Topbar OCB

Cooxupé: mapeamento de solo acessível a pequenos cafeicultores

Imagem Destaque

2023
Sudeste
Agropecuário
Cooxupé
agricultura regenerativa, Inovação de processo, programa de inovação, transformação digital
Inovação de processo
Cooperativa mineira se une a startup e instituto de pesquisa para desenvolver tecnologia de baixo custo para pequenos produtores. Na agricultura digital contemporânea, é preciso investir em tecnologias e equipamentos para conhecer em detalhes as características de cada gleba da propriedade, para que as tomadas de decisão sejam mais assertivas. Pensando nisso, o projeto “Sustenta Mais: Agricultura Regenerativa” está levando aos cooperados da Cooxupé tecnologias de custo acessível e adaptados às necessidades de quem planta em solos tropicais, de grande variedade em sua composição físico-química.

BAIXAR RESUMO





CONTEXTO

Sediada no Sul de Minas, a Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé) possui mais de 17 mil cooperados, sendo 85% classificados como pequenos cafeicultores e cafeicultores de economia familiar.

Está presente em mais de 300 municípios em Minas Gerais e São Paulo, e conta com 48 unidades de negócios – matriz, núcleos, filiais e unidades avançadas, além de um escritório em Santos. Sua missão é promover o desenvolvimento sustentável do cooperado, incluindo apoio técnico e tecnologia para o manejo de suas terras. 

Nesse contexto, um dos grandes desafios atuais do pequeno produtor é o de implementar a chamada agricultura de precisão. Considerada uma das bases da agricultura digital, ela normalmente está associada a grandes investimentos em tecnologia e qualificação de pessoal para realizar o mapeamento e o monitoramento contínuo das informações sobre o solo e a lavoura.

Além disso, o cooperado também se vê diante da necessidade de adotar práticas de preservação e recuperação das condições do solo visando à sustentabilidade das atividades de plantio em suas propriedades. É o que se define, no meio técnico, como agricultura regenerativa. 

Essas são as bases do projeto “Sustenta Mais: Agricultura Regenerativa”, realizado pela Cooxupé em parceria com a startup Quanticum e o IFSuldeMinas (Instituto Federal do Sul de Minas Gerais).

Seu objetivo é mapear a saúde do solo em fazendas cooperadas com tecnologias de baixo custo e oferecer ao pequeno produtor análises mais ricas para a tomada de decisão sobre a lavoura, visando à preservação de suas condições originais.

DESAFIOS

De acordo com Mário Ferraz de Araújo, gerente de desenvolvimento técnico na Cooxupé, os solos tropicais - especialmente nas regiões de café no Sul de Minas - apresentam uma variedade bastante significativa em sua composição físico-química, biológica e mineralógica (tipologia da argila).

“Às vezes, numa pequena gleba, nós temos uma variação de solos muito grande. E isso se reflete na nutrição da planta, no seu potencial produtivo, na qualidade do produto final e no ataque de pragas e doenças”, explica.

O grande desafio era encontrar uma solução que proporcionasse ao pequeno produtor de café tecnologias e acompanhamento técnico economicamente viáveis para mapear e monitorar extensões de terra menores.

“A agricultura de precisão tradicional é excludente, porque depende de equipamentos caros, mais apropriados para grandes áreas. Por demandarem grandes investimentos, tornam-se acessíveis apenas para o grande produtor de soja e de milho”, afirma Araújo.

DESENVOLVIMENTO

O projeto de agricultura regenerativa surgiu a partir de uma iniciativa conjunta da Cooxupé, do Polo de Inovação Embrapii IFSuldeMinas – especializado em cafeicultura – e da startup Quanticum – que oferece serviços de identificação e mapeamento de nanopartículas naturais do solo para áreas agrícolas.

“[No Polo de Inovação] nós identificamos potenciais projetos de inovação que tragam alguma contribuição para o produtor de café e aportamos recursos de ministérios ligados ao Governo Federal para que a inovação se realize com qualidade”, explica Leandro Carlos Paiva, diretor do Polo de Inovação Embrapii Agroindústria do Café na Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais.

“Nós tínhamos o contato da Quanticum, startup nascida na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal, que queria empregar sua tecnologia, e estabelecemos o contato com a Cooxupé, que tinha a necessidade de trabalhar com a agricultura regenerativa de precisão”, conclui Paiva.

O método desenvolvido pela startup, já aplicado em outros Estados e cultivos agrícolas do País, identifica as nanopartículas do solo por meio da tecnologia de mapeamento magnético. Quando essas nanopartículas naturais do solo mudam, muda também o potencial natural do solo para produzir alimentos, o equilíbrio dos micro-organismos, as respostas à aplicação de adubos, a resiliência hídrica e o armazenamento de carbono.

"O mesmo mapa dessas nanopartículas pode ser utilizado para diferentes operações no campo de forma prática, simples e com grande escalabilidade", comenta Diego Siqueira, cientista do solo e Diretor Executivo da Quanticum.

Essa tecnologia permite que o produtor faça a dosagem de fertilização e a aplicação de herbicidas segundo a necessidade real de cada área da lavoura. Esse uso mais racional dos insumos tende a reduzir custos e melhorar a lucratividade da plantação.

