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O que é inovação e como funciona

A maneira como uma cooperativa trata a inovação determina sua capacidade de evoluir e se manter relevante no mercado.

GESTÃO DA INOVAÇÃO30/06/20208 minutos de leitura

Por isso, uma das primeiras questões a serem definidas é: o que é inovação? A resposta não pode ser trivial, pois é a partir dela que uma organização consegue determinar metas e medir avanços. E não há resposta certa ou errada, mas caminhos a serem seguidos. O mais importante é chegar a uma definição que seja reflexo da própria cultura cooperativa. Afinal, inovar tem a ver com questionar o status quo. Ou seja, algo a inovação terá características únicas para cada cooperativa.

Vamos mostrar quais são esses caminhos para ajudar sua cooperativa a encontrar a resposta mais adequada para ela. Também vamos abordar como se dá o desenvolvimento da cultura de inovação, essencial para a obtenção de resultados de longo prazo. Você verá também quais são os principais tipos de inovação que existem.

Vamos começar desmistificando a inovação.

Inovação é diferente de invenção

Invenção pode ser definida como uma nova forma de se fazer algo. Nesse sentido, uma invenção não é, necessariamente, uma inovação. Só se torna uma solução inovadora quando ganha uma aplicação efetiva. Ou seja, quando pode ser apropriada pelas pessoas e passa a gerar valor às empresas e à sociedade.

É importante fazer essa diferenciação para entendermos que inovação não precede, obrigatoriamente, de uma invenção. No entanto, como dissemos no início do texto, a inovação melhora a forma como fazemos as coisas. Assim, inovar envolve pegar algo já existente e transformar em outra coisa.

A importância da cultura de inovação

Alguns especialistas em inovação, como Marcelo Nakagawa, coordenador do Programa de Inovação da Fapesp, afirmam que a transformação digital tem data de validade. Para eles, assim que a maior parte das empresas conseguir superar essa fase de transição, ser digital e ser inovador será tão natural quanto pensar em processo e em qualidade, por exemplo.

Isso está longe de significar que investir em inovação não importa. Pelo contrário. É preciso fazer com que a capacidade de inovar passe a fazer parte do DNA das cooperativas. Ou seja, que não gastem mais tanta energia para pensar nisso, pois já fará parte do mindset, da forma de pensar da organização.

Por isso é tão importante entender o que é e como se constrói uma cultura de inovação. Afinal, é certo que daqui alguns anos outra revolução virá. E somente serão capazes de se adaptar as cooperativas que já tiverem resolvido a questão da inovação.

Cultura de inovação é entendida como a capacidade que uma cooperativa tem de reinventar processos. Ou seja, para torná-los mais dinâmicos e férteis ao desenvolvimento de novas visões estratégicas. Como vemos, inovação não tem, necessariamente, a ver com alta tecnologia.

Não à toa, portanto, o Diretor Corporativo de Tecnologia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil, Ronald Dauscha, acredita que a cultura de inovação reside na ausência de obstáculos à criação e desenvolvimento de ideias.

Em outras palavras, quando há abertura para uma postura mais questionadora e corajosa por parte dos colaboradores. Há maneiras de fomentar a cultura de inovação nas cooperativas.

Elementos favoráveis à cultura de inovação

O que está por trás de uma cultura de inovação é um comportamento apreciativo e aberto disseminado por toda a organização, que permita às ideias proliferar, serem compartilhadas e analisadas. Vamos listar alguns fatores que podem ajudar:


Visão clara

Possivelmente, o mais importante elemento. A cooperativa precisa ter claro o que espera em termos de inovação. Quais são os objetivos a serem alcançados, como o atingimento de metas será avaliado e como vai se comportar quando encontrar obstáculos no caminho. Uma cultura de inovação bem sucedida exige vetores inteligentes e coerentes.

 

Espaço para novas ideias

Um ambiente propício contempla os elementos necessários aos colaboradores para inovar. E isso significa manter uma postura que vai além do discurso. É preciso incentivar colaboradores a expressarem ideias, celebrar conquistas, mostrar resultados de posturas inovadoras.

O diálogo precisa ter espaço para que todos se sintam à vontade para se expressar. O exemplo, como sempre, vem de cima. Para mostrar aos colaboradores que uma nova postura está sendo implementada, o ideal é que os próprios líderes adotem uma postura inovadora e questionadora.


Mente digital

A inovação está ligada de maneira inerente à tecnologia. Por isso, as cooperativas precisam extrair dos avanços tecnológicos o combustível que impulsiona a inovação. É possível melhorar organização e agilidade de projetos, aprimorar comunicação e reduzir burocracias com o redesenho de processos e uso de aplicativos de comunicação remota, gestão de tempo e compartilhamento de tarefas e documentos.


