Topbar OCB
Batalhão do Bem: Unicred Ponto Capital qualifica artesãs para reciclar resíduos têxteis e gerar renda
Contexto
A Unicred Ponto Capital, cooperativa de crédito sediada em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, foi confrontada com uma demanda que estava afetando sua comunidade local: a necessidade de descartar, de forma ambientalmente responsável, quase 10 toneladas de fardas militares em desuso. A cidade é um importante centro militar e abriga a segunda maior concentração de tropas do Brasil.
Em uma reunião com autoridades locais, o presidente da cooperativa, Flavio Cabreira Jobim, foi convidado a participar de um grupo de trabalho com empresários da região para ajudar a resolver o problema. A cooperativa convidou o Instituto Unicred, braço social do sistema, para traçar algumas alternativas. Assim nasceu o Batalhão do Bem: um projeto socioambiental que promove a transformação, customização e doação destes resíduos têxteis.
O projeto capacita mulheres em situação de vulnerabilidade social para descaracterizar os tecidos militares e transformá-los em outras peças, como bolsas e mochilas, prolongando seu ciclo de vida. A iniciativa não apenas minimiza o impacto ambiental do descarte desses materiais, como também cria uma oportunidade de geração de renda para as artesãs, contribuindo para o empoderamento econômico destas mulheres.
Desafios
Num primeiro momento, a solução pleiteada para as fardas e vestimentas descartadas era o tingimento dos tecidos - já que civis não podem usar roupas militares - e a doação para pessoas que trabalham com reciclagem de lixo. Porém, o custo do tingimento terceirizado era alto.
Segundo Wellinton Azambuja, assessor de Governança da Unicred Ponto Capital e coordenador do projeto, o orçamento inicial para o tingimento foi de R$ 2 milhões, o que inviabilizaria o projeto. O Instituto Unicred sugeriu, então, uma saída complementar: capacitar artesãs da região para transformar as fardas em outras peças e comercializá-las, dando nova vida aos resíduos.
Em 2023, primeiro ano do projeto, parte das roupas foi de fato tingida e doada a recicladores, mas outra parte foi destinada à costura e customização por mulheres de comunidades carentes que passaram pelo treinamento. O resultado das vendas fica inteiramente com as artesãs, que assim dispõem de uma nova fonte de renda.
Já no ano seguinte, a parte de tingimento foi abandonada e os esforços se concentraram totalmente na capacitação das costureiras. “A gente conseguiu, através de dados, mostrar que o investimento na parte educacional geraria um benefício muito maior, porque tiraria pessoas da informalidade, geraria renda e atingiria um público mais amplo do que apenas uma doação”, afirma Azambuja. “Por isso, já no segundo ciclo o investimento total foi para corte, costura e customização, e assim segue até hoje”.
Desenvolvimento
Os cursos abordam não apenas aspectos técnicos de costura, mas também conceitos de microempreendedorismo e finanças, para ajudar as participantes na precificação e comercialização de seus produtos. Atualmente são oferecidos três módulos distintos, com carga horária que vai de 40 a 60 horas cada um, totalizando 140 horas/aula em cada cidade onde o projeto está presente.
Depois do lançamento em Santa Maria, o Batalhão do Bem foi expandido em 2024 para Santiago, outra cidade do interior do Rio Grande do Sul, e em 2025 chegou aos municípios de Uruguaiana e Cachoeira do Sul. Neste terceiro ciclo, para facilitar a expansão, o curso passou a ser ministrado no caminhão-escola do Senai, uma unidade móvel completamente equipada que pode se locomover entre as diferentes comunidades.
O caminhão-escola ajuda a resolver um dos desafios que o projeto enfrentou em seus dois primeiros anos: a dificuldade de acesso das alunas às aulas, que aconteciam no centro da cidade. Segundo Azambuja, logo no início notou-se que havia muitas faltas devido ao custo do transporte, já que a maior parte das alunas mora nas periferias.
Em uma parceria com a prefeitura, o projeto passou a oferecer então um ônibus gratuito dedicado a esta rota. Porém, o horário do transporte trouxe um segundo empecilho. “O curso começava às 14h e a rota começava ao meio-dia. Muitas alunas não conseguiam almoçar, por isso vinham com fome ou deixavam de vir”, explica o coordenador do projeto. A Unicred passou então a oferecer um lanche, o que teve impacto significativo na frequência.
“Agora, em 2025, entendemos que precisávamos ir até os locais onde este público está, por isso contratamos a unidade móvel para levar o projeto para mais perto da comunidade”, conta Azambuja.
