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Radar da inovação

Stocksy United: com proposta de remuneração justa, iniciativa faturou US$ 10 mi

Baseado em modelo de cooperativa de plataforma o banco de imagens canadense conta com fotógrafos em mais de 60 países

24/07/2020
Nome da Cooperativa:Stocksy United
Ramo:Trabalho Produção de Bens e Serviços
Região:Internacional
Palavras-chave:cooperativismo de plataforma, inovação no modelo de negócio, criatividade
Resumo:

RESUMO

Para fazer frente aos valores aviltantes e à política de desvalorização de fotógrafos praticados pelos grandes bancos de imagens, a Stocksy United criou uma cooperativa de plataforma em que os artistas recebem entre 50% e 75% dos royalties pagos por suas produções. Com isso, recebeu candidaturas de 10 mil fotógrafos interessados em se associar ao projeto e viu sua receita atingir US$ 10,3 milhões, em 2016.

CONTEXTO

A Stocksy United foi fundada em março de 2013 por Bruce Livingstone, fotógrafo e empresário que havia trabalhado no banco de imagens Getty Images. O pensamento norteador da iniciativa era: “somos artistas e devemos nos unir”.

Com esse propósito o projeto foi iniciado na cidade canadense de Victoria. O objetivo era criar um banco de imagens internacional e capaz de competir com os gigantes do setor. Dentre os diferenciais da iniciativa podem ser listados: gestão cooperativista do negócio e a premissa de que cada um de seus membros é um artista.

Este segundo ponto se relaciona diretamente à experiência prévia de Livingstone que, durante sua experiência junto ao maior banco de imagens do planeta, identificou os dois principais problemas relacionados à atuação deste tipo de empresa: a pífia valorização dos fotógrafos e o tratamento dado a eles.

O resultado da criação do Stocksy United, um banco de imagens baseado em valores cooperativistas, foi excelente. Tanto que 10 mil fotógrafos quiseram se juntar à cooperativa ao longo de seus sete anos de existência. Assim, a cooperativa teve que selecionar os melhores profissionais e, atualmente, são 900 cooperados e 50 funcionários espalhados por 63 países que fornecem para grandes empresas em todo planeta.


DESAFIOS

A Stocksy United enfrentou como principal desafio desenvolver um formato de reconhecimento e remuneração adequados aos artistas fotógrafos que fazem parte de sua base de cooperados.

Criar um novo modelo de negócio, ou seja, uma cooperativa que atuasse como um banco de imagens com valores cooperativistas, foi também um dos grandes desafios. Eles foram um dos pioneiros no cooperativismo de plataforma, o que exigiu empenho para formatação do negócio.

Além disso, a cooperativa também investiu esforços para firmar contratos de grande volume e com longo prazo de duração para assegurar a sustentabilidade financeira da iniciativa.

DESENVOLVIMENTO

Logo em seu lançamento, em março de 2013, a cooperativa passou a buscar grandes empresas, com as quais pudesse firmar contratos robustos e de longo prazo. Ou seja, que pudessem garantir a remuneração adequada aos seus cooperados.

Houve uma dificuldade inicial já esperada devido à concorrência com grandes empresas já estabelecidas no mercado de banco de imagens. Então, a cooperativa organizou um grande evento de lançamento, custeado apenas pelos 220 cooperados fundadores e que impulsionou as vendas ao atrair a atenção da mídia e de outros cooperados interessados.

O primeiro ano foi extremamente bem-sucedido do ponto de vista financeiro. A cooperativa conseguiu manter suas premissas de criação, baseadas no tratamento e na remuneração adequadas para os fotógrafos. Já no primeiro ano, a Stocksy United começou a incorporar novos cooperados no Canadá e em outros países.

Com o aumento do número de cooperados e de contratantes, a assembleia se deparou com o desafio de garantir uma remuneração adequada e também justa para todos os cooperados. Assim, o estatuto da cooperativa foi alterado para contemplar três classes de membros: fundadores acionistas, membros efetivos e membros juniores.

A ideia era manter a remuneração dos fundadores, que fizeram grandes investimentos iniciais e se mantiveram firmes no projeto, superior aos dos aderentes que somaram forças ao longo dos sete anos de criação.

A lei canadense permite que o empreendimento tenha suas assembleias sempre online, desde que realizadas em uma das línguas oficiais do país. Assim, a maior parte dos cooperados atuais não conhece a sede da cooperativa, ou mesmo o time de apoio, formado por 50 profissionais.

O quadro abaixo mostra como se dá o processo democrático de decisão adotado pela cooperativa e que acontece de forma digital.