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Plano Safra e cooperativismo de crédito: como as coops impulsionam a inovação no campo
- Parceiro: Coonecta
Cooperativas financeiras transformam financiamento governamental em soluções práticas
O Plano Safra 2026/2027 entrou em vigor no início de julho e é a principal política pública de financiamento do agronegócio do país. Para este ciclo, o programa destinou R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial e R$ 97,3 bilhões à agricultura familiar, dos quais R$ 85,2 bilhões estão reservados ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Mesmo com a Selic em patamar elevado, o Plano Safra reduziu as taxas de juros das principais linhas de financiamento. Algumas das quedas chegaram a 1,5 ponto percentual em comparação com o ciclo anterior.
Os beneficiários diretos do programa são as cooperativas agropecuárias e os produtores rurais, mas são as coops de crédito que fazem a ponte entre o recurso público e a modernização do campo. São elas que garantem a chegada de novas tecnologias aos pequenos e médios produtores, transformando em realidade investimentos que antes eram inacessíveis.
Para aproveitar essas oportunidades, é essencial conhecer as ferramentas disponíveis. Confira quais são as linhas de crédito do Plano Safra para cooperativas e veja casos concretos de coops que já utilizam esses recursos para inovar.
Como o crédito cooperativo leva tecnologia para o campo
Para garantir que a inovação não fique restrita aos gigantes do agronegócio, o Plano Safra conta com linhas de crédito exclusivas para o ecossistema cooperativo. É o caso do Prodecoop, voltado à modernização produtiva e comercial das cooperativas agro.
Outra linha é o Procap-Agro, destinado a coops agropecuárias, agroindustriais, aquícolas e pesqueiras. O programa disponibiliza capital de giro para a sustentação das operações ou para a recuperação financeira das cooperativas.
É nesse contexto que os grandes sistemas de crédito cooperativo anunciam suas ofertas para o novo ciclo. A previsão para este ano contempla, por exemplo, R$ 72,1 bilhões do Sicredi, R$ 70 bilhões do Sicoob e R$ 18 bilhões da Cresol.
Esses recursos se convertem em soluções práticas de automação, sistemas de gestão e análise de dados, amparando as cooperativas agropecuárias que não teriam condições de custear a aquisição e o desenvolvimento dessas tecnologias de forma isolada.
A seguir, conheça algumas iniciativas viabilizadas pelo crédito cooperativo.
Rastreabilidade e certificação
O cooperativismo agropecuário já implementa diversas novidades tecnológicas no dia a dia dos produtores, unindo técnica e responsabilidade ambiental. Um dos exemplos é a Sicredi Sementes do Sul, que desenvolveu um programa focado em conectar cafeicultores às demandas do mercado externo por produtos sustentáveis.
A parceria estabelecida com a cooperativa Costas 5588, que reúne produtores de café, permitiu aos pequenos agricultores o acesso a certificadoras e metodologias voltadas à redução de carbono. O propósito é agregar valor ao café das cooperativas por meio da certificação, expandindo suas oportunidades no mercado externo.
Já o Sicoob Metropolitano adotou o blockchain ao adquirir tokens não fungíveis (NFTs) ambientais que representam áreas preservadas da Mata Atlântica. A ferramenta assegura rastreabilidade, monitoramento e transparência no acompanhamento e na proteção das zonas florestais.
Recuperação de áreas degradadas
Transformar solos empobrecidos em fontes de renda eficientes é outro resultado do direcionamento do crédito cooperativo. Com o apoio do Sicoob Confiança, um produtor do Paraná conseguiu reverter o estado de abandono e degradação de sua propriedade.
O investimento de R$ 451 mil e o auxílio técnico da cooperativa possibilitaram a implantação de uma estrutura moderna de piscicultura de tilápias integrada à cooperativa C.Vale, que garantiu a comercialização e a exportação da produção. O produtor instalou ainda um sistema de energia solar, tornando a propriedade autossustentável.
Na mesma linha, o Sicoob Montecredi auxiliou a transição para a cafeicultura regenerativa em uma fazenda no Cerrado Mineiro. A iniciativa recuperou uma área considerada improdutiva e a transformou em um modelo de produção carbono zero.
Gestão hídrica inteligente e irrigação de precisão
O Sicoob Credip tem liderado a transformação da cafeicultura em Rondônia ao promover a adoção de plantas clonadas e de sistemas modernos de irrigação. Desenvolvida em conjunto com a Caferon e a Embrapa, a iniciativa elevou a produtividade média da região, com menos de 1% de desmatamento e a recuperação de solos degradados.
Já o Sicoob Credicitrus atua diretamente na recuperação e na conservação de fontes de água em propriedades rurais por meio do projeto 100 Nascentes. A cooperativa financia o isolamento das áreas degradadas e o plantio de mudas nativas ao redor das nascentes.
A iniciativa conta ainda com monitoramento técnico por dois anos, o que garante que as bacias hidrográficas das regiões produtoras continuem ativas e saudáveis.
Transição para matrizes renováveis
Fazer a transição para matrizes renováveis está no radar de cooperativas de crédito como o Sicoob Aracoop. Com o objetivo de fortalecer a agricultura local, a cooperativa viabilizou um aporte de mais de R$ 3 milhões para a construção de uma usina fotovoltaica destinada à Associação dos Usuários do Projeto Pirapora (AUPPI), em Minas Gerais.
A energia limpa gerada pela usina abastece os sistemas de captação e distribuição de água e a irrigação de mais de mil hectares de frutas. A iniciativa reduziu drasticamente os custos operacionais de produção para as famílias agrícolas da região.
Conclusão
Ao aproximar os pequenos e médios produtores das inovações tecnológicas do mercado, o cooperativismo de crédito prova que desenvolvimento sustentável e inovação se constroem em rede. Nas mãos de cooperativas engajadas, os recursos dos programas de financiamento ganham impacto econômico e social.
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