O que é KPI e como usá-lo para medir a performance da inovação
Os indicadores-chave de desempenho ajudam a acompanhar o progresso das iniciativas inovadoras e a aprimorá-las.
Em meio à era digital e um ambiente de negócios cheio de mudanças, a inovação é fundamental para a estratégia das cooperativas na busca pela construção de um futuro sustentável e perene. No entanto, como é possível mensurar o sucesso das iniciativas de inovação? O KPI pode ser de grande ajuda nesse processo!
Documentar e acompanhar o progresso das ações estratégicas e de inovação faz a diferença para que as cooperativas possam saber o que está funcionando como planejado e o que precisa ser aprimorado. A mensuração fornece dados que serão analisados a fim de aprimorar o que a cooperativa está fazendo.
O KPI é justamente uma maneira de mensurar esses dados para fazer o acompanhamento da efetividade do planejamento estratégico voltado à inovação na sua cooperativa. Informação é o caminho para progredir, afinal.
Por que medir a inovação
No geral, as cooperativas já entenderam a importância da inovação. Segundo a primeira edição da pesquisa “Panorama da Inovação no Cooperativismo”, realizada pelo Sistema OCB, 84% das cooperativas consideram que a inovação é muito importante.
Contudo, para colocar a inovação em prática com efetividade, é necessário entender se a ideia proposta ou a solução desenvolvida está apresentando bons resultados e agregando valor à cooperativa. Uma ideia inovadora também precisa ser eficaz.
Diante disso, as cooperativas devem abandonar a ideia de que a inovação é algo abstrato e que não é passível de ser mensurado. Na verdade, é o contrário! Os indicadores permitem que a inovação seja avaliada de forma profunda, com seus resultados tangíveis. O KPI contribui justamente para isso.
Neste artigo, portanto, iremos entender mais sobre o KPI, entender como os indicadores-chaves de desempenho funcionam, quais são os diferentes tipos de indicadores e como eles podem apoiar a mensurar a inovação nas cooperativas. Aproveite a leitura!
O que é KPI: conceitos e elementos
KPI é uma sigla para o termo Key Performance Indicators - ou, em portugês, Indicadores-Chave de Desempenho. Na prática, KPIs são as métricas que você vai selecionar para avaliar o sucesso de algum processo da sua cooperativa como, por exemplo, as suas iniciativas de inovação.
O KPI, dessa forma, é uma maneira de mensurar o sucesso e o progresso da operação da cooperativa a partir de métricas consideradas essenciais para avaliar a efetividade da execução do planejamento. Além disso, o KPI também ajuda a manter o foco, uma vez que é muito fácil se perder em uma enxurrada de dados que não dizem muita coisa.
Para uma cooperativa que vende pela internet, um KPI pode ser, por exemplo, a taxa de conversão das pessoas que visitam a sua loja virtual. Para uma que produz produtos premium, a quantidade de materiais que são reprovados no controle de qualidade também pode ser um KPI importante para avaliar o processo produtivo.
As métricas que compõem o KPI devem, ainda, ser separadas entre dois diferentes níveis: o primeiro é mais geral, contemplando elementos estratégicos que influenciam no negócio como um todo (como fluxo de caixa e receita recorrente); já as métricas mais específicas se relacionam com um determinado setor o processo operacional da cooperativa (tais quais o custo por lead ou a taxa de conversão).
Com isso, o KPI ajuda a fazer um diagnóstico do que está funcionando ou não dentro do que foi planejado. Ademais, essa ferramenta facilita a comunicação sobre o que é importante, de forma a potencializar a transmissão dos valores e objetivos para a cooperativa como um todo, desde a liderança até colaboradores e cooperados.
Diferentes tipos de indicadores de desempenho
Diante da pluralidade de possibilidades que o KPI proporciona, é importante que a cooperativa considere aquilo que de fato faz a diferença para o seu negócio. Conheça, então, algumas das principais categorias de indicadores de KPIs que podem ser úteis para sua coop:
• Produtividade: aplicados continuamente, a fim de dar um diagnóstico sobre a eficiência dos processos dentro da cooperativa. Dessa forma, pode estar relacionado à produtividade de colaboradores, recursos e aproveitamento da infraestrutura, assim como qualquer situação que corresponda à utilização dos recursos da instituição.
• Qualidade: são relacionados aos indicadores de produtividade, já que dão apoio à análise qualitativa e ajudam a entender desvios de conformidade em processos produtivos e administrativos.