“A essência dessa tecnologia é identificar as condições de solo inerentes a cada gleba. E ela não depende de equipamentos. Ela depende dos resultados daquela análise de solo na parte química, na física e na parte relacionada à tipologia de argila. Isso democratiza muito o acesso ao pequeno produtor”, explica Araújo, da Cooxupé.

Com o conhecimento acumulado nas pesquisas, o grupo desenvolveu um projeto – intitulado “Sustenta Mais: Agricultura Regenerativa” – com a aplicação prática das técnicas para participar de um programa de inovação promovido por uma fabricante de fertilizantes e defensivos agrícolas.

RESULTADOS

“Com esse mapeamento, nós conseguimos estabelecer as doses desses produtos de acordo com a tipologia de argila de cada área”, explica Araújo. Assim, são as características de cada solo, definidas pela análise magnética, que determinarão se serão utilizados 4, 6 ou 8 litros por hectare de um determinado inseticida/fungicida, por exemplo.

O projeto apresentado pela Cooxupé, pela IFSuldeMinas e pela Quanticum, foi o vencedor na categoria Inovação do Programa Coopera Mais, da Bayer, recebendo um aporte de R$ 1,5 milhão da multinacional, além de consultoria especializada.

O projeto pretende mapear a saúde do solo em 80 fazendas, totalizando 10 mil hectares de lavouras de café. Ao longo do ano de 2022, as organizações envolvidas dedicaram esforços para alinhamentos de natureza jurídico-tributária para dar prosseguimento ao projeto. Em seguida, veio a fase de coleta de amostras para análise e mapeamento.

“Com esses resultados, nossos técnicos poderão fazer uma inferência muito melhor do que a que ele faz hoje”, conclui Araújo.

PRÓXIMAS INICIATIVAS

Segundo Araújo, o projeto está dividido em cinco fases. A primeira, em andamento, envolve as atividades relacionadas ao projeto em desenvolvimento no âmbito do Programa de Inovação da Bayer. 

“Neste momento, estamos fazendo alinhamentos das equipes de Tecnologia da informação das partes envolvidas para viabilizar a troca de dados entre as partes envolvidas no projeto”, explica Araújo. “Também estamos em um processo de capacitação dos técnicos para transferência de tecnologia para os cooperados, para que esta etapa seja concluída em 2023”.

Leandro Carlos Paiva, da Embrapii/IFSuldeMinas, explica ainda que, ao longo de 2023, o banco de dados com as análises de solo serão alimentados e devem estar disponíveis para acesso dos técnicos por meio de um app mobile, com geolocalização que permitirá conhecer as características do solo em tempo real. “Mas as possibilidades de exploração da tecnologia são infinitamente maiores, e vamos desenvolvê-la ao longo dos próximos anos”, conclui.



Contato do responsável:


Mário Ferraz de Araújo, Gerente de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé - marioferraz@cooxupe.com.br


Conteúdo elaborado pela equipe do

Creator Image

Você também tem um case ou uma história de sucesso?

Conte-nos sua história

Sua cooperativa tem uma história inspiradora? Queremos conhecer! Preencha o formulário abaixo e conte como sua cooperativa está fazendo a diferença. Sua experiência pode inspirar outros e mostrar o poder do cooperativismo no Brasil. Participe e ajude a fortalecer nosso movimento!

Veja mais

InovaCoop

Em meio à sua jornada de transformação digital, a Torrefação Cooxupé inovou ao lançar uma plataforma de e-commerce B2B (Business to Business), para atender varejistas, atacados e cafeterias. A novidade moderniza a área de marketing digital da cooperativa e proporciona uma experiência multicanal para os clientes. . Em meio à sua jornada de transformação digital, a Torrefação Cooxupé inovou ao lançar uma plataforma de e-commerce B2B (Business to Business), para atender varejistas, atacados e cafeterias. A novidade moderniza a área de marketing digital da cooperativa e proporciona uma experiência multicanal para os clientes. 

InovaCoop

Mudanças no Cocamar Labs criam estrutura mais abrangente, que engloba melhoria contínua, qualidade e inovação. Saiba como o programa de inovação Cocamar Labs está promovendo a transformação digital, cultura de inovação e relacionamento com o ecossistema inovador na cooperativa. Por meio de uma visão abrangente da inovação, que engloba inovação de processos e a disruptiva, o Labs integra programas de qualidade, melhoria contínua e inovação da cooperativa.

InovaCoop

Otimização do processo reduziu em 90% consumo de papel e impressoras e em 50% o tempo necessário, além de ter gerado economia com contratação de pessoal. Após constatar consumo excessivo de tempo e recursos humanos e materiais para a inclusão de novos beneficiários no sistema, cooperativa do ramo de saúde prospectou soluções no mercado e desenvolveu sistema para inclusão de novos cadastros de forma totalmente digital, com economia de tempo e recursos.

InovaCoop

Solução inovadora aumentou a segurança e reduziu o envolvimento de pessoas no processo in loco. A Lar Cooperativa Agroindustrial, através do seu projeto “Programa de Ideias”, recebeu uma sugestão de um colaborador que visava reduzir os riscos com relação à segurança de pessoas na manutenção preventiva de elevadores de silos, realizada a cada 15 dias, em uma altura de mais de 30 metros. A solução do colaborador ganhou o prêmio Destaque em 2019 e foi implementada em 2020, com o uso de drones como alternativa inovadora para inspeção visual.

Image
SISTEMA OCB © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.