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CulturaCoop: como a cultura cooperativista promove inovação, diversidade e sucessão

CulturaCoop: como a cultura cooperativista promove inovação, diversidade e sucessão

  • Parceiro: Coonecta

 

Entenda o diferencial competitivo que sustenta o crescimento e o legado das cooperativas

O cooperativismo brasileiro não para de crescer – e o AnuárioCoop prova esse fato! A última edição da pesquisa apontou que o Brasil tem mais de 29 milhões de cooperados, 13,5 milhões a mais do que em 2019.

O aumento no número de associados é um ótimo indicador de que o cooperativismo e seus princípios seguem conquistando a população brasileira. No entanto, será que a cultura cooperativista é disseminada na mesma intensidade?

Segundo a primeira edição da Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista, a disseminação não acontece de maneira igualitária. As principais barreiras são a falta de tempo e de informação dos cooperados.

Veja como a CulturaCoop pode alavancar sua cooperativa, incentivando projetos inovadores, educação e sucessão!

Como construir cultura cooperativista ajuda a realizar inovação com propósito?

Nas cooperativas, a inovação não nasce de um departamento isolado, ela surge da união de cooperados e colaboradores que desejam resolver um problema em comum. É o compromisso compartilhado que abre caminho para ideias inovadoras saírem do papel.

Os princípios cooperativistas devem orientar cada etapa desse processo, desde a identificação do problema até a solução final. A cooperativa precisa saber para quem e por que está inovando, sem pensar apenas em obter tecnologias de ponta.

Esse pensamento já está presente nas coops brasileiras. Segundo a Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro, em 2024, 87% das organizações consideravam a inovação essencial, e 79% já incluíam a prática em seus planejamentos estratégicos.

O alinhamento entre o propósito cooperativista e as necessidades das cooperativas aparece nos resultados. Ao todo, 80,26% das cooperativas relataram ter obtido retorno após a implementação da inovação em um período de até dois anos. Na prática, a combinação entre cultura cooperativista e a inovação aparece de formas diferentes em cada cooperativa.

Cocamar Labs: inovação é cultural

A Cocamar, por exemplo, já possuía uma cultura consolidada de melhoria contínua que focava na otimização de processos rotineiros e estratégicos. No entanto, a cooperativa percebeu que manter a inovação disruptiva separada da melhoria contínua criava um distanciamento, limitando o potencial de engajamento dos colaboradores.

Para resolver esse problema, a cooperativa criou o Cocamar Labs e promoveu uma reestruturação estratégica, integrando todos os programas de qualidade e melhoria contínua. Com a governança centralizada, a inovação deixou de ser vista como algo distante e exclusivo.

Cultura intraempreendedora na Unimed do Brasil

Já a Unimed do Brasil percebeu que faltava uma estrutura para sistematizar o incentivo à inovação. Apesar de já possuir um hub dedicado e um comitê de ideias, a cooperativa enfrentava o desafio de integrar os colaboradores de todas as unidades do país, especialmente as menores que não tinham recursos próprios para estruturar projetos.

Para resolver esse cenário, a cooperativa lançou o programa de intraempreendedorismo Acelera Unimed. A iniciativa abriu espaço para que qualquer profissional da rede pudesse propor soluções focadas em desafios estratégicos definidos a cada ano. Além de recolher as sugestões, o programa passou a oferecer capacitação completa e mentoria.

Como a integração geracional potencializa novas ideias?

A convivência entre diferentes gerações já é bastante comum no ambiente de trabalho e a tendência é que esse fenômeno ganhe ainda mais força. Esse foi o centro da palestra do antropólogo Michel Alcoforado na Semana de Competitividade 2026.

De acordo com o antropólogo, as organizações vivem uma situação inédita, com três, quatro e, em alguns casos, até cinco gerações dividindo o mesmo ambiente profissional. Essa convivência tende a se tornar ainda mais frequente com o envelhecimento da população e a permanência dos profissionais por mais tempo no mercado.

Alcoforado argumenta que o encontro de diferentes visões deve ser encarado como uma oportunidade estratégica. A divergência, segundo o antropólogo, gera fricção produtiva, ou seja, um atrito saudável que tira as equipes de suas zonas de conforto.

O questionamento de modelos consolidados e práticas enraizadas abre espaço para soluções inovadoras. Além disso, a união entre a bagagem de quem construiu a história da cooperativa e a inquietação de quem chega agora garante a perenidade da organização e influencia positivamente os processos de sucessão.

Cresol: projeto engaja jovens na cultura cooperativista

A Cresol percebeu que boa parte do seu quadro social estava atingindo uma faixa etária elevada, o que gerava uma dupla preocupação: a sucessão dos empreendimentos familiares e dentro da cooperativa. A falta de diálogo entre pais e filhos, o desconhecimento sobre a gestão do negócio familiar e a visão de que os jovens deveriam trabalhar fora da propriedade limitavam as oportunidades e afastavam a nova geração do cooperativismo.

Para reverter esse cenário, a cooperativa lançou a iniciativa Juventude Conectada, voltada para jovens de 18 a 25 anos. O programa funciona como uma jornada de aprendizagem online estruturada em três eixos: cooperativismo, educação financeira e protagonismo. Através de capacitações práticas, o projeto ensina os jovens a gerir e planejar a sucessão dos negócios familiares de forma colaborativa com seus pais, além de mostrar os diferenciais de permanecerem na coop.

