geopolítica e inovação?
Impacto da geopolítica no comércio internacional - e na inovação
A geopolítica direciona o comércio exterior, pois estabelece normas que facilitam ou dificultam a troca comercial entre países. Tratados comerciais, sanções, taxações e outras práticas servem para fortalecer ou enfraquecer as trocas econômicas entre nações.
Um dos maiores exemplos desse impacto pode ser observado nas tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a China. Se por um lado, os Estados Unidos se consolidaram como a maior potência do mundo após a Guerra Fria, com influência econômica, militar, social e cultural sobre o resto do planeta, a China passou por um grande crescimento econômico e hoje ocupa um papel central na geopolítica da inovação.
A ascensão econômica chinesa consolida o país como a segunda maior economia do mundo, e seu espaço no comércio preocupa e ameaça os EUA. O resultado? A rivalidade entre os gigantes econômicos é base para conflitos econômicos que vivem um momento de acirramento. Tais conflitos podem resultar em dificuldade de negociações e, como consequência, uma corrida para conquistar o mercado internacional.
Atualmente, a contenda entre os dois países acontece por meio de uma disputa tecnológica - quem inovar mais rápido e melhor, conquistará o mercado mundial e consequentemente, influência e poder.
Corrida tecnológica é resultado de conflitos internacionais
Inovação e tecnologia são elementos fundamentais para o desenvolvimento dos mercados. Com as novas gerações que já cresceram dentro de celulares e plataformas digitais, conquistar esse espaço significa, também, conquistar influência global.
As disputas geopolíticas pela liderança tecnológica ocorrem há cerca de uma década. Hoje, Estados Unidos e China despontam como os grandes atores pela vanguarda da inovação, sobretudo na corrida pelo domínio da inteligência artificial.
A produção de chips é um elemento central dessa disputa geopolítica pela IA. Eles são fundamentais para o desenvolvimento e a operação dos serviços de inteligência artificial. O impacto é tanto que a empresa americana Nvidia, que tem chips especializados em inteligência artificial, é hoje uma das organizações mais valiosas do mundo.
No entanto, mais de 90% dos chips avançados usados em IA - inclusive os da Nvidia - são fabricados em Taiwan. Tanto que a empresa Taiwan Semiconductor Manufacturing Co (TSMC) é a mais valiosa da Ásia, possuindo clientes importantes como a Apple e a Nvidia.
Por conta disso, a fabricação de chips se tornou uma grande preocupação dos Estados Unidos, que está incentivando a construção de fábricas de chips avançados no país. A própria TSMC já anunciou o investimento de US$ 100 bilhões na construção de duas instalações em território americano. O presidente Donald Trump já expressou o desejo de taxar a importação de chips.
Enquanto isso, a União Europeia se tornou pioneira em impor regulamentações aos sistemas de inteligência artificial. Em contrapartida, no entanto, o bloco é alvo de críticas por uma possível regulação excessiva, o que pode deixar a região atrasada no desenvolvimento de inovação em IA.
Na busca por sustentabilidade, carros elétricos também representam uma área disputada
Outra grande disputa mundial é a busca para liderar a produção de carros elétricos. Com a tendência do mercado por produtos que gerem desenvolvimento sustentável e diminuição das mudanças climáticas, a batalha geopolítica que envolve China, Estados Unidos e Europa representa um ramo em crescimento e grandes interesses econômicos.
Nesse mercado, a China vem se destacando e tendo alta competitividade com os EUA. A montadora chinesa BYD se tornou uma das líderes nesse setor, disputando espaço com marcas altamente consolidadas como a Tesla. A fim de ganhar espaço em um mercado tão competitivo é preciso, claro, inovar. Em 2025, a BYD saiu em disparada a anunciar uma tecnologia que permite carregar um carro elétrico em um tempo recorde: cinco minutos.
Disputas entre EUA e China resultaram em avanços tecnológicos
Na busca pela soberania tecnológica, os EUA e a China buscaram dominar o setor de microchips. Mas não apenas ele. A disputa pelo 5G também foi acirrada. A empresa Huawei, que tem um relevante papel no desenvolvimento de tecnologias 5G, foi proibida de fazer negócios com o mercado americano desde 2019.
