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Commodities e El Niño: como a inovação enfrenta os desafios do cooperativismo agropecuário em 2026
- Parceiro: Coonecta
As cooperativas já implementam soluções tecnológicas para superar as adversidades do cenário econômico e contexto climático
Em 2025, o agronegócio brasileiro terminou em alta, apresentando um crescimento de 11,7% no PIB agropecuário. No entanto, as previsões para 2026 não estão tão otimistas diante dos conflitos internacionais e suas consequências na produção nacional.
O agravamento da guerra entre os Estados Unidos e o Irã aumentou o preço do barril de petróleo do tipo Brent, que foi de US$ 70 para mais de US$ 100, e enfraqueceu o dólar. Além disso, as principais economias estão mantendo um crescimento moderado.
As cooperativas agropecuárias brasileiras precisam estar preparadas para os desafios do agro para 2026. Pensando nisso, o InovaCoop preparou um panorama sobre os principais obstáculos deste ano e mostrou que algumas cooperativas já estão à frente.
Boa leitura!
Realidade do agrop para 2026
Segundo a pesquisa da OCB, em parceria com a Tendências Consultoria, o PIB agropecuário não terá uma grande alta como em 2025. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o relatório aponta chance de crescimento de apenas 1,7%.
A expansão moderada é um reflexo do desempenho desigual no campo. Culturas de soja, café e cana de açúcar devem apresentar avanços, enquanto arroz, feijão e o abate de bovinos tendem a enfraquecer.
A Reforma Tributária também tem influência nos resultados do agro brasileiro, no entanto, seu impacto é a longo prazo. A grande mudança é a criação de três novos tributos centrais relacionados ao consumo (CBS, IS e IBS) que substituem os antigos.
Apesar das novas tributações, 95% dos produtores rurais não serão obrigados a pagá-los. Isso porque produtores rurais e produtores integrados com faturamento de até R$ 3,6 milhões ao ano não serão considerados contribuintes de CBS e IBS. Já as cooperativas que também atingem esse valor podem optar por não contribuir.
Mesmo assim, as coops enfrentam dificuldades. Vamos, então, saber mais sobre os desafios do agro em 2026?
Commodities e insumos
A oscilação no volume das produções vem acompanhada de problemas financeiros. Com a guerra no Oriente Médio e, consequentemente, o aumento no valor do barril de petróleo, estamos em um momento de alta nos insumos agrícolas.
O aumento das matérias-primas, petróleo e gás natural, encarece o valor do combustível e a produção de defensivos e fertilizantes. Com a alta do óleo diesel, o transporte de sementes também fica mais caro.
Segundo a pesquisa, o mercado também projeta uma queda de 0,4% no preço das commodities em 2026. Esse recuo é provocado pelo excesso de oferta no mercado internacional e pelos elevados níveis de estoque global.
Diante dessa realidade, as cooperativas agropecuárias enfrentam um dilema: como gerar resultados positivos em um mercado saturado de ofertas e preços altos de insumos? A resposta pode estar na adoção de tecnologias!
A tecnologia como aliada da eficiência e sustentabilidade no campo
A inovação é uma ferramenta para que as cooperativas enfrentam os desafios e aproveitem as oportunidades que o cenário econômico apresenta. Alguns exemplos inspiradores são:
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Coopavel: a coop paranaense especializada em frangos e suínos criou a Biocoop, a primeira indústria nacional de biodefensivos gerida por uma cooperativa. A solução consiste em uma biofábrica automatizada com 12 biorreatores para produzir inoculantes à base de fungos e bactérias. A ideia é atender às exigências do mercado global e oferecer uma produção com menor impacto ambiental.
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Cooperativa Pindorama: a fim de aumentar a produtividade e assegurar a longevidade dos cultivos de seus associados, a cooperativa alagoana passou a oferecer um insumo à base de esterco bovino para ser usado no manejo do solo. Para isso, ela conta com uma bioestação que processa esterco bovino fornecido pelos associados e gera um composto biológico líquido de manejo, responsável por restaurar a microbiota do solo e liberar nutrientes essenciais.
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Cooxupé: a cooperativa mineira desenvolveu o projeto Sustenta Mais a fim de viabilizar o monitoramento das lavouras de pequenos produtores de café. A inovação é fruto da parceria com o Polo Embrapii e a startup Quanticum.
A solução é composta por uma tecnologia de baixo custo que realiza o mapeamento magnético de nanopartículas do solo tropical. Ao cruzar os dados geológicos com ferramentas de IA, a cooperativa permite que os cafeicultores identifiquem as deficiências de suas glebas e adotem práticas de agricultura regenerativa.
Riscos climáticos
O El Niño é um fenômeno natural que causa o aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial. Por conta disso, vemos alterações nos padrões de vento, chuva e temperatura. O fenômeno foi confirmado em junho de 2026 e, segundo pesquisas, as condições vão persistir ao longo do segundo semestre.
O El Niño influencia as estações, impactando as regiões do Brasil de maneiras diferentes:
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Norte: seca extrema, alta da temperatura, diminuição das chuvas e baixa umidade. Aumento do risco de incêndios e redução do nível dos rios.
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Nordeste: seca extrema e prolongada, baixa umidade, rápida evaporação da água e aumento da temperatura.
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Centro-Oeste: baixa umidade, ondas de calor e distribuição irregular das chuvas. Possibilidade de incêndios na primavera.
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Sudeste: temperatura acima da média, ondas de calor, irregularidade das chuvas e inverno menos rigoroso.
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Sul: aumento das chuvas e temperatura acima da média. Aumento do risco de enchentes.
Mudanças climáticas repentinas como essa afetam diretamente a produção agrícola das cooperativas, além de causar altos prejuízos. Assim sendo, as cooperativas devem se preparar para enfrentar as adversidades apresentadas por fenômenos climáticos como o El Niño e a tecnologia é uma grande aliada.
A inovação tecnológica como forma de enfrentar desafios climáticos
A Cocamar desenvolveu uma rede própria de estações meteorológicas para solucionar a baixa assertividade das previsões climáticas e diminuir os riscos na produção dos cooperados. A solução consiste em uma infraestrutura de estações automatizadas e movidas a energia solar.
Elas são responsáveis por coletar dados em tempo real sobre o solo, temperatura, umidade, vento e precipitação. As informações geradas no campo são processadas com o suporte de IA em parceria com a plataforma Meteoblue, gerando análises climáticas localizadas e de alta precisão para os produtores.
Conclusão: o cenário pede inovação no cooperativismo agropecuário
Diante de um crescimento mais contido, do aumento dos insumos e dos impactos do El Niño, as cooperativas precisam agir. Cases como os da Cocamar, Coopavel, Cooxupé e Pindorama mostram que as organizações sabem tomar decisões estratégicas.
O cenário exige cautela, mas as cooperativas agropecuárias precisam estar atentas às tendências que podem ser implementadas. No InovaCoop você encontra sete inovações tecnológicas para o Ramo Agropecuário em 2026.