Tendências em foco

Como já dissemos anteriormente, inovar não é, necessariamente, inventar. Aliás, se sua cooperativa tem dificuldade para começar a inovar, o ideal talvez seja começar acompanhando boas práticas e tendências até amadurecer sua própria forma de inovar. Assim, reserve um tempo no dia a dia para se informar, observando quais são as estratégias e soluções que têm sido adotadas com sucesso em outras instituições.


Ambientes agradáveis e colaborativos

Um dos elementos mais disseminados acerca de culturas corporativas inovadoras é, sem dúvida, o dos ambientes modernos de startups e empresas de tecnologia. E eles não existem à toa. Afinal, auxiliam em termos visuais e sonoros ao estímulo à criação e ao descanso. Promovem convivência produtiva e proporcionam motivação e inspiração necessárias à inovação. Não é necessário, entretanto, promover uma revolução nos escritórios para deixá-los com cara de startup. Mas incorporar alguns elementos pode ser benéfico. Como exemplo, paredes adaptadas para receber post-its ou mesmo serem escritos diretamente sobre as superfícies.


Um avanço por dia

A cooperativa não vai se tornar inovadora da noite para o dia. No entanto, o processo de construção da cultura da inovação precisa ser contínuo e consistente. Ao longo dele, é fundamental manter colaboradores motivados e engajados. Assim, a cada dia traga novas ideias e conceitos, ilustrando como a inovação acontece na prática.


Não tenha medo de errar

Inovar exige coragem, pois nem sempre você e seu time vão acertar nas escolhas. E isso é bom, pois o erro faz parte do processo. O segredo está na correção rápida de rota, minimizando prejuízos para desenvolver aprendizado e resiliência.

Agora vamos falar um pouco sobre os tipos de inovação existentes.

Tipos de inovação possíveis

Uma cooperativa não precisa e nem deve restringir sua capacidade de inovação apenas a produtos e processos. E é a partir da criação da cultura de inovação que é possível perceber isso. Ainda assim, nem sempre é fácil observar oportunidades de inovação dentro das organizações. Além de restringir as possibilidades, a falta de visão sobre onde inovar acaba, em alguns casos, tornando a inovação dependente de tecnologia.

Com este problema em foco, o professor e pesquisador Mohan Sawhney, da Northwestern Kellogg School, desenvolveu um radar de inovação que pode auxiliar no diagnóstico das inovações nos negócios e também para identificar oportunidades. Assim, para ele, a inovação pode acontecer em 12 diferentes frentes. Confira quais são as possibilidades listadas por Sawhney em seu radar de inovação:

1.     Oferta (O quê? What?) - Desenvolvimento de novos produtos ou serviços inovadores

2.     Plataforma - Usar componentes em comum ou módulos para criar ofertas derivadas inovadoras

3.     Soluções - Criar ofertas integradas e customizadas que resolvam problemas dos consumidores de uma ponta à outra

4.     Clientes (Quem? Who?) - Descobrir necessidades do cliente ainda não atendidas ou identificar novos segmentos de clientes

5.     Experiências do consumidor - Redesenhar das interações do cliente através de todos os pontos e momentos de contato

6.     Captura de valor - Redefinição sobre como a empresa obtém receita a partir de produtos e serviços já existentes ou inovadores

7.     Processo (Como? How?) - Redesenhar dos processos operacionais principais para aumentar a eficiência

8.     Organização - Modificar a forma, função ou escopo de atividade da empresa

9.     Cadeia de fornecimento - Pensar de maneira diferente sobre o fornecimento

10.  Presença (Onde? Where?) - Criar novos canais de distribuição ou pontos de presença inovadores, incluindo os espaços em que as ofertas possam ser adquiridas ou utilizadas pelos consumidores

11.  Relacionamento - Criar redes de ofertas inteligentes e integradas

12.  Marca - Promover uma marca em novos domínios   




Uma vez que as possibilidades de inovação sejam identificadas ao realizar o diagnóstico com o radar, é importante que a cooperativa conte com as ferramentas adequadas para criar a inovação de fato.

Conclusão

Inovar não é mais uma opção para as cooperativas, é fundamental para sua competitividade. É preciso implementar uma cultura mais aberta a mudanças e mais adaptável. Afinal, é importante pensar no que virá depois da transformação digital.

O que se espera é que as organizações sejam capazes de absorver mais rapidamente as transições, que tendem a ser cada vez mais frequentes na nova economia.

Além disso, é importante que a cultura de inovação da cooperativa extrapole a visão para além de produtos e processos. Como vimos, há pelo menos 12 diferentes aspectos que podem ser considerados ao inovar.

Obrigado pela leitura e até a próxima!

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