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Como a Nintendo saiu do fracasso do WiiU para o sucesso do Switch por meio da inovação
- Parceiro: Coonecta
Gigante japonesa dos games tem mais de 130 anos de história e já se reinventou várias vezes, mas nenhuma foi tão marcante quanto essa
Testar uma ideia, perceber que ela não funcionou e ajustar o caminho faz parte de qualquer processo de inovação. Com mais de 130 anos de história, a Nintendo já mudou de rota várias vezes, mas poucas mudanças foram tão marcantes quanto a que aconteceu entre o WiiU e o Switch.
O Nintendo Switch é o segundo console mais vendido da história dos videogames e representou uma virada de chave para a organização. Ele veio após um de seus maiores fracassos comerciais, o WiiU. Vamos entender como a inovação foi fundamental para essa transformação da gigante japonesa!
Uma história de transformações e inovações
A história da Nintendo é marcada por inovações e mudanças de rota e diferentemente do que muitos pensam, ela não começou nos videogames. Em 1889, Fusajiro Yamauchi fundou a Nintendo e passou a vender os baralhos de hanafuda, um jogo de cartas japonês, com estampas coloridas feitas à mão.
O jogo foi aprovado pelo governo japonês e começou a fazer sucesso no país, mas a fama ultrapassou as fronteiras. Em meados de 1902, a empresa começou a produzir versões ocidentais do baralho e em 1959 passou a vender cartas com personagens da Disney para o público infantil.
Já em 1963, decidiu diversificar sua atuação no mercado. Nessa época, a organização comercializou arroz instantâneo, abriu uma franquia de motéis e investiu em uma companhia de táxi.
Foi só em 1977 que a Nintendo entrou para o mundo dos jogos eletrônicos com o TV Game 6 e o TV Game 15. Três anos depois, em 1980, viria o Game & Watch. Mas a companhia realmente decolou com o lançamento do jogo Donkey Kong nas máquinas de fliperama.
O sucesso nos arcades impulsionou o lançamento do Nintendo Entertainment System (NES) nos anos 80, console que salvou a indústria de videogames e apresentou títulos lendários como Super Mario Bros., The Legend of Zelda e Metroid. A partir dali, a empresa passou a ditar os rumos do mercado apostando na criatividade e inovação.
Nas décadas seguintes, essa filosofia transformou a Nintendo em um gigante da cultura pop através de marcos como o Game Boy nos portáteis, o Super Nintendo e o Nintendo 64 na evolução dos gráficos, e mais recentemente o sucesso massivo do Wii e a versatilidade do Nintendo Switch.
O fracasso do WiiU: o erro como aprendizado
Em 2006, a Nintendo lançou o Wii para competir com os concorrentes da Microsoft e Sony, Xbox 360 e PlayStation 3, respectivamente. A ideia da desenvolvedora japonesa era conquistar um público mais amplo, como famílias, idosos e jogadores casuais.
A Nintendo focou em controles simples de movimento e abriu mão dos gráficos em alta definição (HD). Dessa maneira, além de expandir o mercado, a organização oferecia um videogame barato e fácil de jogar.
No entanto, a falta de alta definição passou a ser um problema quando as TVs em HD viraram padrão. Para reconquistar os jogadores, a Nintendo criou o WiiU, mas a novidade foi um fracasso.
Os erros do WiiU
Os problemas começaram na comunicação. O nome do console, o anúncio de lançamento e as campanhas de marketing deram a entender que o WiiU era um acessório para o Wii, e não um novo console.
Além da confusão sobre o papel do novo aparelho, o WiiU chegou ao mercado mais caro que seu antecessor, mas sem entregar valor evidente a quem comprava. Quem já tinha o Wii não via necessidade de trocá-lo e não entendia o que o lançamento oferecia de novidade.
O hardware também foi um problema. O WiiU trouxe um controle inédito: um GamePad com uma tela sensível ao toque embutida, que permitia continuar jogando mesmo sem a televisão ligada. Foi uma espécie de embrião do que o Switch faria depois, mas preso a uma base fixa.
A questão é que poucos jogos exploravam essa segunda tela de forma relevante, e a proposta era difícil de explicar. Era uma ideia revolucionária no papel, mas que na prática só tornava a experiência mais complexa e sem ganho real.
Nem só de Mario vive um console
Com vendas abaixo do esperado e um hardware inferior aos concorrentes, os estúdios não desenvolveram jogos para o console, reduzindo o catálogo e diminuindo ainda mais o interesse do público. Segundo dados oficiais da Nintendo, o WiiU vendeu apenas 13,56 milhões de unidades no total.
