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Blockchain no cooperativismo: cases e aplicações

Versátil, a tecnologia oferece segurança e agilidade para inúmeros produtos e serviços.

TENDÊNCIAS24/06/20249 minutos de leitura

O futuro está cada vez mais tecnológico com o avanço das blockchains. Sendo assim, inúmeras organizações estão aproveitando as inovações para deixar seus processos, produtos e serviços conforme as demandas do mercado

Nesse cenário, as cooperativas têm uma gama de possibilidades e oportunidades com a tecnologia e com o blockchain. Mas não se engane, o blockchain já não é apenas usado em transações com criptomoedas.

Neste artigo, vamos entender mais sobre as possibilidades abertas pela tecnologia blockchain e veremos como ela está sendo usada na prática por cooperativas de diversos ramos. Aproveite a leitura!

Blockchain: conceitos e aplicações

De maneira geral, a tecnologia blockchain é um grande banco de dados descentralizado que registra transações de seus usuários. O propósito é deixar as operações registradas e imutáveis, ou seja, sem a capacidade de qualquer alteração fraudulenta, já que cada movimento fica guardado nessa rede compartilhada.

A rede blockchain é capaz de registrar tanto ativos tangíveis, como casas, dinheiro e carros, quanto ativos intangíveis, como patentes, marcas e direitos autorais. Com essa tecnologia, os registros de propriedade estão seguros e podem ser negociados com menos riscos e mais transparência.

Como a tecnologia blockchain funciona?

A primeira aplicação prática da blockchain surgiu junto ao Bitcoin, uma criptomoeda 100% virtual. A tecnologia torna o bitcoin uma moeda totalmente descentralizada em que todas as transações de compra e venda ficam registradas na rede.

Basicamente, quando ocorre uma transação, ela é registrada em uma espécie de bloco de informação. Quando o bloco fica cheio de operações, ele é selado, marcado com data e hora, e guardado com um identificador. Já as correntes são formadas a partir de outras transações que provêm da inicial.

Imagine: a pessoa “A” vende suas criptomoedas para “B”, criando um bloco de operação. Quando “B” faz uma transação com “C”, a corrente é criada, já que ela só aconteceu devido à interação com o indivíduo “A”. Ou seja, todo bloco novo conta com informações do anterior e, portanto, estão interligados.

Aplicação da tecnologia blockchain

Em um primeiro momento, o blockchain era utilizado apenas para criar e manter criptomoedas circulando mundialmente. Ao passar do tempo, e com o sucesso da tecnologia, organizações e instituições passaram a enxergar o potencial da blockchain.

É por isso que atualmente vemos que a tecnologia é utilizada em inúmeros setores da economia, não apenas no mundo das criptomoedas. A tecnologia blockchain já integra inúmeras organizações que buscam usar a tecnologia para agilizar o trabalho com segurança digital.

Existem dois tipos de blockchain: a pública e a privada. Na blockchain pública, assim como o nome já aponta, qualquer pessoa interessada pode fazer parte e acompanhar todas as movimentações. Além disso, não há nenhuma instituição controlando as informações.

Já as blockchains privadas são controladas por uma entidade, organização ou governo. São eles quem ditam as regras do uso da tecnologia e de quem pode fazer parte, e monitoram as informações. A ideia de usar esse modelo é manter a discrição, enquanto se aproveitam da tecnologia disponível.

Blockchain no cooperativismo

Para se manterem relevantes no mercado, diante dos concorrentes, as cooperativas precisam oferecer aos colaboradores, clientes e cooperados serviços e produtos inovadores. E a chave para continuarem no caminho da inovação é ficar atento às tendências.

Cada vez mais, o mercado, e as cooperativas, usam a blockchain para oferecer serviços seguros, que podem ser realizados com facilidade, como a tokenização. Fica claro, portanto, que a tecnologia blockchain já está presente no mundo cooperativista. Vamos conhecer alguns exemplos?

Coffee Coin: a moeda da Minasul

Pensando em inovar de uma maneira inusitada, a cooperativa Minasul criou sua própria criptomoeda. A organização pensou em juntar a tecnologia ao produto que é seu carro chefe, o café, resultando na equivalência: uma moeda Coffee Coin para 1kg de café.

Além de oferecer as garantias básicas que caracterizam a tecnologia blockchain, a moeda da Minasul é uma stablecoin, ou seja, uma moeda estável, em tradução livre. Por ser ligada a um ativo de reserva, o café, a moeda sofre menos com a alteração de preços.

A ligação com o café também é benéfica em outros aspectos. Isso porque, além de contar com maior estabilidade no mercado, é possível retirar o quilo de café equivalente a uma moeda, e aproveitar outros produtos da cooperativa. A criptomoeda também pode servir de garantia para empréstimos, já que, após a compra, ocorre a emissão de um Certificado de Depósito Agrário.

Sistema Financeiro Digital: iniciativa pioneira do Sicoob

Em 2017, o Sicoob deu um grande passo e, em parceria com outras instituições financeiras nacionais, criou o Sistema Financeiro Digital (SFD). A iniciativa, que utilizou a tecnologia blockchain, foi responsável por realizar a primeira transferência em tempo real entre instituições.

Mas foi só em 2019, durante o Ciab, maior evento de tecnologia de automação bancária e de serviços financeiros da América Latina, que o SFD passou a ser aderido por outras cooperativas de crédito. Diante dessa mudança, e avanço na tecnologia das instituições, o nome foi alterado para Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional (RBSFN).

