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Inovação e escala na bioeconomia amazônica

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2026
Norte
Agropecuário
Cooperativa Agroindustrial Fruto da Amazônia (COAFRA)
Bioeconomia, captação de recursos , Eficiência Proodutiva
Inovação de produto
transformação digital
A COAFRA, cooperativa fundada em 2021, estruturou governança, acessou financiamento de impacto e implantou tecnologia de beneficiamento de macaxeira. A automação elevou produtividade em mais de 2.000%, ampliou empregos e permitiu expansão comercial. O faturamento cresceu de R$ 300 mil para milhões, consolidando atuação na bioeconomia amazônica sustentável e fortalecendo cooperados e mercados nacionais.

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Contexto

A Cooperativa Agroindustrial Fruto da Amazônia (COAFRA) atua no ramo agroindustrial e foi fundada em 2021, no município de Castanhal, no estado do Pará, a partir da iniciativa de 65 produtores rurais. Desde sua criação, a cooperativa estabeleceu como missão central a profissionalização da produção rural na Amazônia Paraense, buscando estruturar processos produtivos, ampliar o acesso a mercados e agregar valor à produção local. Em um intervalo de apenas três anos, a COAFRA apresentou uma trajetória de crescimento acelerado, saindo de um faturamento anual de aproximadamente R$ 300 mil para R$ 8,5 milhões, consolidando sua presença em redes de varejo. Esse desempenho foi acompanhado por uma expansão expressiva do quadro social, que passou a contar com 375 cooperados ativos, representando um crescimento de 476% desde a fundação.

 Desafios

Apesar do crescimento comercial, a cooperativa enfrentava desafios estruturais relevantes. Um dos principais estava relacionado ao gargalo de gestão e compliance para acesso a fomento. A obtenção de recursos financeiros, sejam eles reembolsáveis ou oriundos de editais, exige níveis elevados de governança, organização contábil e capacidade de demonstrar impactos socioeconômicos e ambientais. A ausência de documentação robusta e de métricas consolidadas dificultava a entrada de capital necessário para sustentar a expansão da COAFRA. Paralelamente, havia um gargalo significativo de produtividade operacional. O processo de beneficiamento da produção era predominantemente artesanal e lento, e a logística de empacotamento manual limitava a capacidade de atendimento a contratos de maior escala. Essa condição gerava um elevado custo de oportunidade e resultava na subutilização da capacidade produtiva dos cooperados.

Desenvolvimento

Para enfrentar esses desafios, a COAFRA adotou uma estratégia baseada na articulação com atores do ecossistema cooperativista e de impacto socioambiental. No campo da gestão e captação de recursos, a cooperativa estabeleceu parceria com o Sistema OCB/PA, por meio da qual desenvolveu a escrita técnica de projetos voltados à captação de recursos. Como resultado desse processo, a COAFRA acessou financiamento junto à SITAWI. A parceria estratégica com a SITAWI, organização de referência em soluções financeiras de impacto socioambiental, representou um divisor de águas para a cooperativa. Em 2024, foram captados recursos reembolsáveis destinados à implantação da agroindústria, com foco específico na unidade de beneficiamento e embalamento de macaxeira. A execução bem-sucedida do projeto, aliada ao histórico de conformidade e boa governança, fortaleceu o relacionamento institucional, permitindo que, em 2025, a cooperativa acessasse novos processos de captação. Essa transição do financiamento de ativos fixos para o suporte operacional evidencia a evolução da saúde financeira e do nível de confiança institucional da COAFRA no mercado.

No eixo tecnológico, a cooperativa implementou uma unidade de beneficiamento voltada à macaxeira, contemplando tanto o empacotamento do produto farinha quanto o embalamento da macaxeira in natura a vácuo. A introdução de uma empacotadeira automática, associada à certificação das casas de farinha, promoveu uma transformação estrutural no modelo produtivo. O produto deixou de ser tratado como uma commodity artesanal e passou a ser posicionado como um item padronizado, com maior valor agregado e apto a ocupar prateleiras de mercados mais exigentes.

Resultados

Os resultados obtidos evidenciam um ganho expressivo de eficiência sistêmica, que pode ser analisado sob duas perspectivas complementares. Do ponto de vista da eficiência operacional, a produtividade no empacotamento apresentou um salto significativo. Antes da automação, quatro pessoas eram responsáveis por embalar cerca de 600 quilos por dia. Com a adoção da tecnologia, duas pessoas passaram a embalar aproximadamente 800 quilos por hora. Em termos analíticos, esse avanço representa um aumento superior a 2.000% na produtividade por hora-homem, com redução substancial do custo unitário. Sob a ótica do impacto econômico-social, os efeitos também são relevantes. O número de colaboradores diretos cresceu de seis para vinte, contribuindo para o fortalecimento da economia local. Além disso, a projeção de faturamento de R$ 12 milhões para 2025 demonstra que a inovação permitiu à cooperativa acessar mercados e oportunidades antes não alcançados.

Próximas Iniciativas

O horizonte estratégico da COAFRA passa a se concentrar na diversificação e consolidação de sua atuação na bioeconomia amazônica. A ampliação do portfólio de produtos, por meio do desenvolvimento de novas linhas de itens beneficiados, busca aproveitar de forma mais intensiva a infraestrutura industrial já instalada. Este caso ilustra de forma clara que a inovação no cooperativismo resulta da combinação entre orquestração de parcerias, disciplina na gestão de projetos e uso estratégico de instrumentos de fomento, sendo esses elementos fundamentais para destravar o valor real da produção regional e promover desenvolvimento sustentável.

Contato do responsável pelo case:

Joel Linhares

Presidente

E-mail: cooperativacoafra@gmail.com

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