Na época, o país alegava que os equipamentos da marca chinesa buscavam ser usados para espionagem, a fim de ferir a segurança do país. Tais acusações foram negadas pelos chineses, que afirmaram que o interesse dos EUA era tentar controlar o crescimento tecnológico chinês.
A disputa desse espaço fortaleceu o desenvolvimento dos microchips e do 5G, duas ferramentas hoje essenciais para a tecnologia atual. E esses são apenas alguns dos grandes negócios que surgiram por meio de conflitos tecnológicos.
Inovação surge dentro de conflitos geopolíticos
“Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade”, declarou o astronauta Neil Armstrong, quando se tornou o primeiro homem a pisar na Lua, em 1969. A grande conquista foi o resultado de uma longa disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética, durante a Guerra Fria.
A corrida espacial, motivada pela geopolítica da época, que consistia em um conflito político e ideológico dos dois países que saíram como vencedores da Segunda Guerra, trouxe diversas inovações que mudaram o nosso dia a dia.
Na busca para garantir a sua influência no mundo, os países entraram em uma disputa pela exploração no espaço. As buscas não apenas geraram a chegada do homem à Lua, como também resultaram na criação do filtro de água, pensado para limpar as fontes de água de dentro das naves, e as câmeras de telefones celulares, criadas pela Nasa para caberem em naves e sondas.
Atualmente, a corrida tecnológica também movimenta avanços tecnológicos que estão impactando de forma significativa o mundo. Alguns destaques já são bem conhecidos atualmente, como veremos abaixo.
Disputa pelo 5G e impacto no Brasil
Como vimos, a disputa pela tecnologia 5G foi de grande impacto no mundo. Na guerra comercial pela quinta geração para redes móveis, diversos avanços na tecnologia aconteceram, inclusive no Brasil.
Buscando conquistar seu espaço, os Estados Unidos assinaram, em 2020, acordos com o governo brasileiro para a facilitação de comércio e de investimentos em diversas áreas, incluindo a de redes 5G.
Isso porque o Brasil representava um dos mercados mais concorridos para essa tecnologia. Apesar da relevância, o governo brasileiro decidiu não se envolver na guerra comercial entre Estados Unidos e China.
TikTok e o avanços dos vídeos curtos
O TikTok, que em 2023 ultrapassou o Facebook tornando-se a rede social mais valiosa do mundo, de acordo com ranking da consultoria Brand Finance, foi outra grande tecnologia que abalou a corrida entre EUA e China.
A plataforma é de propriedade da chinesa ByteDance. Seu crescimento, em especial durante a pandemia, incomodou o mercado americano, que chegou a banir temporariamente o aplicativo em janeiro de 2025, devido a uma lei que exige a venda do TikTok nos EUA.
Apesar das disputas, o TikTok representou uma mudança grande na forma de consumir e produzir conteúdo. O aplicativo popularizou o formato de vídeos curtos, adotado por diversas outras plataformas como o Instagram, com os Reels, e o YouTube, que criou os Shorts.
OpenAI e DeepSeek
A mais recente disputa entre as grandes potências mundiais está sendo pela conquista do mercado de inteligência artificial. Desde o lançamento do ChatGPT, pela empresa americana OpenAI, essa tecnologia vem dominando o mercado.
Fortalecendo a China na corrida tecnológica, o DeepSeek foi lançado no começo de 2025, e se destacou por ter recursos parecidos com a da tecnologia dos EUA, mas com custos menores.
Na primeira semana após o lançamento da IA chinesa, as big techs americanas perderam cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Além disso, o DeepSeek superou o número de downloads do ChatGPT, o que exigiu que a OpenAI se reinventasse. Assim, fevereiro foi marcado pelo lançamento de uma nova ferramenta de pesquisa pela IA americana.
Conclusão: a geopolítica da inovação
As relações internacionais são repletas de conflitos e tensões, o que não é de todo ruim. Como vimos, é dentro dessas competições mundiais que surgem tantas inovações. Diariamente o planeta se transforma, e para não ficar de fora dos avanços tecnológicos é preciso se atualizar.
Reunindo profissionais especializados, o evento South by Southwest (SXSW) é um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do mundo. Em 2025, o SXSW ocorreu entre os dias 7 a 15 de março, em Austin, no Texas. Confira destaques do evento e saiba quais são as tendências de inovação para 2025 em cobertura do InovaCoop!
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