• Capacidade: responsáveis por medir a capacidade de resposta dos processos levando em conta a produção em relação ao tempo. Por exemplo: quantos produtos uma máquina é capaz de embalar no decorrer de determinado período. Tem tudo a ver com produtividade e qualidade.
• Estratégia: são os indicadores que apoiam a orientação que a cooperativa deve seguir diante dos objetivos determinados previamente, comparando o cenário presente em relação ao que é almejado pela organização.
Qual a diferença entre KPI e OKR?
É comum confundir o KPI com a metodologia OKR (Objectives and Key Results ou Objetivos e Resultados-Chave). Contudo, apesar de complementares, elas são duas abordagens um tanto distintas entre si. As principais diferenças são:
• Foco: os OKRs se dedicam a definir objetivos ambiciosos que devem ser cumpridos em determinado período, já os KPIs são focados no desempenho progressivo de determinadas iniciativas da cooperativa.
• Prazo: no geral, o OKR funciona em ciclos que, na maioria das vezes, dura cerca de três meses. Os KPIs, por outro lado, podem ser acompanhados por períodos bem mais longos.
• Propósito: os OKRs mesclam objetivos qualitativos e métricas quantitativas pensando no resultado futuro. Enquanto isso, os KPIs são somente quantitativos em decorrência de algo que já está sendo executado.
Em suma, o OKR é uma metodologia que pensa no futuro, indicando os caminhos para cumprir uma meta pré-definida a partir de determinados princípios. Já os KPIs, por outro lado, servem para medir a operação periodicamente, como uma forma de controle.
Para saber mais sobre o OKR e entender como aplicá-lo em prol da inovação na sua cooperativa, confira o curso de OKR do InovaCoop, disponível na plataforma CapacitaCoop!
KPI na prática: mensurando a inovação
Para que o uso dos KPIs sejam efetivos, é importante selecionar aquilo que você quer mensurar e, depois, definir as métricas adequadas para isso. Portanto, não meça tudo. Na era do Big Data, dado é o que não falta. O desafio é saber em quais deles você deve prestar atenção.
Se a sua estratégia de marketing digital está focada em gerar reconhecimento de marca, mensurar os acessos é mais importante do que mensurar a conversão em vendas, por exemplo. Usar a métrica errada pode, aliás, prejudicar a estratégia, uma vez que levam a conclusões não relacionadas ao objetivo definido previamente.
Essa lógica também é válida para a inovação. A flexibilidade dos KPIs devem ser alinhadas ao objetivo. Em um cenário de ambidestria organizacional, não adianta mensurar um projeto de inovação disruptiva levando em consideração resultados financeiros imediatos, por exemplo.
Escolhendo um bom KPI
Diante disso, eis algumas boas práticas para definir, monitorar, analisar e gerenciar efetivamente o desempenho da inovação por meio dos KPIs:
• Escolha KPIs relevantes: dê prioridade às métricas com capacidade de proporcionar novas ideias e gerar insights. Nesse sentido, KPIs envolvendo a cultura de inovação da cooperativa e a satisfação dos clientes com os novos projetos são bons exemplos.
• Defina métricas disponíveis: não adianta definir uma métrica perfeita para aquilo que a sua cooperativa almeja se você não tem dados suficientes ou a disponibilidade de informações sobre o assunto.
• Deixe a vaidade de lado: é frequente que gestores, como forma de massagear a vaidade, foquem os KPIs em números positivos, mas que não têm valor para gerar ideias inovadoras ou aprimoramentos. Escolha métricas que irão, de fato, ajudar a cooperativa, mesmo que os números não sejam bons. Isso ajuda a encontrar fraquezas e oportunidades.
• Defina bem as rotinas: os KPIs devem ser acompanhados e monitorados rotineiramente. Diante disso, escolha KPIs que têm periodicidade e podem ser acompanhados em uma linha do tempo para entender os progressos e retrocessos.
KPIs para a inovação
A adoção de KPIs para mensurar a inovação pode ser bastante difícil, explica André Bianchi Monte-Raso, consultor especialista em estratégia, em artigo para a Endeavor. No entanto, esse é um passo necessário para quem quer integrar a inovação no negócio.
Um exemplo é a 3M, multinacional reconhecida pela inovação constante e científica aplicada em seus produtos. A companhia tem mais de 45 mil patentes e estipula uma meta de 25% do faturamento seja proveniente de produtos criados nos últimos três anos.
