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5 tendências do setor de telecomunicações para o cooperativismo acompanhar
- Parceiro: Coonecta
Com a Lei nº 15.324/2026, as cooperativas de telecomunicações ganham segurança jurídica para expandir a conectividade
As cooperativas de eletrificação rural foram as primeiras a levar infraestrutura onde outras empresas não chegavam. A partir desse princípio, o segmento seguiu crescendo e ganhando mercado. Atualmente, segundo o AnuárioCoop, as cooperativas de distribuição de energia representam mais de 40% das cooperativas do Ramo.
O sucesso da eletrificação em áreas afastadas incentivou as organizações a expandirem seus negócios para a telefonia e internet. No entanto, foi só em janeiro de 2026 que as cooperativas foram autorizadas a prestar serviços de telecomunicação com as mesmas condições que outras organizações.
Com a viabilização legal das cooperativas de telecomunicações, o ramo pode alcançar novas oportunidades e oferecer condições melhores aos cooperados, aos colaboradores e à comunidade. Entenda mais sobre a lei e confira em quais tendências o setor de telecomunicações deve ficar de olho!
O marco legal das cooperativas de telecomunicações
A proposta para incluir oficialmente as cooperativas no setor de telecomunicações surgiu em outubro de 2017. Com a aprovação da Câmara dos Deputados e do Senado, o Projeto de Lei foi encaminhado para sanção presidencial e aprovado no dia 6 de janeiro.
A Lei nº 15.324/2026 garante que as cooperativas de telecomunicações atuem com os mesmos direitos e obrigações que outras organizações tradicionais. Essa abertura de mercado permite que as cooperativas possam atender mercados desamparados de serviços de internet.
A lei também garante às cooperativas segurança jurídica para investir na própria infraestrutura. Ao terem essa segurança, elas podem planejar melhor o desenvolvimento de suas redes, assegurando que o capital investido traga benefícios duradouros para seus cooperados e para as comunidades que atendem.
Tendências para o setor de telecomunicações
Com novas oportunidades, as cooperativas de telecomunicações devem ficar atentas às tendências do setor. Implementá-las com rapidez e agilidade é a chave para inovar e se posicionar no mercado de telecom.
Então, confira cinco tendências para o setor!
1. Instalação de redes em pequenas comunidades e regiões afastadas
Grandes empresas de telecomunicações não chegam em comunidades afastadas por não serem oportunidades rentáveis a curto prazo. O resultado são desertos digitais, isto é, locais com acesso limitado ou inexistente à internet.
As cooperativas, por sua vez, olham para esses locais. Com a regulamentação do setor, as cooperativas de telecomunicações vão poder fornecer redes de fibra óptica e 5G. Faz parte do DNA cooperativo se importar com a comunidade e buscar maneiras de desenvolvê-la, proporcionando melhores condições de vida.
“Ter acesso à internet hoje é tão essencial quanto energia e água. Ao permitir que cooperativas prestem serviços de telecomunicações, estamos abrindo as portas para que comunidades rurais, ribeirinhas e periféricas finalmente tenham acesso às mesmas oportunidades que o restante do país”, disse Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações, sobre a nova legislação.
2. Agricultura digital
A presença de redes de fibra óptica e 5G em áreas rurais é uma grande oportunidade para as cooperativas agropecuárias. A conectividade viabiliza o uso de drones, sensores de solo e gestão da safra em tempo real.
A implementação dessas tecnologias beneficia diretamente os cooperados, simplificando seu trabalho e elevando o sucesso da produção. Como resultado, as cooperativas fortalecem sua competitividade e ganham maior reconhecimento no mercado.
A Cocamar, por exemplo, investiu em uma rede própria de estações meteorológicas para oferecer previsões climáticas à comunidade. As 55 estações coletam dados do solo, temperatura, umidade, vento e precipitação e os enviam à Meteoblue, parceira da cooperativa, para análise.
3. Internet das Coisas (IoT) aplicada a cadeias produtivas
A viabilidade da Internet das Coisas depende diretamente de uma infraestrutura robusta de telecomunicação. A IoT se torna uma ferramenta de gestão em tempo real que permite o monitoramento das cadeias produtivas.
No contexto do cooperativismo, a tecnologia já se manifesta de forma prática em diversas áreas: no agronegócio, com sensores para monitorar solo e clima; na logística, por meio do rastreamento de cargas; e no setor de energia, através da medição inteligente.
A tendência para 2026 é que as cooperativas assumam o papel de orquestradoras de ecossistemas, não apenas de usuárias. Em vez de contratarem serviços de outras organizações e startups, as cooperativas poderão oferecer rede própria.
4. Intercooperação e redes abertas
A adoção de modelos de redes neutras e abertas permite que as cooperativas reduzam o investimento, ganhando agilidade e competitividade. Tradicionalmente, ao criar uma rede, as organizações ficam presas a um único fabricante devido à incompatibilidade de sistemas.
A tendência das redes abertas quebra esse monopólio, trazendo flexibilidade, redução de custos e customização. Já as redes neutras têm como foco compartilhar a infraestrutura de transporte de dados entre diversas organizações.
Com uma infraestrutura compartilhada e a combinação de diferentes softwares, as cooperativas de telecomunicações se tornam gestoras de redes flexíveis e compartilhadas.
5. Oferta de serviços de valor agregado
O impacto das cooperativas de telecomunicações pode ir além da própria conexão. As organizações podem oferecer serviços de valor agregado (SVAs), ou seja, produtos que complementam o serviço principal.
Em parceria com outras cooperativas, as organizações de telecom podem criar pacotes com SVAs inclusos, ou disponibilizar a contratação avulsa. Veja algumas opções de serviços que podem ser oferecidos:
- Serviços de informação;
- Conteúdos educativos;
- Comunidade de vantagens;
- Saúde e bem-estar;
- Segurança digital.
Conclusão: o futuro das cooperativas de telecomunicações
O marco legal oferece a segurança jurídica necessária para as cooperativas ganharem espaço no mercado de infraestrutura. No entanto, o sucesso no setor exige uma gestão ambidestra, ou seja, olhar para o presente e para o futuro simultaneamente.
Ao equilibrar a operação atual com projetos inovadores, as cooperativas de telecom provam que estão atualizadas e preparadas para os desafios da era digital. Para isso, confira o e-book Gestão ambidestra: como manter um olho no presente e projetar o outro para o futuro.