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Você conhece o termo Workslop? Saiba como identificá-lo e evitar a produtividade artificial
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O "lixo de IA" está se tornando comum nas organizações, prejudicando sua reputação e o trabalho dos colaboradores
A Inteligência Artificial Generativa abriu novas possibilidades para a criação de conteúdo e solução de problemas com enorme agilidade. Contudo, o que parecia uma ótima alternativa para fomentar a criatividade e otimizar o tempo começou a se tornar um problema: o AI Slop.
O termo pode ser traduzido como “lixo de IA”, isto é, conteúdos superficiais, repetitivos e, por vezes, enganosos que não agregam valor. A ideia de quem cria é gerar um alto volume de textos, imagens e vídeos e publicá-los nas redes sociais para monetização.
Apesar de cômicos, os conteúdos podem ter um impacto negativo nas redes. Isso porque os posts de AI Slop podem propagar informações e acontecimentos falsos, e aumentar o engajamento de postagens similares.
Além das redes sociais, o uso excessivo de IA para a produção de conteúdos superficiais passou a permear o mundo corporativo. Vamos entender mais sobre esse fenômeno e como evitá-lo? Boa leitura!
Workslop: o que é
No Instagram, TikTok e Facebook somos bombardeados com fotos, vídeos e narrativas 100% produzidas por inteligências artificiais generativas. Já no trabalho, essas publicações obsoletas tornam-se e-mails, artigos, textos, relatórios e apresentações que parecem bem feitas, mas, na realidade, não agregam em nada.
O grande problema não está no uso da IA para auxiliar a produção, e sim na combinação de prompts simples e falta de contexto sobre o assunto. Ao invés de a tecnologia auxiliar o entendimento de um e-mail, ou tornar um texto mais conciso, ela complica desnecessariamente. E o Harvard Business Review nomeou a crescente tendência de workslop, a versão corporativa do AI Slop.
Por exemplo, imagine que você precisa enviar um e-mail sobre o mais novo projeto da sua cooperativa e decide usar a IA para lhe auxiliar a redigir uma mensagem que pareça profissional e mostre que você entende do assunto. Com essas informações, a ferramenta produz um texto repleto de palavras complexas e estrangeirismos.
No entanto, quando a mensagem chega ao destinatário, ele sente dificuldade de entender o que está lendo e recorre à IA para explicar o e-mail de maneira simples e objetiva. Sendo assim, o que deveria ser uma interação rápida e sem complicações se torna um empecilho para a produtividade.
Riscos e desvantagens do workslop
A presença do workslop no ambiente de trabalho é prejudicial para a equipe, impactando negativamente na produção. A necessidade de revisar incessantemente os conteúdos afeta negativamente a produtividade dos colaboradores, fazendo com que gastem mais tempo com tarefas que deveriam ser rápidas.
Além da diminuição da produtividade, o fenômeno prejudica a qualidade das produções. Prompts simples e a falta de contextualização e detalhes criam matérias, apresentações ou relatórios genéricos, sem qualquer sentido ou dado real.
A redução da qualidade dos produtos e serviços da cooperativa acarreta outro risco: a perda de clientes fiéis. Diante de trabalhos superficiais e que não agregam valor, os consumidores buscam novas marcas que apresentam conteúdos densos e humanos.
Impactos do workslop no ambiente organizacional
O workslop também impacta negativamente o ambiente organizacional. Suponha que você precisa delegar tarefas e pede a um colega de trabalho que produza um texto importante, no entanto, ao recebê-lo, percebe que a matéria está genérica e com dados incorretos e ajustes serão necessários.
Diante disso, a relação da equipe é abalada, prejudicando a confiança entre os membros do time. Sem a segurança de um trabalho bem feito, a colaboração da equipe, pilar importante para qualquer instituição, é prejudicada.
Segundo a pesquisa do BetterUp Labs em parceria com o Stanford Social Media Lab, mais da metade dos entrevistados se sentiram incomodados com a falta de apoio. O estudo também revelou que cerca de 30% dos colaboradores entrevistados preferem não trabalhar mais com os colegas que fazem isso, e 34% notificam seus superiores sobre o ocorrido.
Utilizar ferramentas de IA e produzir conteúdos rasos e repetitivos também não é bem-visto nas organizações. A pesquisa apurou que 54% dos entrevistados consideram os colegas menos criativos, 49% os consideram menos confiáveis e 37% os consideram menos inteligentes.
Deloitte se tornou exemplo de workslop
Por vezes, os impactos do workslop vão além da perda de tempo com o retrabalho, prejudicando a tomada de decisões e, em alguns casos, levando a perdas financeiras e danos à reputação. A Deloitte, por exemplo, foi obrigada a pagar 440 mil dólares para o governo australiano após entregar um relatório com uso inadequado de IA.
