Lar transforma resíduos de soja e milho em briquetes e gera biomassa para suas fornalhas
Ficha Técnica
Contexto
Uma das maiores cooperativas agropecuárias do país, a Lar Cooperativa Agroindustrial atua nos estados de Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. A ideia de transformar resíduos de soja e milho em fonte de energia surgiu a partir de um problema enfrentado pela cooperativa no acondicionamento dos materiais gerados nas unidades.
O armazenamento inadequado provocava perdas e processos de fermentação a céu aberto, gerando passivo ambiental. Como se tratava de um resíduo vegetal, a equipe identificou a possibilidade de adicioná-lo à queima do cavaco de eucalipto utilizado nas fornalhas.
Durante a avaliação, a cooperativa percebeu que o processo poderia ser melhorado por meio do beneficiamento do resíduo, com etapas de secagem e compactação. Antes de chegar à solução atual, foram consideradas outras alternativas para o aproveitamento do material, como compostagem, uso como fertilizante e uso como ração animal.
Essas opções foram descartadas por questões de conformidade legal relacionadas à fabricação e à comercialização. A possibilidade de produzir briquetes surgiu a partir da necessidade de reduzir o tamanho dos resíduos para facilitar seu armazenamento e, posteriormente, utilizar o material na geração de energia.
Desafios
O projeto buscava reduzir as perdas, o acúmulo de impurezas e sujidades nos pátios e a proliferação de insetos e roedores.
Para transformar o resíduo em uma fonte de energia, foi necessário entender sua composição e definir as condições adequadas para o processamento. A equipe registrou a necessidade de secar a massa para melhorar o poder calorífico, triturar o material e encontrar uma máquina capaz de compactá-lo em briquetes.
Era preciso uma máquina robusta, com força para prensar o resíduo, e instalá-la em uma estrutura já existente, ao menor custo possível. O equipamento foi localizado na Dinamarca e importado pela cooperativa. Após a implantação, ainda foram necessários ajustes relacionados à umidade da massa, à temperatura e ao tamanho dos agregados.
Desenvolvimento
Depois de identificar o problema e avaliar diferentes alternativas de aproveitamento, a Lar contratou uma consultoria especializada para apoiar o desenvolvimento do projeto. A parceira realizou levantamentos sobre a geração de resíduos nas unidades próximas, cálculos logísticos, orçamentos de equipamentos, desenho do layout da planta, otimização do fluxo e simulações considerando diferentes tipos de resíduos e períodos de safra.
Também foi calculada a produção por hora, por dia e por turno, com o objetivo de consumir os resíduos gerados naquela região. Com o projeto aprovado pela diretoria e pelo superintendente, começaram as negociações e contratações relacionadas aos equipamentos, obras civis, instalações elétricas e adequações ambientais e sanitárias.
A implantação contou com a participação de diferentes áreas da cooperativa, incluindo Meio Ambiente, Suprimentos e Compras, Operações, Logística, Manutenção, Elétrica, Divisão Operacional de Grãos, Recursos Humanos e Controladoria.
Atualmente, os resíduos gerados no beneficiamento dos grãos de soja e milho passam por uma sequência de etapas. Primeiro, o material é seco, resfriado e triturado em um moinho de martelo. Em seguida, ele passa por uma trilhadeira, que retira os grãos de soja que ainda podem permanecer nas vagens.
O material segue para um silo, que dosa a quantidade encaminhada à câmara de compressão a seco. Uma máquina importada compacta a massa por meio de um pistão, formando um cilindro que passa por novo resfriamento e depois é cortado no tamanho adequado para formar o briquete final.
Resultados
O projeto atualmente processa cerca de 8 mil toneladas de resíduos, em uma cadência de quatro toneladas por hora, com aproximadamente oito horas de operação por dia. Uma análise realizada em laboratório indicou poder calorífico de 4.000 kcal/kg para o briquete produzido. Para efeito de comparação, o cavaco de eucalipto utilizado no processo apresenta poder calorífico de 2.600 kcal/kg.
Além do aproveitamento dos resíduos para geração de energia, a iniciativa trouxe ganhos relacionados ao armazenamento e à operação das unidades. A cooperativa deixou de perder produto por deterioração e reduziu a infiltração de chorume no solo, a proliferação de pragas e a poluição olfativa causada pelo resíduo molhado e deteriorado.
Próximos passos
A Lar está estudando a aplicação do projeto em outras regiões e trabalhando na otimização do processo para ampliar os ganhos e reduzir custos. A cooperativa também avalia novos equipamentos e projetos para dar continuidade à expansão da iniciativa.
Outra possibilidade em estudo é substituir a produção de briquetes pela produção de pellets. Segundo o responsável pelo projeto, o formato seria mais versátil e poderia ser utilizado em diferentes caldeiras e em locais como os aviários.
A cooperativa também avalia a combinação dos resíduos de soja e milho com materiais provenientes da cana-de-açúcar e da indústria madeireira, buscando aumentar o poder calorífico do produto.
Contato da responsável:
Jessie Shiraishi
Coordenadora de Gestão da Inovação da Lar Cooperativa Agroindustrial
E-mail: gestao.inovacao@lar.ind.br