Coplacana: Núcleo Jovem promove sucessão

A Coplacana, por sua vez, identificou um cenário preocupante de envelhecimento do seu quadro de cooperados e distanciamento das novas gerações. Esse problema ficou claro quando a cooperativa não conseguiu interessados para um congresso voltado para jovens e percebeu que não possuía o contato de filhos e netos dos produtores em sua base de dados.

Para resolver o distanciamento geracional, a Coplacana criou o Núcleo Jovem, voltado para pessoas de 16 a 35 anos, com a proposta de atuar sem viés comercial. A inovação focou na mudança cultural e na preparação de novas lideranças, oferecendo capacitações, como gestão de propriedades, marketing, liderança, inteligência emocional e direito sucessório.

Como a promoção da diversidade nos conselhos é positiva?

A presença de múltiplos perfis e faixas etárias nos órgãos de governança é crucial para garantir a perenidade das cooperativas. A análise comparativa entre as edições de 2022 e 2025 do AnuárioCoop aponta tendências decisivas sobre a evolução da liderança no setor, expondo avanços e problemas.

Líderes com mais de 50 anos seguem como maioria absoluta e em expansão no topo das cooperativas, saltando de 49% para 60% entre os homens e mantendo uma fatia expressiva de 43,8% entre as mulheres em 2025.

Em contrapartida, o ingresso das novas gerações em cargos de comando ainda é um problema: a presença de jovens entre 20 e 30 anos não ultrapassou a marca de 3% entre os homens e de 6,7% entre as mulheres.

Essa concentração etária acende o alerta para o risco de descontinuidade na gestão caso os processos de sucessão não sejam acelerados. Incluir intencionalmente membros mais jovens nos conselhos administrativos permite que futuros líderes aprendam a gestão, a governança e a cultura cooperativa na prática, convivendo diretamente com a bagagem e a memória dos dirigentes mais experientes.

Como a educação fortalece a cultura cooperativista?

A educação é um dos sete pilares que sustentam o cooperativismo, mas não engloba apenas conhecimentos técnicos necessários para a realização de tarefas diárias. No coop, o princípio de educação, formação e informação também abrange a compreensão dos valores, da história e do papel dos cooperados e colaboradores dentro do sistema.

Esse processo funciona como o principal meio de conexão entre o associado e a cooperativa, já que gera sentimento de pertencimento, engajamento consciente e transparência nas relações. Por isso, a educação fortalece a cultura cooperativista de forma direta, capacitando novos líderes e estimulando a participação ativa.

Sicoob Costa do Descobrimento educa para formar cooperativistas

O Sicoob Costa do Descobrimento identificou que, apesar de 35% de seus cooperados terem entre 18 e 35 anos, havia um baixo engajamento desse grupo. Muitos desses jovens desconheciam os princípios do cooperativismo, limitando a participação ativa, inibindo o surgimento de novas lideranças e ameaçando a renovação do quadro social e a sucessão.

Para resolver essa questão, a cooperativa criou o projeto Jovens Cooperativistas, focado em engajar pessoas de 16 a 30 anos. A iniciativa começou com um encontro prático de dois dias, no qual os jovens participaram de trilhas de formação sobre cooperativismo e empreendedorismo, escutaram relatos de empreendedores locais e foram desafiados a criar projetos reais.

Para manter o engajamento, o Sicoob estruturou a criação de um Comitê Jovem permanente, que atuará como um núcleo contínuo de formação. Esse comitê dará aos jovens espaço e voz nas decisões da cooperativa, garantindo na prática a cooperação intergeracional e a preparação dos futuros líderes da instituição.

Soluções do Sistema OCB: CapacitaCoop e Jogar+Aprender

A CapacitaCoop, plataforma de educação online do Sistema OCB, desempenha um papel fundamental na ampliação e fomento do conhecimento cooperativista. A plataforma oferece cursos voltados ao cooperativismo para impulsionar o crescimento das coops através de uma gestão especializada.

Durante a Semana de Competitividade de 2026, a OCB lançou a trilha História, Memória e Cultura Cooperativista. Ela conta com três cursos voltados aos marcos do cooperativismo e como preservar a memória das cooperativas.

Além da formação tradicional, a CapacitaCoop também conta com a plataforma Jogar+Aprender. A ideia é utilizar a gamificação para tornar o aprendizado sobre o cooperativismo mais interativo e dinâmico, atraindo o público jovem.

Conclusão: o poder inovador da cultura cooperativista

A cultura cooperativista é essencial para a perenidade e competitividade das cooperativas, afinal, é responsável por fomentar a inovação, educação e a integração geracional. À medida que o cooperativismo avança, o desafio é manter a essência do modelo, garantindo que os cooperados e colaboradores compreendam seu papel e se sintam pertencentes.

  • Pensando em incentivar as cooperativas a focarem na CulturaCoop, o Sistema OCB publicou o livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo, Volume 1 - Legado. A obra é o primeiro livro de uma trilogia e pode ser baixada gratuitamente aqui!

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