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Coopertrans-PV transforma entrave logístico em oportunidade de crescimento

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2026
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Pressionada pela necessidade de encontrar um novo ponto de estacionamento para seus ônibus, a Coopertrans-PV inovou ao firmar uma parceria estratégica com um supermercado local, conseguindo assim ampliar o número de passageiros, melhorar as condições de trabalho dos motoristas e evitar novos custos operacionais. A mudança de rota, viabilizada após negociação com a loja e com o órgão de trânsito municipal, transformou um gargalo logístico em oportunidade de crescimento sustentável.

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Contexto

A cooperativa pernambucana Coopertrans-PV, que atua no transporte complementar de passageiros, enfrentava um importante gargalo logístico diante do risco de perder um dos pontos de estacionamento de seus ônibus.

Os veículos da cooperativa partiam da cidade de Pombos, a 64 km de Recife, e seguiam até o município vizinho, chamado Vitória de Santo Antão, onde cruzavam toda a área urbana para chegar ao Vitória Park Shopping, no extremo leste do município. Após deixar os passageiros no local, os motoristas retornavam ao centro da cidade e aguardavam por algumas horas antes de iniciar o trajeto de volta.

A operação apresentava dois entraves principais. O primeiro era estrutural: como a cooperativa não possui sede ou filial em Vitória de Santo Antão, os motoristas tinham que estacionar e aguardar em uma rodoviária desativada, um espaço sem banheiros, sem infraestrutura adequada e sob risco constante de ser desocupado pela prefeitura.

O segundo problema era operacional e comercial: após a espera no centro, os veículos seguiam diretamente para Pombos, sem retornar ao shopping na zona leste, o que resultava na perda de potenciais passageiros no percurso de volta.

Foi para sanar estas dificuldades que a gestão da cooperativa passou a buscar um novo ponto de parada na zona leste de Vitória. A solução encontrada foi o supermercado Novo Atacarejo, inaugurado a cerca de um quilômetro do shopping Vitória Park e com espaço suficiente para acomodar os ônibus da cooperativa. Restava negociar com a loja e com as autoridades locais.

Desafios

O presidente da cooperativa, Samuel Edson da Silva, conta que passou cerca de um ano tentando firmar uma parceria com o Novo Atacarejo para utilizar parte do estacionamento do empreendimento. Nesse período, a proposta foi recusada por dois gerentes da rede, e apenas o terceiro gestor abordado se dispôs a analisá-la, após alguns ajustes.

“Fiz um curso de comunicação organizado pelo Sistema OCB e, a partir disso, consegui preparar uma proposta mais bem lapidada, oferecendo algo em troca”, relata Silva. A Coopertrans-PV sugeriu adesivar as placas de identificação do trajeto, posicionadas no vidro dianteiro dos ônibus, com as cores, o nome e o logotipo do supermercado. Além disso, a proposta previa a distribuição de panfletos promocionais do supermercado aos passageiros durante as viagens.

Com isso, a cooperativa conseguiu a permissão para usar parte do estacionamento do Novo Atacarejo, em um espaço exclusivo que conta com banheiros, cadeiras, água gelada e condições mais adequadas de conforto e segurança para os motoristas.

Desenvolvimento

O desafio, porém, não terminava aí. Para operar no trecho que vai do shopping até o atacarejo e iniciar a partir dali o trajeto de retorno, a Coopertrans-PV precisou negociar a extensão formal de sua rota junto ao órgão municipal de trânsito.

“Tivemos que dialogar com a autarquia de trânsito e convencê-la de que a nova rota não iria atrapalhar as linhas que já atuavam na região”, lembra Silva. “Mostramos que fazíamos uma rota distinta e que isso não prejudicaria as outras operadoras”. A negociação foi complexa, mas rendeu frutos. Com o aval tanto do mercado quanto do poder público, a cooperativa finalmente incluiu o novo trecho no trajeto e conseguiu ampliar o número de passageiros atendidos.

“O Novo Atacarejo é um hipermercado grande na região e muitas pessoas saem de Pombos, uma cidade pequena com menos de 30 mil habitantes, para fazer compras lá”, conta Silva. “Agora podemos trazer os clientes do Atacarejo de volta para as cidades, passando pelo shopping e pela principal avenida de Vitória. Conseguimos aumentar a quantidade de passageiros, atender melhor aos nossos clientes e também aos nossos cooperados”.

Segundo o presidente da cooperativa, houve resistência inicial dentro da própria organização, já que alguns motoristas temiam o aumento do gasto com combustíveis. Com o tempo, porém, os resultados financeiros falaram mais alto.

Resultados

A parceria com o Novo Atacarejo foi firmada em 25 de setembro de 2024 e, após mais de um ano de operação, a Coopertrans-PV registra um aumento médio de 150 passageiros atendidos por dia, um crescimento considerável frente à média total de passageiros transportados, que vai de 2,5 mil a 3 mil por dia.

Além disso, Silva destaca que o risco de desocupação da antiga rodoviária, onde os motoristas aguardavam antes, poderia obrigar a cooperativa a alugar um espaço próprio, o que implicaria um gasto de cerca de R$ 2 mil por mês. “Outras associações que precisaram alugar áreas semelhantes estão pagando R$ 2,5 mil, um valor que conseguimos manter dentro da cooperativa”, comemora ele.

O presidente lista também os resultados qualitativos da mudança, como a possibilidade de oferecer melhores condições de trabalho aos associados e a relação de ganha-ganha estabelecida com o supermercado. “Hoje não pagamos nada pelo uso do espaço. A parceria tem dado certo e estamos entregando mais comodidade e renda para o cooperado - o que, no fim das contas, é o que queremos”, resume.

Próximas iniciativas

Para o futuro próximo, a Coopertrans-PV segue focada em ampliar o número de passageiros atendidos e já está estudando a implementação do sistema de bilhete eletrônico. Hoje, os veículos da cooperativa não contam com o leitor de cartões de transporte e as passagens precisam ser compradas com dinheiro, Pix ou cartão bancário.

A adoção do bilhete eletrônico deve atrair novos usuários para os ônibus da Coopertrans-PV e facilitar o repasse financeiro aos cooperados. “Muitos trabalhadores da região não usam nossos serviços porque não temos o bilhete eletrônico. Adotar este sistema incrementaria bastante nossa renda”, prevê Samuel Edson da Silva.

O caso da Coopertrans-PV mostra como ajustes aparentemente simples, quando bem planejados e negociados, podem gerar impactos significativos e abrir as portas para parcerias estratégicas. A cooperativa transformou o que era um ponto de espera precário em um hub estratégico de embarque, reforçando sua operação e elevando a qualidade do serviço.

Contato do responsável pelo case:

Samuel Edson da Silva

Presidente da Coopertrans-PV.

E-mail: coopertranspv@hotmail.com

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