Sem uma boa base instalada, o WiiU perdeu o interesse das desenvolvedoras de jogos. Com isso, cada vez menos games relevantes eram lançados para o console, sem contar os da própria Nintendo. Essa lógica gerava uma espiral: vende menos porque tem poucos jogos interessantes e tem poucos jogos interessantes porque vende menos.
Nesse período, a gigante japonesa ainda mantinha uma estratégia que vinha dando certo nas gerações anteriores: manter, simultaneamente, um console de mesa e um portátil. Mas o setor havia mudado e na prática, esses dois mercados estavam se canibalizando. A ascensão dos smartphones como plataformas para a jogatina também contribuiu para essa transformação. Era hora de mudar de estratégia – com base na inovação.
Esses fatores se refletiram diretamente no caixa da companhia: a Nintendo registrou prejuízos operacionais nos anos seguintes ao lançamento do WiiU, algo raro em sua história. O fracasso do console também foi financeiro e escancarou a necessidade de tentar uma nova estratégia a partir dos aprendizados obtidos com os erros.
Como a Nintendo deu a volta por cima com o Switch
Foi nesse cenário de prejuízo e falta de clareza que Satoru Iwata, então presidente da Nintendo, começou a arquitetar o projeto que se tornaria o Switch. Iwata não viveria para ver o lançamento, já que morreu em 2015, dois anos antes da estreia do console. Seus sucessores, Tatsumi Kimishima e depois Shuntaro Furukawa, deram continuidade ao projeto e garantiram que a visão sobrevivesse à sua ausência.
Em vez de investir na fórmula do WiiU, a Nintendo repensou o conceito do console e o primeiro passo foi ouvir os consumidores. Em vez de manter a lógica de dois sistemas – um para casa e um focado em portabilidade – por que não unir o público em apenas um aparelho?
O Nintendo Switch chegou ao mercado em 2017 com uma nova filosofia: era um console que podia transitar entre a tela grande da televisão e sua própria tela pequena. Uma mesma jogatina podia começar na sala de estar e continuar no horário de almoço do trabalho.
Essa foi a forma de inovar adotada: combinar o que já existe de um jeito que ninguém tinha proposto. Para o jogador, o ganho é imediato, porque o mesmo jogo o acompanha do sofá até a viagem.
Inovação a favor de um bom negócio
Mas boas ideias só são um sucesso quando a comunicação com o público é eficiente. O primeiro vídeo de apresentação do Nintendo Switch mostrava o console funcionando em casa e na versão portátil, com jogos como Zelda e Super Mario. A mensagem visual era direta: leve para onde quiser.
Um símbolo dessa transição foi o jogo The Legend of Zelda: Breath of the Wild, lançado simultaneamente para WiiU e Switch em março de 2017. O game se tornou um fenômeno de crítica e vendas, e funcionou como ponte: quem ainda tinha o WiiU via ali a prova de que a Nintendo não tinha abandonado a base instalada, e quem migrava para o Switch encontrava, logo de cara, um dos jogos mais aclamados da história.
Outras decisões importantes foram continuar longe da corrida por hardware de última geração e apostar em jogos próprios e lançamentos de peso. A Nintendo não queria ter o console mais potente, e sim o mais versátil, com preço acessível e games que atraíssem o público desde o início.
Outro ponto positivo dessa abordagem foi a sinergia no desenvolvimento de jogos. Antes, os estúdios da Nintendo precisavam criar games para dois consoles diferentes. Com a abordagem híbrida do Switch, os desenvolvedores puderam se dedicar a entender e produzir jogos para uma única plataforma. Isso aumentou a biblioteca do Switch e otimizou os custos de desenvolvimento.
O resultado dessa mudança aparece nos números. Enquanto o WiiU vendeu apenas 13,56 milhões de consoles e 103,60 milhões de jogos, o Switch chegou a 156,59 milhões de consoles e 1,56 bilhão de jogos comercializados. Hoje, o Nintendo Switch já é o segundo videogame mais vendido da história.
Conclusão: até a Nintendo erra – e aprende com isso
A trajetória da Nintendo mostra que inovar nem sempre é acertar de primeira. O WiiU foi um fracasso, mas a organização não desistiu. Ela ouviu o mercado, identificou as falhas de comunicação, posicionamento e falta de jogos, e criou um novo produto. O Switch já deu lugar ao Switch 2, que mantém sua filosofia e é outro sucesso comercial.
Inovação é corrigir erros, aprender com eles e ter coragem de mudar de rota. Foi o que a Nintendo fez em 1889 ao investir nos jogos de cartas e o que fez novamente ao lançar o Switch.
Esse aprendizado também vale para as cooperativas! Ouvir cooperados e clientes, testar novas ideias, corrigir o que não funciona e comunicar bem as mudanças ajudam qualquer organização a se manter relevante em um mercado cada vez mais competitivo.
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