Sibraar: parceria entre Embrapa e Coplacana para monitoramento

Em parceria, a cooperativa Coplacana e a Embrapa desenvolveram o primeiro software capaz de rastrear a produção de cana-de-açúcar da cooperativa, o Sibraar, Sistema Brasileiro de Agrorrastreabilidade. Por ter sido desenvolvido usando a tecnologia blockchain, o sistema armazena os dados dos produtos em blocos digitais em cadeia que contam com informações de fabricação.

O Sibraar também atua na transparência dos produtos da Coplacana ao fornecer um código QR Code para o consumidor conferir os dados imutáveis de fabricação. Tudo se inicia com as informações de lotes de fabricação, gravadas e disponibilizadas em blocos interligados e organizados de forma cronológica.

Em seguida, os dados obtidos são criptografados, comprimidos e encadernados, gerando, portanto, assinaturas digitais. Dessa maneira, nenhuma das informações podem ser alteradas e os consumidores garantem a qualidade do produto que compram.

Próximos passos do blockchain no cooperativismo

Com tantas vantagens, a tecnologia blockchain segue crescendo no mundo cooperativista e permeia inúmeros ramos. Por ser versátil, o sistema de blocos de dados interligados é capaz de se adaptar conforme a demanda.

O cooperativismo de transporte pode contar com a ajuda da tecnologia blockchain no setor de logística, ao tornar as transações transparentes entre as organizações envolvidas. O sistema pode ser utilizado como uma espécie de contabilidade digital capaz de:

• Rastrear e armazenar dados com segurança

• Gerenciar riscos

• Controlar cargas e estoque

• Compartilhar a frota de caminhões

• Precificar veículo usado

No ramo da saúde, o blockchain também se destaca, já que a tecnologia pode ser a resposta para o incansável trabalho de organização, logística e reembolsos. Isso se deve a característica do sistema de gravar informações e não permitir alterações, e, portanto, sendo capaz de:

• Criar prontuários eletrônicos seguros

• Unir informações dos pacientes

• Plataforma única para os profissionais

Redução de fraudes

Blockchain no cooperativismo: produção e sustentabilidade

O sistema de blocos digitais em cadeias também é funcional no ramo agropecuário. A tecnologia pode ser utilizada para a criação de tokens de commodities, ou até mesmo de uma safra inteira. Com a produção tokenizada, é possível vendê-la antecipadamente.

E falando em sustentabilidade, a tecnologia blockchain também está presente na geração de energia elétrica. Com a capacidade de descentralização, o sistema pode ser útil na criação de redes energéticas que conectam produtores de energia renovável aos consumidores. A tecnologia também é capaz de:

• Rastrear transações de energia elétrica

• Integrar fontes de energia renovável à energia elétrica

• Reduzir custos

Já na gestão e governança de dados, a tecnologia blockchain é crucial. Sabemos que com tantas ameaças físicas e digitais, os dados armazenados precisam ser bem protegidos. E é nesse momento que o blockchain entra em ação.

No entanto, para manter a discrição, dados pessoais e comerciais sensíveis precisam ficar fora da rede blockchain. Eles devem ser mantidos apenas pelo tempo necessário em cadeia.

No setor alimentício, o blockchain pode rastrear e armazenar informações sobre um alimento desde seu plantio até o produto final, disponível para compra nos supermercados. Dessa maneira, o consumidor tem a garantia de que o produto é certificado e de qualidade.

Além de oferecer segurança e autenticidade ao consumidor final, o uso da tecnologia blockchain no setor também pode prevenir fraudes e promover práticas sustentáveis.

DAOs: blockchain para cooperativas digitais

As DAOs, Organizações Autônomas Descentralizadas, ficaram conhecidas por seus contratos inteligentes, operados de maneira automatizada, ou seja, sem envolvimento humano. Ao financiar uma DAO, você obtém o direito de voto na tomada de decisões - muito parecido com o cooperativismo, não é?

Nos Estados Unidos, apenas dois estados possuem regulação específica para as DAOs. Diante disso, uma saída tem sido classificá-las como cooperativas, revela a advogada brasileira Jacqueline Radebaugh, que atua em um escritório americano e trabalha com cooperativismo desde 2017.

Nesse sentido, a Employment Commons, que negocia coletivamente planos de saúde e outros benefícios a trabalhadores sem registro formal, é um exemplo de DAO constituída como cooperativa.

“Os membros trabalham em vários lugares e a folha de pagamento dos membros passa pela DAO, e a DAO negocia benefícios para eles”, explica Jacqueline. “Os usuários são como membros em uma cooperativa de consumo”.

Blockchain no cooperativismo financeiro

Por fim, mas não menos importante, vemos que o blockchain pode se tornar um grande aliado das cooperativas de crédito e de outras organizações financeiras. Afinal, tudo começou com a compra e venda de criptomoedas.

A tecnologia blockchain oferece ao ramo crédito inúmeras oportunidades de transações instantâneas, seguras e econômicas. Além disso, o blockchain também pode:

• Evitar fraudes por meio da gestão de identidade visual;

• Administrar ativos;

• Auxiliar no cumprimento de regulamentos;

• Auxiliar no financiamento coletivo.

Conclusão

A tecnologia blockchain segue conquistando inúmeros espaços, inclusive no cooperativismo. Devido às características inovadoras que trazem segurança e agilidade, a tecnologia é vista como uma alternativa para tornar serviços e processos ainda melhores.

Mas não é só o blockchain que está deixando o cooperativismo mais inovador. Com tantas novidades, o InovaCoop produziu o e-book Como a tecnologia está redefinindo a sociedade e transformando os negócios cooperativos. Assim, você consegue entender um pouco mais sobre todas as tecnologias disponíveis para alavancar sua cooperativa.

Conteúdo desenvolvido
em parceria com

Coonecta