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Do problema ao projeto

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Analisando cenários e formalizando ações 

Nos últimos anos, cooperativas de diferentes segmentos têm buscado fortalecer sua capacidade de inovar, seja para ampliar sua competitividade, seja para gerar mais valor aos cooperados em um ambiente marcado por rápidas transformações. Nesse movimento, um ponto se repete: a inovação não nasce apenas de ideias criativas, mas de processos capazes de converter boas intenções em projetos efetivos. Este artigo aborda justamente essa jornada: da identificação de um problema relevante até sua formalização estratégica dentro da cooperativa. 

Defendemos que o rigor na análise de cenários e na definição do escopo é, muitas vezes, mais crítico para o sucesso da inovação do que a própria execução da ideia. A etapa inicial, aquela que antecede o “vamos fazer”, costuma ser determinante para evitar desperdícios, reduzir riscos e orientar equipes para o que realmente importa. 

“Mais importante do que ter uma boa ideia é garantir que ela esteja conectada ao problema certo.” 

Construindo caminhos viáveis 

Cooperativas, por sua natureza colaborativa, são ambientes ricos em sugestões, percepções práticas e oportunidades reais de melhoria. Entretanto, também são contextos em que a distância entre uma boa ideia e um projeto viável pode ser maior do que parece. Muitas iniciativas acabam não avançando porque a transição entre o desejo de inovar e a construção de um projeto estruturado não é feita com a disciplina necessária. Quando essa etapa falha, surgem desperdícios, retrabalhos e oportunidades perdidas, problemas que podem ser evitados se houver clareza sobre o que realmente precisa ser resolvido. 

Entender antes de resolver: a Essência da definição do problema 

O primeiro movimento dessa jornada é a definição do problema. Trata-se de um exercício que exige mais profundidade do que costuma parecer. Em ambientes organizacionais, é comum que problemas sejam confundidos com seus sintomas: atrasos operacionais, reclamações de cooperados, custos elevados ou baixa adesão a serviços. Esses sinais são relevantes, mas não representam o problema em si; são apenas indícios de causas mais profundas que precisam ser investigadas. A causa-raiz pode estar em processos despadronizados, na falta de integração entre áreas, em tecnologias inadequadas ou até mesmo em expectativas mal alinhadas entre cooperativa e cooperados.  

Quando o esforço de inovação começa a partir de um diagnóstico preciso, evita-se investir em soluções complexas para questões que poderiam ser resolvidas de forma simples, ou que sequer são prioridades reais. Ferramentas como 5 porquês ou o Canvas de definição de desafio possibilitam um direcionamento prático para o desenho e compreensão do problema.  

Ampliar a visão: a importância da análise de cenários 

Após esclarecer o problema, é hora de analisar cenários. Essa etapa funciona como uma lente que amplia a compreensão sobre riscos, impactos e possibilidades. Avaliar se a solução potencial faz sentido estratégico, financeiro e operacional para a cooperativa é fundamental antes de avançar. Uma iniciativa pode ser tecnicamente promissora, mas pouco alinhada às prioridades da governança; ou pode trazer alto retorno, mas exigir recursos indisponíveis no momento. Analisar cenários é também olhar para o cooperado: como ele percebe essa solução? Ela resolve um problema relevante e traz benefício concreto? É nesse cruzamento entre viabilidade e impacto que surgem decisões mais consistentes sobre o que deve, ou não, virar projeto. 

Dar forma: a força da formalização 

Com essa visão consolidada, chega o momento da formalização. É nesse ponto que a cooperativa transforma análises em um projeto claro, comunicável e executável. A formalização envolve traduzir conclusões em escopo concreto, detalhando o que será feito, como será feito, para quem e com quais resultados esperados. É aqui que se definem entregas, se estabelecem KPIs, se estimam recursos, prazos e riscos, e se garante alinhamento com a governança. Sem uma formalização adequada, projetos que começam bem podem se perder no caminho, gerando confusões, divergências e retrabalhos frequentes. 

Estruturar para avançar: o Papel do plano de negócios 

Por fim, entra em cena a estruturação do projeto, muitas vezes organizada por meio de um Plano de Negócios. Apesar de ser visto por alguns como um processo burocrático, o Plano de Negócios é justamente o contrário: ele viabiliza a inovação. Ao registrar diagnósticos, hipóteses, métricas e justificativas, ele cria uma base sólida que permite ajustes rápidos sem comprometer a coerência estratégica. Em vez de engessar, oferece clareza. Sem ele, decisões tendem a ser tomadas pela urgência e não pela estratégia, aumentando riscos e reduzindo o valor entregue ao cooperado. 

Avançar do problema ao projeto exige método, disciplina e uma cultura que valorize a preparação antes da execução. Cooperativas que fortalecem essa mentalidade ampliam sua capacidade de inovar de forma sustentável, transformando boas ideias em resultados reais e consistentes. 

Quadro-resumo: a jornada do problema ao projeto 

Antes de avançar para a conclusão, vale recapitular as etapas que estruturam essa jornada: 

Etapa 

Pergunta-chave 

Risco se ignorada 

Resultado esperado 

1. Diagnóstico do Problema 

Estamos resolvendo o problema certo? 

Atacar sintomas, não causas 

Clareza e foco sobre o que realmente precisa ser solucionado 

2. Análise de Cenários 

Faz sentido investir nesta solução agora? 

Projetos desalinhados, inviáveis ou sem impacto 

Decisão fundamentada sobre seguir, ajustar ou interromper 

3. Formalização do Projeto 

O que exatamente vamos fazer e como vamos medir? 

Falta de alinhamento, retrabalho e perda de direção 

Escopo claro, KPIs definidos e papéis estabelecidos 

4. Estruturação (Plano de Negócios) 

Temos os argumentos e dados para sustentar este projeto? 

Execução frágil, decisões reativas e perda de credibilidade 

Base sólida para gestão, priorização e comunicação do projeto 

Esse percurso sintetiza a lógica central apresentada: a inovação nasce da clareza e se fortalece no rigor metodológico capaz de transformar boas ideias em entregas concretas e sustentáveis. 

Conclusão: da disciplina ao valor: onde a inovação se concretiza 

A inovação que gera impacto duradouro não depende apenas da criatividade ou da rapidez na execução, mas da disciplina na formulação dos projetos. É essa disciplina que transforma potencial em valor tangível, garantindo que as cooperativas avancem de maneira estratégica, consciente e alinhada às expectativas dos cooperados. Quando a jornada é estruturada, começando pela definição do problema, passando pela análise de cenários e chegando à formalização e ao planejamento, a inovação deixa de ser uma promessa e se torna uma entrega concreta, sustentável e percebida por quem mais importa: o cooperado.

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