Resultados
Em seus dois primeiros anos o projeto conseguiu absorver aproximadamente duas toneladas de peças, parte delas destinada às doações e outra parte utilizada para customização. A meta para o ciclo de 2025 é processar mais uma tonelada de material e produzir outras mil peças requalificadas.
Em 2023 foram capacitadas 30 pessoas em Santa Maria, enquanto em 2024 foram 40 alunos ao todo, entre Santa Maria e Santiago. Já no ciclo atual, cerca de 50 novas artesãs devem ser capacitadas nas quatro cidades atendidas.
Até o momento, o investimento total no projeto pela Unicred e seus parceiros foi de R$ 470 mil, ainda sem considerar o fechamento orçamentário de 2025. Para o futuro, o objetivo é aumentar o número de participantes e expandir o Batalhão do Bem para as seis cidades onde a Unicred Ponto Capital está presente no Rio Grande do Sul.
Azambuja destaca que o projeto tem potencial para ser multiplicado em território nacional, afinal, o descarte de uniformes e resíduos têxteis é um problema de todo o Exército e também de outras instituições.
Próximas iniciativas
Atualmente está em curso a criação de uma sede física para o projeto em Santa Maria. A Unicred já tem um espaço cedido e está preparando o projeto arquitetônico. O espaço vai se chamar Movimento Batalhão do Bem e funcionará como um ateliê onde as alunas formadas que não tiverem o equipamento em casa possam trabalhar.
A Unicred está tentando incentivar também a criação de uma cooperativa de trabalho por estas ex-alunas, com endereço na mesma sede, a fim de profissionalizar o negócio e garantir sua continuidade.
“Temos esse público formado e precisamos engajar essas pessoas. Algumas delas são MEI [Microempreendedor Individual], outras empreendem informalmente. Queremos despertar o interesse em criar uma cooperativa, porque sabemos que a demanda é enorme”, disse Azambuja. “Já recebemos contato de outras instituições que têm uniformes e não querem descartar da forma convencional”.
Ele acrescenta ainda a possibilidade da criação de uma cooperativa educacional para garantir que o projeto vá adiante com mais independência financeira. Hoje, cerca de 60% do financiamento depende do Fundo Social do Sescoop-RS.
“O objetivo principal é que o projeto não acabe e, olhando pelo aspecto da sustentabilidade financeira, a cooperativa educacional parece uma alternativa interessante”, conclui o coordenador.
Contato:
Wellinton Azambuja, assessor de Governança da Unicred Ponto Capital: wellinton.martins@unicred.com.br.
Você também tem um case ou uma história de sucesso?
Conte-nos sua história
Veja mais
Hub aproxima cooperados às novas tecnologias do agro e desenvolve cultura de inovação na cooperativa. . Criado em 2018, o Avance Hub é o espaço de inovação da Coplacana, Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo. A iniciativa, finalista do Prêmio SomosCoop Melhores do Ano 2020 na categoria Inovação, tem apoiado o desenvolvimento de startups e soluções tecnológicas para os cooperados da Coplacana, além de fomentar uma cultura de inovação na cooperativa.
O NAmob é responsável por armazenar detalhes sobre a área de produção e o plantio das uvas. Para tornar a gestão das propriedades dos cooperados mais ágil, a Cooperativa Nova Aliança apostou na criação de um aplicativo. O app, batizado como NAmob, armazena detalhes sobre as áreas de produção e o plantio, funcionando como um caderno de campo digital. Com a implementação do software, a cooperativa passou a ser mais ágil na liberação das safras.
Sinal de qualidade beneficia população com serviços de telemedicina e garante conexão a produtores rurais. RESUMO CARDSituada à altura do Círculo Polar Ártico, Rovaniemi, na Finlândia, é uma das cidades mais setentrionais do planeta. A pequena população de 59 mil habitantes tinha limitado acesso a serviços tecnológicos. Neste contexto, um grupo de moradores decidiu criar uma cooperativa para levar internet de alta qualidade, até então indisponível, para a população local. O projeto teve início em 2016 e, em junho de 2019, a rede foi totalmente concluída.
Com estruturas e serviços compartilhados, cooperativa está presente em 9 países europeus, conta com 35 mil associados e movimenta mais de 200 milhões de euros por ano. Cooperativa de plataforma que nasceu como associação sem fins lucrativos, em 1998, na Bélgica, conta, atualmente, com mais de 35 mil trabalhadores autônomos como associados e está presente em 40 cidades de 9 países europeus. Iniciativa oferece estrutura compartilhada de serviços para apoiar a atividade profissional de trabalhadores independentes.