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Coopavel usa inteligência artificial para automatizar inspeção no abate de frangos
Contexto
Com sede na cidade paranaense de Cascavel, a cooperativa agropecuária Coopavel conta com 33 filiais instaladas em 17 municípios da região. Com uma operação voltada à produção de grãos e carnes, a Coopavel opera um Frigorífico de Aves em duas linhas que abate diariamente 250 mil frangos.
O processo de abate precisa respeitar padrões de inspeção satisfatórios para garantir a
qualidade do produto. Uma das etapas mais importantes é a da sangria dos animais, que precisa ocorrer de maneira adequada a fim de que o produto siga as exigências sanitárias.
Tradicionalmente, o monitoramento desse processo era feito por meio de uma inspeção manual e visual da sangria. Caso determinada ave não seja sangrada adequadamente e siga para a escaldagem, a cooperativa fica sujeita a autuações e multas do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o que pode gerar desde multas até interdições.
“Se esse frango passar ali sem estar totalmente sangrado, ele vai contaminar os outros. Ele não pode passar porque ele não é um frango ideal para o processo de corte, que é o passo seguinte do processo de abate”, explica Kleberson Angelossi, gerente de inovação da Coopavel.
Desafios
Diante desse cenário, a Coopavel precisava encontrar soluções para aumentar a eficiência do processo de sangramento e fiscalização. A conferência manual, nesse sentido, é mais propensa a erros.
Para obter uma inspeção totalmente eficaz, o time de manutenção e elétrica do frigorífico de aves da Coopavel se reuniu diversas vezes em busca de novas ideias para lidar com a situação. O departamento de inovação da cooperativa, criado em 2021, também se envolveu no processo.
A partir disso, a cooperativa foi em busca de fornecedores de equipamentos capazes de automatizar o processo de conferência da sangria com apoio da tecnologia. A inovação também precisava ser adaptável às demandas da cooperativa.
Desenvolvimento
A Coopavel optou, então, por testar uma solução de inteligência artificial que faz o processamento de imagens para fiscalizar o processo de sangria dos frangos. Ao identificar um fornecedor promissor, a equipe técnica da cooperativa fez testes no início de 2022 e aprovou a adoção da inovação ainda em fevereiro daquele ano. Ao todo, a implementação da inovação custou mais de R$ 25 mil reais usados na aquisição da tecnologia.
A solução consiste em uma câmera, um hardware de processamento e um sistema de sinalização. “Implantamos uma máquina com uma câmera que faz essa identificação automaticamente, se o frango foi totalmente sangrado ou não”, explica Angelossi. Caso haja algum problema, um alerta luminoso comunica o colaborador para a necessidade de fazer o processo corretamente.
Graças ao alerta, o colaborador não necessita inspecionar as aves, o que torna o processo mais confiável e eficaz. O sistema foi implementado diretamente pela equipe da Coopavel, que recorreu ao suporte técnico do fornecedor da tecnologia apenas para programação do sistema de visão durante os testes.
A inovação utiliza técnicas de machine learning, o aprendizado de máquina, em que o sistema vai se aprimorando continuamente. De início, a implementação do equipamento precisou superar algumas barreiras, como regulagem de altura e ajustes para identificar variações de tamanho e peso dos animais de cada lote.
Um outro problema era a presença de sujeira nas lentes das câmeras. A situação foi resolvida com o uso de um bico de ar comprimido com regulagem de vazão na frente das lentes. Ao gerar uma pressão positiva no tubo de proteção da lente, o bico de ar evita que a sujeira entre no equipamento.
Angelossi ressalta a importância da integração entre a área de inovação e o setor operacional para que a implementação da inovação tenha sido um sucesso. “Já havia uma demanda do frigorífico e quando a área de inovação entrou, ela conseguiu dar suporte para a formalização da inovação e transformar a ideia em um projeto”.
Resultados
A inovação que une inteligência artificial e processamento de imagens durante a inspeção da sangria logo apresentou resultados positivos para a Coopavel, tanto em relação ao cumprimento mais efetivo da legislação quanto na eficiência do processo. Consequentemente, a iniciativa também gerou retorno financeiro, devido ao fim das autuações por falhas.
Em 2022, ano em que o equipamento começou a operar, a cooperativa não sofreu nenhuma sanção. A título de comparação, em 2021 duas desconformidades geraram um desembolso de 30 mil reais. Ainda em 2022, 100% dos frangos já passavam pela inspeção automática.
A cooperativa registrou queda no percentual de frangos com sangria inadequada, que foi de 0,07% em 2021 para 0,046% no ano seguinte. Esses ganhos em qualidade, produtividade e conformidade refletem em melhorias para os produtores cooperados.
“No final, na hora de divisão das sobras, esse retorno acaba sendo emplacado também para o produtor rural. Então, quanto mais conseguirmos melhorar a capacidade produtiva, seguindo as melhores formas de manejo, mais ele vai ter retorno”, conta Angelossi.
Por meio da inovação, a Coopavel registrou, portanto, melhorias consideráveis de controle de qualidade em suas linhas de abate de frango. A automação também permitiu que os colaboradores que se dedicavam à tarefa pudessem ser realocados para outras atividades com maior valor agregado.
Por fim, a inspeção automatizada trouxe um caráter mais ético e respeitoso para o processo de abate. Esse fator também é importante para que a cooperativa continue com as práticas de produção em conformidade com a fé islâmica, a fim de manter a certificação Halal, importante para as exportações das aves para mercados muçulmanos.
Próximos passos
Agora, a Coopavel trabalha com a estimativa de abater até 300 mil frangos por dia com apoio da inspeção automática realizada por meio da inteligência artificial. Sob a ótica do setor de inovação da cooperativa, o projeto já está implementado e passa somente por ajustes operacionais.
Contato do responsável:
Kleberson Angelossi
Gerente de inovação
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