Nesse cenário, confira algumas métricas relevantes para que o KPI seja aliado da estratégia de inovação da sua cooperativa:
• Investimento em P&D: o quanto a cooperativa está disposta a investir em pesquisa e desenvolvimento indica a importância da inovação tecnológica e produção de conhecimento. Outra opção é relacionar o investimento em P&D com o faturamento originado pelas vendas, o que resulta em um indicador mais complexo e sofisticado de densidade de P&D.
• Retorno sobre investimento: esse KPI pode ser usado em diversas áreas dentro de uma cooperativa e a inovação é uma delas. Caso a estratégia de inovação tenha o objetivo mais direto de gerar resultados financeiros e aumentar a participação de mercado, medir o ROI é extremamente útil.
• Quantidade de ideias: importante para saber se seus estímulos em prol do intraempreendedorismo e da construção de uma cultura de inovação estão dando certo. Acompanhar o progresso do engajamento em programas de ideias é um KPI relevante nesses casos.
• Tempo de implantação de novos projetos: esse KPI mensura o quão rapidamente a cooperativa pode tirar uma ideia nova do papel. Bastante relevante para iniciativas de inovação incremental e acompanhamento às tendências de mercado, quando demorar demais para inovar pode ser fatal para a competitividade.
• Satisfação do consumidor: um novo produto ou serviço muito bom na teoria pode acabar não satisfazendo os consumidores. Com isso, acompanhar a satisfação dos clientes e usuário para as novidades proporciona grandes insights sobre a inovação.
Para encontrar outras opções e inspirações, confira essa biblioteca de KPIs!
Gestão de KPIs
Empregar os KPIs na cooperativa significa sempre estar de olho neles em busca de insights, resultados, oportunidades, desafios e melhorias na sua estratégia de inovação. Nessa seara, é imprescindível fazer uma boa gestão dos KPIs para que eles fiquem mais maduros e melhorem com o passar do tempo.
Diante disso, eis algumas dicas para potencializar a gestão dos KPIs utilizados para mensurar a inovação nas cooperativas:
• Alinhe o KPI à estratégia da cooperativa: a elaboração e a revisão do planejamento estratégico representam ótimas oportunidades para definir KPIs adequadas àquilo que a cooperativa almeja. Esses ciclos também ajudam a fazer um balanço do panorama e fazer um balanço dos KPIs que estavam sendo avaliados até então.
• Determine metas: estipular metas claras e realistas que vão guiar o plano de ação da cooperativa é fundamental para definir as KPIs mais adequadas para a realidade da instituição. A metodologia SMART se apresenta como uma boa aliada nessa etapa.
• Corrija erros: sempre que a cooperativa identificar que determinado processo não está tendo a performance esperada, é papel da gestão de KPI tomar atitudes e medidas a fim de identificar as causas e encontrar soluções para a situação.
• Acompanhe a performance: gerir um KPI tem a ver com monitorar todos os fatores que influenciam no desempenho da cooperativa e descobrir se as coisas estão dentro do que se espera. Acompanhar periodicamente os KPIs, portanto, é fundamental para intervir quando for necessário e, assim, seja possível chegar aos objetivos almejados.
• Use os indicadores para tomar decisões: a gestão baseada em dados proporciona tomadas de decisão mais assertivas e eficazes. Uma vez que os KPIs tenham sido bem elaborados, eles têm muito a contribuir para que a cooperativa possa escolher os melhores caminhos para se tornar mais inovadora.
Conclusão
Em meio a uma torrente de metodologias e ferramentas, o KPI se destaca como um grande aliado para acompanhar e aprimorar a estratégia de inovação nas cooperativas. Quando alinhado ao planejamento estratégico, o KPI leva em conta os objetivos e o contexto de cada negócio.
Por isso, o KPI deve ser bem trabalhado levando em consideração o que sua cooperativa quer, como ela inova e qual é a finalidade da inovação dentro do mercado em que ela atua. Além disso, o KPI pode ser complementar a outras metodologias ágeis que impulsionam a inovação, como o OKR, que vimos acima.
Para entender mais sobre como colocar o OKR e outras metodologias ágeis em prática na sua cooperativa, confira o nosso guia prático que apresenta três ferramentas para otimizar a gestão da sua cooperativa - é só clicar neste link!