Após a publicação, alguns especialistas identificaram incoerências e dados sem fonte rastreável. Um pesquisador da Universidade de Sydney chamou o acontecimento de “alucinações” de IA.
A consultoria revisou o relatório e republicou com uma referência ao uso da IA generativa no apêndice. No entanto, apesar da polêmica, a Deloitte manteve as conclusões originais alegando que as alterações não afetavam as considerações finais.
Identificando workslop
À primeira vista, um trabalho gerado por IA pode parecer impecável, com linguagem formal e uma boa formatação. Embora o workslop pareça sutil, algumas falhas revelam a falta de análise crítica e dados reais.
É importante, portanto, se atentar a algumas características que indicam o excesso de IA. Então, pegue o papel e a caneta para anotar os principais sinais do workslop:
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Falta de dados concretos: o texto apresenta afirmações grandiosas, como o “aumento significativo da rentabilidade”, mas não oferece dados que as comprovem as declarações.
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Muitos emojis: uso exagerado de emojis em contextos inadequados podem indicar o uso de IA.
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Texto genérico: o conteúdo não apresenta nenhuma análise critica ou insights originais. Além disso, as conclusões são vagas, podendo ser aplicadas a outras situações e até organizações.
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Excesso de jargões: o texto produzido parece um compilado de frases muito usadas no meio corporativo, como “alavancar resultados”, “empoderar a equipe”, “entregar valor”.
Como evitar o workslop
Se o uso de IA é inevitável, o workslop também é? Não! Com alguns cuidados e boas práticas, o fenômeno e suas consequências podem ser evitados. Confira, então, quatro dicas que vão te ajudar a impedir o workslop na sua cooperativa:
1. Utilize boas ferramentas de IA
Desde o lançamento do ChatGPT, diversas ferramentas de Inteligência Artificial surgiram. Contudo, isso não significa que elas são boas e podem ser utilizadas às cegas. A qualidade e o propósito de cada ferramenta variam imensamente, então, avalie qual se encaixa melhor na sua necessidade.
IAs como o ChatGPT são generalistas e ótimas para desenvolver rascunhos e ideias, no entanto, para analisar dados e produzir apresentações prefira ferramentas especializadas, como o Microsoft Copilot. Além disso, escolha programas que priorizem a segurança dos usuários e que informem as fontes de conteúdo que utilizam.
2. Dê contexto à ferramenta
Antes de pedir qualquer coisa às IAs, explique minuciosamente para quem é o conteúdo, qual o formato, tom de voz e o tema do texto que precisa. Para aumentar as chances do texto não ser genérico e sem dados reais, compartilhe com a inteligência artificial alguns links, pesquisas e artigos de confiança como base.
Outro modo de evitar que a IA produza algo distante do desejado é criar um template e enviar trabalhos similares. Assim, a ferramenta entende melhor o tipo de conteúdo que deseja, focando em manter o modelo compartilhado.
3. Verifique o conteúdo produzido
Por mais que você compartilhe diversos estudos, pesquisas, relatórios e matérias de confiança, ou faça um pedido detalhado, a ferramenta de IA pode cometer erros. Por isso, é essencial revisar o conteúdo com atenção.
Nem sempre a IA consegue entender exatamente o que desejamos e acaba tomando decisões que não condizem com o pedido inicial. Desde a gramática, até os mínimos dados devem ser revisados e checados.
4. Defina regras e orientações para o uso da IA
Assim como a internet não é uma terra sem lei, o uso da Inteligência Artificial não pode ser desgovernado nas cooperativas. Para evitar o workslop, e outros problemas causados pelo uso de IA no ambiente corporativo, a organização deve definir regras que orientem os cooperados e colaboradores.
Além disso, a cooperativa também pode investir em cursos que ensinem e capacitem os trabalhadores e associados a utilizarem diferentes ferramentas de IA com responsabilidade e prudência.
Conclusão: IA sem workslop
Usar IA no ambiente de trabalho é importante para agilizar processos e tornar o dia a dia mais produtivo. No entanto, precisamos ter cuidado para que o uso das ferramentas não prejudique os produtos e serviços oferecidos, nem a reputação da cooperativa.
O workslop não deve ser visto como algo normal no mundo cooperativo e, por isso, os colaboradores e cooperados precisam estar cientes das vantagens e dos riscos da Inteligência Artificial. E para começar essa jornada de aprendizado, confira o curso Impactos da Inteligência Artificial nas Cooperativas da CapacitaCoop!