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Como o cooperativismo se conecta às missões nacionais da Nova Indústria Brasil
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O que é a Nova Indústria Brasil (NIB)
A Nova Indústria Brasil (NIB) é a estratégia de neoindustrialização do país, que busca reconstruir capacidades produtivas, elevar a competitividade e inserir o Brasil na economia de baixo carbono e de alta tecnologia. A política se organiza em seis missões nacionais, que orientam investimentos, regulações, projetos e incentivos:
- Agroindústria sustentável e de baixa emissão
- Complexo econômico-industrial da saúde
- Transformação digital da economia
- Descarbonização, transição energética e bioeconomia
- Cadeias produtivas estratégicas para soberania e reindustrialização
- Economia circular, inclusão produtiva e desenvolvimento regional
A partir dessas missões, a NIB articula instrumentos públicos e privados para impulsionar inovação, sustentabilidade, produtividade e fortalecimento de setores estratégicos. É nesse cenário que o cooperativismo, pela força de suas cadeias, capilaridade territorial e modelo colaborativo, assume papel decisivo.
“O cooperativismo destaca-se como vetor essencial para executar as missões da NIB,
ampliando a inovação, fortalecendo cadeias produtivas e
impulsionando o desenvolvimento sustentável nos territórios.”
Missões da NIB, vocações cooperativas e seus desafios
No campo da agroindústria sustentável, cooperativas agropecuárias já operam cadeias de valor que integram produção rural, processamento industrial, logística, exportação e agregação de tecnologia. A missão da NIB de descarbonizar e elevar o patamar tecnológico do agro brasileiro se conecta a práticas já difundidas no cooperativismo, como agricultura de precisão, gestão compartilhada de insumos, bioinsumos, energias renováveis e uso inteligente de dados.
Essa conexão também se observa na saúde, onde cooperativas do ramo são fundamentais na oferta de serviços, adoção de soluções digitais, qualificação profissional e articulação de redes. A missão da NIB de ampliar a produção nacional de medicamentos, equipamentos, tecnologias e serviços inovadores encontra nessas organizações um canal importante para difusão, validação e escalabilidade de soluções. Desta forma, cooperativas podem trazer resiliência e soberania nacional adotando atividades de pesquisa e produção industrial em seu portfólio de projetos, levando para estratégias adjacentes ao negócio principal iniciativas que reduzam a dependência externa de insumos e produtos biofarmacêuticos.
A transformação digital, uma das bases da NIB, é também uma demanda estratégica no cooperativismo. Em diversos setores, surgem AgTechs, FinTechs, HealthTechs e plataformas de gestão compartilhada como soluções para ampliar eficiência operacional, reduzir perdas, qualificar dados e garantir competitividade global. A política industrial incentiva investimentos em infraestrutura digital, inteligência artificial, conectividade e automação, áreas em que cooperativas podem atuar tanto como usuárias quanto como desenvolvedoras de tecnologia, especialmente quando articuladas em redes intercooperativas.
Apesar desse alinhamento natural, persiste o desafio da tradução prática das diretrizes da NIB em iniciativas concretas no ambiente cooperativista. Linhas de fomento para inovação, como as disponibilizadas pelo BNDES, Finep e fundos verdes internacionais, exigem projetos estruturados, métricas técnicas, governança de P&D e capacidade de gestão de riscos, elementos ainda pouco difundidos em parte do setor. O fortalecimento de núcleos de inovação, a formação de consórcios cooperativos e a profissionalização técnica são caminhos essenciais para aproveitar plenamente a política industrial.
Cooperativas como protagonistas da neoindustrialização
O alinhamento estratégico com a NIB permite às cooperativas não só acessar fomento, mas liderar a inovação de base local e sustentável no país. A sinergia entre as missões da NIB e o modelo cooperativista revela um potencial que vai além da execução de projetos: posiciona as cooperativas como articuladoras de ecossistemas locais de desenvolvimento. Sua governança democrática, a escala produtiva compartilhada e a presença consolidada nos territórios criam condições ideais para sustentar processos industriais inovadores onde empresas tradicionais não chegam, ou não permanecem.
Essa combinação permite ao cooperativismo promover inclusão produtiva, dinamizar cadeias regionais, ampliar o acesso à tecnologia e gerar impacto econômico e social de longo prazo. Assim, as cooperativas se tornam agentes estratégicos da neoindustrialização, contribuindo para um modelo de desenvolvimento mais distribuído, resiliente e sustentável, exatamente o que a NIB busca estimular.
Nesse contexto, transformar esse potencial em resultados concretos exige que as cooperativas avancem de forma estruturada, articulando inovação, governança e colaboração em rede. A atuação protagonista na neoindustrialização só se materializa quando o cooperativismo converte suas vantagens competitivas, capilaridade, integração produtiva e impacto territorial, em iniciativas práticas capazes de impulsionar novos modelos industriais, fortalecer cadeias estratégicas e ampliar o alcance das missões da NIB. Isso se traduz em oportunidades claras, como:
- Formação de hubs e ICTs privados de cooperativas, conectando universidades, startups e parques tecnológicos.
- Projetos intercooperativos para produção industrial, bioeconomia, digitalização e energias renováveis.
- Ampliação da transformação digital com sistemas integrados e escaláveis.
- Captação estruturada de recursos em programas da NIB, BNDES, Finep e fundos verdes.
- Desenvolvimento territorial de impacto, alinhado às metas nacionais de neoindustrialização sustentável.
Conclusão
A convergência entre as missões da NIB e as vocações históricas do cooperativismo mostra que o setor não é apenas beneficiário da política industrial, mas um de seus principais executores e impulsionadores. Com capacidade de mobilização coletiva, presença territorial e domínio de cadeias produtivas estratégicas, as cooperativas estão posicionadas para conduzir soluções inovadoras, promover inclusão produtiva e acelerar a transição para um modelo industrial sustentável e competitivo.
A NIB, portanto, não apenas abre oportunidades: ela oferece ao cooperativismo um papel estruturante na neoindustrialização brasileira, um papel que o setor já tem condições reais de assumir e ampliar.