Topbar OCB

INDICA NOTÍCIAS
Reflexões que emergem da jornada cooperativa pela inovação

Reflexões que emergem da jornada cooperativa pela inovação

  • Artigos em destaque na home: Artigo Principal
  • Parceiro: ABGI

O Processo captação de recursos para inovação das cooperativas

A busca por viabilizar projetos é complexa e demanda organização e priorização de ações que corroboram para o acesso a crédito. Porém, existem impeditivos que tornam essa operação complexa, como a ilegibilidade em chamadas e editais, que era o caso das cooperativas em algumas chamadas públicas da Finep, uma das principais agências de fomento do país. Porém a sanção da Lei 15.184/2025 é um divisor de águas para a inovação no cooperativismo brasileiro. Ao compreenderem a importância socioeconômica para o desenvolvimento do país, formalizando as cooperativas como um dos motores-chave para o processo de geração de capital tecnológico e econômico.  

Historicamente, o setor enfrentava barreiras no acesso ao FNDCT (Fundo Nacional para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico), o principal motor de CT&I (Ciência, Tecnologia e Inovação) do país. No entanto, a análise fria dos dados revela que o verdadeiro gargalo da captação não reside na escassez de recursos, mas na assimetria de linguagem entre as cooperativas e as agências de fomento. É imperativo "traduzir" projetos para a semântica de P&D, além de estruturar uma governança de projetos robusta. 

  “Ter uma ideia disruptiva é apenas o ponto de partida, o sucesso depende de um motor de gestão capaz de mitigar o risco tecnológico e converter incertezas em ativos estratégicos de alto valor agregado para o quadro social e o mercado.”  

A mudança e a Introdução ao FNDCT  

A recente mudança no FNDCT torna as cooperativas formalmente elegíveis para os editais da FINEP, abrindo uma janela de oportunidade sem precedentes. Ao serem equiparadas às empresas no acesso a recursos não reembolsáveis e crédito subsidiado, elas deixam de ser espectadoras para se tornarem protagonistas do Sistema Nacional de CT&I. Essa alteração legislativa elimina a barreira jurídica histórica, permitindo que o modelo cooperativo, por natureza focado na escala e no impacto social, acesse o combustível financeiro da fronteira tecnológica. Contudo, essa nova fase exige uma conformidade técnica rigorosa com os critérios de excelência em pesquisa aplicada. 

O desafio central reside na capacidade de “traduzir” o projeto de negócio em um projeto de CT&I. Agências como a FINEP não financiam o “produto” finalizado, mas sim o processo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) que leva até ele. O fomento busca a incerteza, o ato de expandir as fronteiras do conhecido. Se a proposta da cooperativa foca meramente na aquisição de bens de capital ou na expansão comercial direta, ela falha em demonstrar o risco tecnológico essencial para a aprovação. Para o avaliador, o valor está no "salto no escuro" controlado. Sem o componente de dúvida científica ou incerteza técnica, o projeto é considerado investimento de capital comum, ficando de fora da lógica de subvenção econômica e do fomento à inovação.  

Transformação estratégica das Cooperativas para captação de recursos  

O foco deve migrar do "o quê" para o “como” a inovação será desenvolvida. Isso exige o detalhamento da pesquisa aplicada, do risco tecnológico e da experimentação envolvida. No ambiente cooperativo, é necessário tratar o projeto como um conjunto de hipóteses científicas a serem validadas. O rigor técnico demanda que a organização descreva suas metodologias, as falhas potenciais e os marcos evolutivos (denominados como milestones). O sucesso, nesta ótica, é medido pela mitigação controlada das incertezas técnicas ao longo do cronograma. Demonstrar domínio sobre os níveis de maturidade tecnológica torna-se, portanto, um diferencial competitivo crucial para a aprovação de propostas robustas e escaláveis. 

Para sustentar essa nova complexidade gerencial de projetos de inovação, a organização interna é indispensável. A criação de comitês ou áreas dedicadas à inovação é um passo fundamental rumo à maturidade institucional. Sem uma estrutura formal, a inovação corre o risco de ser um evento episódico ou reativo, e não um processo sistemático de criação de valor. Neste sentido, o engajamento da alta liderança da cooperativa é uma etapa imprescindível para a continuidade dos projetos, por serem projetos de natureza complexa e de retorno prolongado. 

As áreas de inovação funcionam como tradutores internos bidirecionais: captam as dores reais do cooperado e as convertem em desafios de inovação, garantindo que o portfólio de projetos esteja alinhado com a visão estratégica no momento de acesso a crédito das agências de fomento. A governança da inovação institucionaliza o pensamento disruptivo, permitindo que a cooperativa mantenha sua essência equitativa enquanto opera em patamares de eficiência e sofisticação técnica típicos das grandes corporações. 

Uma estrutura de governança bem desenhada organiza o portfólio de projetos e garante a capacidade de gestão e a prestação de contas dos recursos captados. Gerir capital público via FNDCT exige um compliance rigoroso e uma engenharia financeira sofisticada, além de um alinhamento institucional prévio. A governança assegura que cada centavo seja rastreável e que os resultados técnicos sejam rigorosamente documentados para auditoria. Esse processo cria um círculo virtuoso: a excelência na execução de um projeto proporciona um relacionamento e um alinhamento positivo da cooperativa perante as agências de fomento. Com um histórico sólido de entregas e transparência, as janelas para captações futuras tornam-se cada vez mais acessíveis, transformando a gestão de P&D em uma vantagem competitiva sustentável. 

Conclusão  

A elegibilidade ao FNDCT e o acesso à FINEP representam a porta aberta, contudo, a maturidade na gestão de P&D e a estruturação interna são as chaves fundamentais para atravessá-la. O cooperativismo brasileiro agora detém o combustível financeiro necessário para fortalecer ainda mais as cadeias produtivas em que está inserido. No entanto, a transição de um modelo puramente operacional para um modelo de base tecnológica sólida exige coragem estratégica dos líderes. É o momento de investir na própria governança de inovação para garantir que a oportunidade legislativa se converta em progresso científico e prosperidade real para todos os associados no longo prazo.

Conteúdo desenvolvido
em parceria com

Conteúdos Relacionados

Image
SISTEMA OCB © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.